POLÍTICA NACIONAL
Brasil carece de políticas para pessoas com doenças raras, aponta debate na CAS
Publicado em
11 de agosto de 2025por
Da Redação
A necessidade de amparo — por meio de políticas específicas — aos brasileiros adultos com doenças raras foi o foco do debate que a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) promoveu nesta segunda-feira (11). Especialistas apontaram os desafios enfrentados por pessoas com doenças raras como esclerose múltipla, neuromielite óptica e esclerose lateral amiotrófica (ELA), entre outras. Também ressaltaram que o diagnóstico tardio e a falta de tratamento adequado pioram quadros e oneram os sistemas público e privado de saúde.
Para a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que foi uma das parlamentares que solicitaram o debate, o Congresso jamais pode deixar o assunto “de lado ou na gaveta”. Segundo ela, uma das provas do alto impacto dessa discussão na sociedade foi a participação das pessoas na audiência desta segunda-feira: por meio do canal e-Cidadania, do Senado, foram apresentados mais de 250 questionamentos e sugestões ao debate, enviados por internautas de diversos lugares do país.
— Encontros como este não são apenas para dar visibilidade, para que alguém saia daqui emocionado, chorando, mas para resultar em encaminhamentos. Para que sejam implementadas políticas específicas para esse público, de modo que ele não fique desamparado. Quem está doente tem pressa, e ninguém ficará para trás. O sucesso desta audiência mostra como o poder público precisa ter mais atenção e dispensar mais cuidados — disse Damares.
As doenças raras afetam a autonomia, a capacidade de trabalho e a convivência social dos pacientes. Diagnosticadas muitas vezes após um longo período de sintomas e incertezas, essas condições exigem acompanhamento contínuo, acesso a medicamentos de alto custo, suporte psicossocial e reabilitação.
De acordo com o Ministério da Saúde, há no país cerca de 13 milhões de pessoas com alguma doença rara — o que representa aproximadamente 5% da população.
Esclerose múltipla
A médica neurologista e diretora científica da Associação de Pessoas com Esclerose Múltipla do Distrito Federal, Fernanda Ferraz, informou que uma dessas doenças raras, a esclerose múltipla, afeta aproximadamente 40 mil pessoas hoje no Brasil. A doença é autoimune e degenerativa do sistema nervoso central. De acordo com Fernanda, as manifestações iniciais geralmente acontecem entre 20 e 40 anos de idade, sendo a maior incidência sobre as mulheres.
— Qualquer sintoma neurológico novo que dure mais de 24 horas deve ser analisado por um neurologista — alertou a especialista, em resposta a internautas que enviaram questionamentos por meio do canal e-Cidadania.
Ela explicou que, embora o tratamento precoce possa retardar a progressão da doença, ainda não há protocolo de tratamento da esclerose múltipla no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) nem no sistema de saúde privado do Brasil. Além disso, salientou, não há prioridade para a realização dos exames de imagem e também não há serviços estruturados para a reabilitação dos pacientes.
Segundo Fernanda, entre os principais problemas enfrentados pelos pacientes com esclerose múltipla estão:
- falta de cobertura pelo sistema de saúde;
- tratamento não individualizado;
- indicação inadequada da terapia de tratamento;
- obrigatoriedade de exames desnecessários;
- falha na distribuição contínua dos medicamentos.
Instituto Mara Gabrilli
A presidente do Instituto Mara Gabrilli, Elisabeth Ribeiro, é publicitária, empresária e vive os desafios da esclerose lateral amiotrófica (ELA). Ela participou do debate em uma cadeira de rodas equipada com um software para viabilizar sua comunicação (esse programa converte texto e símbolos em falas).
Por meio dessa tecnologia, Elizabeth fez um relato sobre suas experiências profissionais e pessoais — como sua a paixão pelo Carnaval — e como o diagnóstico de ELA lhe apresentou desafios.
Elizabeth contou que, após o início dos sintomas, começou a usar as cadeiras de rodas e teve de se submeter a uma rotina intensa de exames, sem haver clareza do diagnóstico por vários meses. Ao enfatizar que atua, por meio do Instituto Mara Gabrilli, para dar visibilidade a quem tem essa doença, a convidada defendeu políticas públicas “reais, estruturadas, efetivas e duradouras, de modo que nenhum desses brasileiros fique para trás”.
— Queremos dignidade, acesso, cuidado. Não queremos mais ser invisíveis — declarou.
Neuromielite óptica
A neuromielite óptica é uma doença autoimune neurológica que afeta principalmente o nervo óptico e a medula espinhal. Apesar de rara, estima-se que a sua incidência seja nove vezes maior em mulheres que em homens. Há entre 7 mil e 10 mil pessoas com esse diagnóstico no Brasil.
Fernanda Ferraz fez um alerta: não há prioridade para a realização dos exames de imagem, não há serviços estruturados para a reabilitação dos pacientes e também não há protocolo sobre a neuromielite óptica no âmbito do SUS nem no sistema privado de saúde. Ela também ressaltou que o exame para detecção do anticorpo não está disponível.
Além disso, Fernanda informou que a inserção de duas terapias com alta eficácia para a prevenção de surtos e lesões foram negadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).
Síndrome da fadiga crônica
Outra doença rara citada no debate foi a encefalomielite miálgica (ou síndrome da fadiga crônica). Essa doença causa disfunções neurológicas, imunológicas, autonômicas e metabólicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 50 milhões de pessoas no mundo têm esse diagnóstico.
