POLÍTICA NACIONAL

CAE vai analisar outra proposta de isenção de Imposto de Renda, anuncia Renan

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A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado vai analisar um projeto de isenção do Imposto de Renda alternativo ao apresentado pelo Executivo, que ainda está em análise na Câmara dos Deputados (PL 1.087/2025). O anúncio foi feito nesta terça-feira (16) pelo presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), em reunião do colegiado.

Renan afirmou que a comissão apresentará calendário para votar o PL 1.952/2019, proposto pelo Senado e de teor semelhante ao do governo. O senador se mostrou indignado com o fato de a Câmara não ter apreciado ainda em Plenário o PL 1.087/2025, que isenta do IR quem ganha até R$ 5 mil. Aprovado em comissão especial naquela Casa, o texto é relatado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL).

O senador afirmou que as pesquisas demonstram que 85% da população brasileira apoia a isenção.

— Na pesquisa Quaest, só quem está contra a isenção são aqueles que já são isentos hoje do pagamento do Imposto de Renda. Lamentavelmente essa proposta está servindo de instrumento de chantagem para se colocar outros temas na ordem do dia do Congresso Nacional. (…) O que me surpreende verdadeiramente é que o governo participe desse tipo de chantagem. É por isso que nós vamos anunciar um calendário para a tramitação da isenção do Imposto de Renda, a partir dessa proposta que tramita aqui na Casa — disse o presidente da CAE.

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Renan lembrou que o senador licenciado Vanderlan Cardoso (PSD-GO), quando à frente da CAE, avocou para si a relatoria do PL 1.952/2019, que acabou não sendo apreciado pelo colegiado. Apresentado pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM) em 2019, o projeto isenta do IR pessoas com renda de até R$ 4.990.

— Na ausência do Vanderlan, eu vou avocar a relatoria dessa matéria, que eu considero fundamental, importante e que, lamentavelmente, está sendo instrumento de chantagem por alguém, que quer colocar outros itens na pauta, independentemente do que significa essa isenção do Imposto de Renda para o Brasil — completou Renan.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) também salientou que o Congresso Nacional não pode deixar de legislar por interesses particulares ou menores.

— É importantíssimo tocar isso. A iniciativa é extremamente oportuna, justa e necessária. O Congresso precisa legislar pensando no povo, não em narrativas com interesses menores.

O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) externou repúdio ao fato de a matéria não ter sido votada ainda na Câmara.

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— Não há nada sugerível, até em razão de esse relatório ter sido apresentado há cerca de dois meses, que ele não vá a debate pela Câmara federal, quando nós sabemos o alcance a milhões de pessoas, a milhões de brasileiros que poderiam ser contemplados com essa iniciativa.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Moraes apresenta defesa de 44 páginas antes de julgamento e nega favorecimento a Vorcaro

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Poucas horas antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) analisar a investigação envolvendo seu nome e o banqueiro Daniel Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes apresentou uma defesa de 44 páginas na qual nega ter cometido qualquer irregularidade e classifica as acusações como uma “farsa montada” com motivação política.

A manifestação foi encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, após a divulgação de mensagens atribuídas a conversas entre Moraes e Vorcaro. O caso ganhou repercussão depois que o jornal O Estado de S. Paulo publicou 51 mensagens trocadas entre os dois.

Na defesa, Moraes afirma que as acusações têm caráter político-eleitoral e atribui a divulgação das informações a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o ministro, haveria uma tentativa de utilizar o caso como instrumento de “vingança” política.

O julgamento está previsto para esta terça-feira (15), às 10h. O plenário deverá analisar a situação da investigação e decidir se ela terá prosseguimento ou será arquivada.

Ministro questiona investigação

Um dos principais pontos da manifestação apresentada por Moraes é a legalidade da investigação conduzida pelo ministro André Mendonça.

Moraes sustenta que a apuração teria sido instaurada sem pedido da Procuradoria-Geral da República e sem autorização do plenário do STF. Para ele, a investigação não teria apresentado elementos concretos capazes de demonstrar a existência de infração penal.

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O ministro também questiona a forma como dados extraídos do celular de Vorcaro foram utilizados na investigação. Na avaliação apresentada à Corte, teria ocorrido um direcionamento político da apuração.

Moraes ainda acusa Mendonça de ter utilizado informações do aparelho do banqueiro em um contexto que, segundo sua versão, coincidiria com a proximidade das manifestações de 7 de setembro.

Mensagens são contestadas

A defesa dedica parte significativa da petição às mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro.

O ministro afirma que os diálogos divulgados não demonstram qualquer prática criminosa e classifica parte do conteúdo como “fantasioso”. Também nega ter recebido informações antecipadas sobre a operação que resultou na prisão de Vorcaro.

Segundo Moraes, não houve qualquer contato destinado a impedir investigações contra o Banco Master ou a favorecer o banqueiro.

Outro ponto abordado envolve um contrato de R$ 131 milhões relacionado ao escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. O tema aparece entre os questionamentos levantados nas investigações e reportagens, mas o ministro nega que tenha atuado de maneira irregular em benefício de Vorcaro.

A defesa também contesta informações sobre supostos pedidos de intervenção em investigações, possíveis tratativas envolvendo a permanência de Vorcaro no país e outros contatos atribuídos ao banqueiro.

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Moraes fala em uso político da investigação

Na petição, o ministro cita ainda o caso envolvendo o perito criminal João Cláudio Nabas, mencionado em documentos relacionados à análise do celular de Vorcaro.

Moraes sustenta que informações relacionadas ao seu nome teriam sido utilizadas de forma seletiva e divulgadas em momento politicamente estratégico. Na avaliação apresentada pelo ministro, a investigação teria sido conduzida com o objetivo de produzir desgaste político.

Ele também questiona a cadeia de custódia dos dados obtidos no aparelho de Vorcaro e afirma que o material bruto teria sido encaminhado ao gabinete de Mendonça.

A defesa sustenta ainda que não existem mensagens de autoria de Moraes que comprovem atuação para prestar consultoria jurídica ou conceder favorecimento ao banqueiro.

Julgamento ocorre nesta terça

A manifestação foi apresentada na véspera da análise do caso pelo plenário do STF.

Agora, caberá aos ministros avaliar os argumentos apresentados por Moraes e os elementos reunidos na investigação para decidir os próximos passos do caso.

A defesa apresentada pelo ministro representa a versão de Moraes sobre os fatos e contesta integralmente as suspeitas levantadas contra ele.

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