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Relembrando trajetória de ações feitas no parlamento, deputado Botelho celebra os 190 Anos da Assembleia Legislativa de MT

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Nesta quarta-feira (06), uma sessão solene em comemoração aos 190 Anos de Instalação da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso reuniu parlamentares, ex-deputados, diversas autoridades e servidores públicos no Plenário das Deliberações Deputado Renê Barbour.

Durante o evento, alguns dos 24 deputados estaduais abriram as falas com depoimentos sobre a trajetória no Parlamento estadual, seus feitos e ações que contribuíram para a construção de avanços significativos no estado em quase dois séculos de história da Casa de Leis.

Em seu pronunciamento, o deputado Eduardo Botelho (União) destacou que, por quase uma década, presidiu a Assembleia Legislativa e teve a oportunidade de aprovar leis fundamentais para o fortalecimento da economia estadual, para a modernização da gestão pública, para a ampliação dos direitos sociais e para a implementação de novas ações que mudaram o cenário de Mato Grosso, potencializando cada vez mais o estado.

“Nos últimos oito anos em que estive à frente como presidente deste Parlamento, unido aos nossos valiosos deputados, a ALMT aprovou leis importantes, criou comissões permanentes para fiscalizar, debater e propor melhorias e desenvolveu ações que resultaram em mudanças significativas para o progresso de nosso estado”, destacou.

Na ocasião, personalidades políticas que fizeram e fazem parte da história do Parlamento estadual e seus familiares foram agraciados com a Comenda Mérito do Legislativo.

Entre os homenageados estavam os ex-deputados Sarita Baracat, Antero Paes de Barros, Otaviano Pivetta, Teté Bezerra, José Márcio Panoff de Lacerda, Malba Varjão, Carlos Brito, entre outros. Também foram lembrados e homenageados os deputados que faleceram no exercício de seus mandatos, representados por seus familiares.

Foto: MARCOS LOPES/ALMT

Ao final da solenidade, um belo “parabéns para você”, com bolo festivo, fechou a comemoração do dia.

Veja na íntegra o discurso do deputado Eduardo Botelho:

É com enorme honra, emoção e senso de responsabilidade que me dirijo a todos nesta data emblemática: a comemoração dos 190 anos da Assembleia Legislativa do estado de Mato Grosso.

Não é apenas o aniversário de uma instituição. É a celebração de uma longa trajetória de lutas, debates, resistência e construção democrática. Ao longo desses 190 anos, a Assembleia Legislativa foi protagonista de decisões que mudaram os rumos do nosso estado, uma trajetória marcada por desafios grandiosos, mas também por conquistas memoráveis que transformaram Mato Grosso em uma das unidades da federação mais pujantes do Brasil.

Desde sua criação, em 1835, ainda no Brasil Império, a Assembleia Legislativa foi palco dos grandes debates e decisões que moldaram nosso território, nossa identidade e nosso futuro. Ao longo desses quase dois séculos, o Parlamento estadual enfrentou crises políticas, conflitos territoriais, transições de regime, mudanças econômicas profundas e até a divisão do estado em 1977, com a criação de Mato Grosso do Sul — um momento delicado, que exigiu grande equilíbrio e liderança.

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Nosso povo — aguerrido e resiliente — sofreu com a distância dos grandes centros de decisão nacional, com a dificuldade de acesso à educação, à saúde, à infraestrutura e à justiça. Vivemos momentos de isolamento geográfico, de estrangulamento logístico e de escassez de investimentos públicos. Mas, mesmo diante dessas adversidades, Mato Grosso jamais deixou de crescer. E esse crescimento sempre teve o suporte do poder legislativo estadual, que se manteve atento às vozes da população.

Foi nesta Casa de Leis que nasceram importantes políticas públicas que impulsionaram a interiorização do desenvolvimento, o fortalecimento do agronegócio sustentável, a valorização dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, a defesa do meio ambiente — um compromisso essencial, já que Mato Grosso abriga três dos maiores biomas do país: o Cerrado, o Pantanal e a Amazônia.

Hoje, somos líderes na produção agropecuária, referência em energia renovável, um estado estratégico para o Brasil e o mundo. Esse progresso não é obra do acaso, mas do trabalho contínuo entre o poder público, os produtores, os trabalhadores e, especialmente, desta Assembleia.

É impossível falar dos últimos anos da Assembleia e não me enxergar nessa história tão importante em prol do nosso povo e do nosso estado.

Nos últimos oito anos em que estive à frente como presidente deste Parlamento, unido aos nossos valiosos deputados, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovou leis fundamentais para o fortalecimento da economia estadual, para a modernização da gestão pública e para a ampliação dos direitos sociais. Criamos comissões permanentes para fiscalizar, debater e propor melhorias. Abrimos espaço para a participação popular, promovendo audiências públicas em todas as regiões do estado.

