POLÍTICA NACIONAL

CPMI: Carlos Viana defende suspensão de empréstimos consignados de aposentados

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Presidente da CPMI do INSS, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) voltou a defender nesta terça-feira (18) a suspensão por 180 dias da cobrança de parcelas de empréstimos consignados já contratados. Ele disse que a suspensão temporária dos consignados já ativos daria tempo para revisar contratos, identificar irregularidades e evitar que aposentados continuem a pagar por serviços ou operações que não reconhecem.

— Durante esses 180 dias nenhuma parcela seria descontada do benefício e ninguém seria considerado inadimplente. É uma medida de proteção social para que o aposentado não continue pagando por algo que ainda precisa ser revisado — argumentou.

O senador disse haver “indícios preocupantes” de fraudes no sistema, com a menção a dados já conhecidos da CPMI. De acordo com ele, mais de 1,6 milhão de aposentados podem ter sofrido descontos que exigem reavaliação. Ele disse que há um conjunto de operações, ainda sob análise, que pode somar até R$ 12 bilhões em créditos concedidos irregularmente.

— Estamos falando de idosos que trabalharam a vida inteira e hoje ficam com R$ 400, R$ 500 para sobreviver, porque o restante some em consignados que muitos sequer lembram de ter autorizado — criticou.

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Proibição de descontos

O senador afirmou que a medida é emergencial para proteger aposentados que, segundo ele, sofreram descontos indevidos em larga escala. Viana também disse que trabalhará para derrubar caso haja veto ao PL 1.546/2024, aprovado pelo Senado com apoio de todos os partidos no último dia 12 de novembro, e que aguarda sanção presidencial.

— Se o presidente da República não sancionar, vou lutar para derrubar o veto a fim de que a gente proíba todo e qualquer desconto de sindicato, associação e entidade — afirmou.

De acordo com ele, o projeto é peça fundamental para impedir o retorno de práticas que permitiram fraudes milionárias contra beneficiários do INSS. O texto proíbe qualquer desconto de mensalidades associativas nos benefícios previdenciários, mesmo quando autorizado pelo segurado, e extingue a possibilidade de antecipação de dívidas via consignado.

Avanço da CPMI

Viana afirmou que a primeira etapa de trabalhos da CPMI está próxima de ser encerrada, com identificação dos principais responsáveis pelo esquema investigado.

— O núcleo principal que roubou a Previdência está na cadeia. Só tem um foragido que deve se apresentar a qualquer momento. E tem mais prisões para vir, podem esperar: as operações vão ocorrer à medida que descobrirmos novos documentos e provas — declarou.

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Instalada em abril para apurar fraudes que envolvem consignados e descontos indevidos, a CPMI já recebeu informações de diversos órgãos federais e tomou depoimentos de servidores, operadores financeiros e representantes de entidades. O senador ponderou que os materiais obtidos reforçam a gravidade do esquema.

— O que temos observado não são casos isolados. São procedimentos bancários e administrativos que fogem ao padrão mínimo de segurança e transparência. Era tão fácil roubar os aposentados que o esquema foi se sofisticando, isso não pode continuar — disse.

Compartilhamento de informações

De acordo com ele, a CPMI deve encaminhar nos próximos dias um conjunto de informações preliminares ao Banco Central, Polícia Federal, Ministério Público e à direção do INSS, para aprofundamento das investigações.

— Cabe a cada órgão, dentro de suas competências legais, analisar os dados, investigar detalhadamente e agir para proteger o cidadão — concluiu.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Relatório do 8 de Janeiro omitiu 11 alertas recebidos por ex-ministro, aponta investigação

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O ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo Lula, general Gonçalves Dias, é acusado de ter determinado a retirada de 11 alertas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de um relatório oficial encaminhado ao Congresso Nacional antes dos atos de 8 de janeiro de 2023.

A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, que aponta divergências entre versões do relatório produzido pela Abin sobre os avisos emitidos antes da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília.

A primeira versão do documento foi entregue à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) em 20 de janeiro de 2023. Segundo a reportagem, o material não registrava 11 mensagens que haviam sido encaminhadas diretamente a Gonçalves Dias pelo aplicativo WhatsApp.

Os alertas tratavam dos riscos de invasão e de manifestações violentas nas imediações dos prédios públicos durante o período que antecedeu os atos de 8 de janeiro.

Alertas ficaram fora da primeira versão

De acordo com a apuração da Folha, a retirada das mensagens teria ocorrido sob orientação de Gonçalves Dias, sob o argumento de que os avisos encaminhados diretamente pelo aplicativo não teriam seguido os canais oficiais de comunicação.

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A versão original do relatório, entretanto, teria permanecido arquivada nos registros da Abin. Posteriormente, uma nova versão do documento passou a incluir os 11 alertas enviados ao então chefe do GSI.

A existência de duas versões do relatório coloca sob questionamento a forma como as informações de inteligência foram selecionadas antes de serem encaminhadas ao Congresso.

A segunda versão foi entregue posteriormente, após solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Nela, os alertas que não apareciam no primeiro documento passaram a constar do material oficial.

Responsabilidade dentro do sistema de inteligência

A discussão também envolve as regras de funcionamento do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin).

Segundo a legislação que disciplina o sistema, o GSI possui atribuições relacionadas à coordenação das atividades de inteligência e ao encaminhamento de documentos produzidos pela Abin às autoridades competentes.

Na época em que o primeiro relatório foi elaborado, a Abin era comandada por Saulo Moura da Cunha, oficial de inteligência. Ele posteriormente deixou o comando da agência e passou a ocupar uma função no próprio GSI sob a gestão de Gonçalves Dias.

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Cunha deixou o cargo em março de 2023 e, posteriormente, também deixou a função que ocupava no GSI.

Gonçalves Dias deixou o GSI após 8 de Janeiro

Gonçalves Dias pediu exoneração do comando do GSI em abril de 2023, depois da divulgação de imagens das câmeras de segurança do Palácio do Planalto que mostraram sua presença no interior do prédio durante a invasão ocorrida em 8 de janeiro.

Na época, o general afirmou que estava no local para atuar diante da invasão e negou ter recebido previamente informações que apontassem para a dimensão dos ataques.

A revelação sobre as diferentes versões do relatório acrescenta um novo elemento às investigações sobre os alertas de inteligência que antecederam os atos.

Defesa

Procurado sobre o caso, o advogado de Gonçalves Dias, André Callegari, afirmou que não concederia entrevistas sobre o assunto.

Segundo a defesa, o ex-ministro tem respondido às investigações oficiais relacionadas ao episódio.

Até o momento, a acusação de que Gonçalves Dias teria ordenado a retirada dos alertas deve ser tratada como informação atribuída à apuração jornalística e ainda sujeita à confirmação pelas investigações e pelos documentos oficiais.

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