A professora e pesquisadora Eloara Campos, que ministra a disciplina de pneumologia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destacou que a falta de compreensão dessa doença muitas vezes leva a um diagnóstico errôneo, muitas vezes associando a causa a problemas mentais, ansiedade ou depressão. Ela afirmou que ainda não há um biomarcador da doença, o que dificulta e retarda o diagnóstico, e que muitas vezes a terapia tem sido direcionada ao controle dos sintomas, e não ao tratamento, agravando a situação de quem tem a doença.
Eloara apontou falta de capacitação dos profissionais de saúde e falta de treinamento adequado das equipes para lidar com os pacientes diagnosticados com encefalomielite miálgica. Além disso, observou ela, existem preconceitos em relação à doença, porque a sociedade “rotula” mulheres afetadas por essa condição como vítimas de doenças psicossomáticas, o que desestimula a busca por cuidados de saúde adequados.
— A falta de capacitação dos profissionais, os preconceitos gerados pela falta de estudos e a falta de protocolos corretos oneram os sistemas público e privado de saúde por levarem a tratamentos inadequados e a um consumo exagerado de exames que não dão resultados. Mesmo com uma perda extrema de funcionalidade, esses pacientes muitas vezes permanecem invisíveis e sem o suporte adequado dos sistemas de saúde, especialmente quando pertencem a grupos marginalizados por raça, gênero ou outras identidades.
Dignidade
Presidente da Associação de Pessoas com Esclerose Múltipla e Doenças Raras, Ana Paula Morais da Silva disse que seu diagnóstico de esclerose múltipla demorou 25 anos para sair. Ao relatar as dificuldades enfrentadas por quem tem doença rara no país, ela destacou que esses pacientes buscam dignidade e condições para continuar produzindo em sociedade.
De acordo com Ana Paula, após receberem a confirmação da doença, muitas pessoas passam apenas a integrar as estatísticas sobre a condição. Ela fez um apelo para que órgãos como o Ministério da Saúde defendam e tratem com seriedade as necessidades dos pacientes com doenças raras no Brasil.
— A partir do momento em que recebemos o diagnóstico, principalmente de uma doença rara, passamos a ser vistos como um custo para o Estado. Mas o que a gente quer é continuar sendo um ser humano que agrega à sociedade. A gente só para de produzir quando não tem acesso ao medicamento. É muito difícil, inclusive para os profissionais, fazer esse acompanhamento, mas [pedimos que] olhem para nós e escutem até mesmo o que não conseguimos falar — pediu ela.
Presidente de honra do Instituto Odilon Aires de Doenças Raras, Gustavo Almeida Aires argumentou que o poder público também precisa dar atenção às famílias dos pacientes diagnosticados com doenças raras, para que esses parentes não adoeçam, principalmente por questões psicológicas. Ele ressaltou que o diagnóstico precoce de doenças raras ajuda os familiares na busca pelo tratamento adequado.
— Infelizmente, o sistema público [de saúde] não enxerga os pacientes nem suas famílias. Mas é preciso reforçar que essas pessoas não são apenas números, mas vidas que precisam ser cuidadas.
Encaminhamentos
A senadora Damares Alves informou que, apesar do convite enviado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), o Ministério da Saúde não enviou representante para o debate. Ela pediu à comissão que solicite audiências com membros do Ministério da Saúde e da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), com o encaminhamento dos links da audiência pública e das apresentações dos participantes.
Ao final da reunião, Damares também pediu que a CAS envie ofícios a órgãos como o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e a Secretaria Nacional de Saúde Indígena, solicitando os dados referentes a indígenas, população nômade, ciganos e povos tradicionais acometidos com doenças raras no país.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Angelo Coronel defende PEC que reduz alíquota previdenciária dos municípios
Published
27 minutos agoon
6 de maio de 2026By
Da Redação
Em pronunciamento no Plenário nesta terça-feira (5), o senador Angelo Coronel (Republicanos-BA) defendeu a proposta de emenda à Constituição (PEC 5/2025), de sua autoria, que reduz a alíquota de contribuição previdenciária dos municípios. Segundo o parlamentar, a matéria permanece sem tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A proposta prevê a fixação em 8% das contribuições sociais incidentes sobre a folha de pagamento de municípios com população inferior a 142 mil habitantes. De acordo com o senador, a medida retoma regras vigentes em 2024 e tem objetivo de aliviar as contas das prefeituras, que enfrentam aumento progressivo da alíquota.
— Se tiver dificuldade na CCJ, que seja designado um relator de Plenário. O que não podemos é prejudicar mais de 5 mil prefeituras do Brasil, simplesmente porque a PEC está parada sem tramitar. E é algo que já era antes 8%; o governo passou mais 4%, foi para 12%, já está em 16% e, no próximo ano, volta aos 20%, como era antigamente. E os prefeitos do Brasil querem restabelecer os 8%, como foi feito via aquela emenda de minha autoria no projeto da desoneração da folha dos 17 setores — disse, referindo-se à prorrogação do Perse, o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos, em 2024.
Angelo Coronel pediu apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para viabilizar a análise da proposta antes da Marcha dos Prefeitos, este mês, em Brasília. Segundo ele, o tema será uma das principais pautas do encontro, que reúne gestores municipais de todo o país.
— Que a gente desengavete essa PEC, porque, no próximo dia 20 de maio, vai ter a Marcha dos Prefeitos, o Brasil inteiro estará no Congresso Nacional e […] a pauta principal é essa PEC, que é de minha autoria, que está lá na CCJ — disse Angelo Coronel, pedindo apoio a Davi Alcolumbre.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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