A atuação desta Casa tem sido decisiva para o progresso de nosso estado. Cito aqui algumas das ações mais relevantes deste último período:

A criação do Programa SER Família, de iniciativa do Governo do Estado com respaldo legislativo desta Casa, garantiu auxílio financeiro e dignidade às famílias em situação de vulnerabilidade. A Assembleia foi fundamental para aprovar os recursos e assegurar a continuidade do programa, beneficiando milhares de mato-grossenses.

Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

A aprovação da Lei do Pantanal (Lei nº 11.861/2022), um marco histórico que regulamenta o uso sustentável do bioma pantaneiro. Um passo importante na conciliação entre preservação ambiental e produção responsável.

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A atuação decisiva na reestruturação do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), garantindo mais transparência na destinação de recursos para infraestrutura, rodovias, pontes e habitação popular em todas as regiões do estado.

O apoio a políticas voltadas à regularização fundiária, essencial para dar segurança jurídica ao produtor rural e ao pequeno proprietário, promovendo desenvolvimento com responsabilidade.

Conseguimos transformar também o papel institucional da Assembleia:

Aproximamos o Parlamento da população com projetos como o Assembleia Itinerante, levando sessões e serviços para o interior do Estado.

Estabelecemos um modelo de gestão mais transparente e acessível, com transmissões ao vivo, portais de transparência atualizados e incentivo à participação popular.

Defendemos a harmonia entre os poderes sem abrir mão da autonomia legislativa.

Mantivemos a estabilidade política da Casa mesmo nos momentos mais delicados, como durante a pandemia da Covid-19, quando a Assembleia garantiu agilidade na aprovação de medidas emergenciais para a saúde e o auxílio à população.

Também modernizamos sua estrutura, capacitando servidores, ampliando canais de diálogo com entidades civis; passando a ter um papel mais estratégico nas discussões sobre o futuro de Mato Grosso.

Em dezembro 2024 recebemos, pela segunda vez, o Selo Diamante de Transparência Pública. A certificação é concedida pelo Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP), organizado pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e Tribunais de Contas brasileiros.

É importante ressaltar que o progresso só é legítimo quando é compartilhado. E é por isso que esta Casa tem o dever de continuar trabalhando pela inclusão, pela justiça social, pelo acesso universal à educação de qualidade, à saúde, ao saneamento e à moradia digna.

Hoje, ao celebrarmos 190 anos de história legislativa, não olhamos apenas para o passado. Olhamos para o futuro com a consciência de que os desafios continuam — mas com a certeza de que, com diálogo, com respeito às diferenças e com compromisso com o povo mato-grossense, continuaremos a construir um estado mais justo, mais próspero e mais democrático.

E para encerrar esta homenagem, recorro às palavras do grande poeta mato-grossense, Manoel de Barros, que soube como ninguém enxergar a grandeza nas coisas simples e a beleza no nosso jeito de ser:

“O olho vê, a lembrança revê e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo.”

Que possamos continuar “transvendo” Mato Grosso com coragem, sabedoria e sensibilidade, como faz esta Assembleia há 190 anos: transformando desafios em conquistas, e sonhos em realidade para todos os mato-grossenses.

Parabéns à Assembleia Legislativa e ao povo deste estado que tanto nos inspira.

Muito obrigado.

Fonte: ALMT – MT

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Grupo de Trabalho da ALMT debate impactos sociais e ambientais da inteligência artificial

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta segunda-feira (15), mais uma reunião do Grupo de Trabalho (GT) responsável por acompanhar, promover estudos e propor medidas relacionadas à implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). A principal pauta do encontro foi a palestra “O custo social e ambiental da Inteligência Artificial diante dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU”, ministrada pelo advogado, biólogo e mestrando em Política Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Luiz Felipe Goffi Portela.

Participaram da reunião o presidente do GT, André Luis Rufino, a relatora Clara Vaz e o secretário José Carlos Bazan. O debate abordou os impactos da crescente utilização da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho, o consumo de energia e água, além dos desafios relacionados à desigualdade social e aos vieses presentes nos sistemas tecnológicos.

Durante a palestra, Luiz Felipe Goffi Portela destacou a necessidade de ampliar o debate sobre a inteligência artificial para além dos benefícios normalmente divulgados pelas grandes empresas de tecnologia.

“É importante que nós tenhamos uma discussão além da publicidade e dessa magia que é vendida por essas empresas. Precisamos entender o que existe por trás dessa tecnologia e quais são os impactos que ela gera para a sociedade”, afirmou.

Segundo o palestrante, a inteligência artificial depende de uma enorme estrutura física e humana para funcionar. Ele explicou que os sistemas utilizam grandes volumes de dados, demandam equipamentos de alta capacidade e consomem grandes quantidades de energia e água por meio dos data centers.

Foto: Hideraldo Costa/ALMT

“Quando falamos em nuvem, muitas pessoas imaginam algo abstrato, mas essa nuvem é formada por data centers espalhados pelo mundo. Existe uma estrutura física gigantesca sustentando esses sistemas, e isso tem custos ambientais e sociais que muitas vezes não aparecem para o usuário final”, observou.

Outro ponto destacado foi o impacto da inteligência artificial sobre o trabalho. De acordo com o especialista, parte da tecnologia é alimentada por trabalhadores que realizam tarefas repetitivas e pouco valorizadas, muitas vezes em países em desenvolvimento.

“A inteligência artificial não aprende de forma mágica. Ela depende de milhões de dados que são organizados e tratados por pessoas. Muitas dessas atividades são mal remuneradas e não geram qualificação profissional para quem as executa”, explicou.

Na área ambiental, Portela alertou para o elevado consumo de recursos naturais necessários para manter os data centers em funcionamento.

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“Essas estruturas possuem uma pegada hídrica muito forte. São bilhões de litros de água utilizados para resfriar os equipamentos, além de uma demanda crescente por energia elétrica. Precisamos avaliar quais são os benefícios que essas instalações deixam para as comunidades onde são implantadas”, afirmou.

A relatora do GT, Clara Vaz, chamou atenção para a necessidade de refletir sobre formas de reduzir os impactos gerados pelo uso crescente da inteligência artificial.

“Quando discutimos desenvolvimento sustentável, o objetivo é justamente reduzir os impactos sociais, econômicos e ambientais. Diante desse cenário, precisamos refletir sobre o uso consciente da inteligência artificial e sobre mecanismos que possam minimizar esses efeitos”, destacou.

Ao responder aos questionamentos da relatora, Luiz Felipe afirmou que a inteligência artificial já está integrada a diversas atividades do cotidiano e dificilmente deixará de ser utilizada. Para ele, o caminho passa pela conscientização e pela criação de regras que garantam um desenvolvimento mais equilibrado da tecnologia.

“Não acredito que seja possível simplesmente parar de usar a inteligência artificial. O principal é compreender os impactos gerados por essa tecnologia e avançar no debate sobre formas de regulação que permitam um uso mais sustentável e responsável”, defendeu.

Durante a palestra, Luiz Felipe Goffi Portela também chamou atenção para os riscos relacionados às bases de dados utilizadas para treinar os sistemas de inteligência artificial. Segundo ele, como essas tecnologias aprendem a partir de informações produzidas pela própria sociedade, acabam reproduzindo preconceitos e desigualdades já existentes.

“O problema é que a inteligência artificial não cria conhecimento sozinha. Ela aprende com os dados que recebe. Se a sociedade produz desigualdades e preconceitos, esses padrões também podem aparecer nos sistemas”, explicou.

O palestrante apresentou exemplos de pesquisas internacionais que apontam falhas em sistemas de reconhecimento facial, especialmente na identificação de pessoas negras. Segundo ele, estudos demonstram taxas de erro significativamente maiores quando a tecnologia é aplicada a mulheres negras em comparação com homens brancos.

Portela também destacou casos já registrados no Brasil em que cidadãos foram abordados ou detidos injustamente após erros em sistemas automatizados de reconhecimento facial.

“Quando um sistema erra, precisamos discutir quem será responsabilizado por esse erro e quais mecanismos de fiscalização existem para evitar que a tecnologia prejudique a vida das pessoas”, alertou.

Outro exemplo apresentado envolveu a geração de imagens por inteligência artificial. O pesquisador demonstrou que, ao solicitar imagens de pessoas em determinadas profissões ou condições sociais, os sistemas tendem a reproduzir estereótipos raciais e econômicos presentes nos bancos de dados utilizados para o treinamento das plataformas.

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Para ele, o avanço da inteligência artificial exige transparência, auditorias independentes e mecanismos de controle social capazes de identificar possíveis vieses discriminatórios.

“A tecnologia não é neutra. Ela reflete os dados que recebe e as escolhas feitas durante seu desenvolvimento. Por isso, é fundamental que haja fiscalização e acompanhamento desses sistemas”, afirmou.

Além de apresentar os impactos sociais, ambientais e econômicos da inteligência artificial, o palestrante também sugeriu possíveis frentes de atuação para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Entre elas, a criação de mecanismos de acompanhamento e fiscalização da implantação de sistemas de inteligência artificial utilizados pelo poder público, especialmente nas áreas de segurança, reconhecimento facial e prestação de serviços à população.

O palestrante defendeu ainda a realização de auditorias independentes em sistemas automatizados, o fortalecimento da transparência no uso de algoritmos e a ampliação do debate sobre a regulação da inteligência artificial, de forma a garantir que a inovação tecnológica esteja alinhada à proteção dos direitos fundamentais e aos princípios da Agenda 2030.

Segundo ele, a participação do Poder Legislativo é fundamental para avaliar os impactos dessas tecnologias antes de sua adoção em larga escala.

“Faz parte do papel da Assembleia pensar como esse uso será construído e fiscalizar de fato esses sistemas. Muitas vezes se observa apenas o resultado apresentado pela tecnologia, mas é preciso também avaliar os erros e os impactos que podem atingir a população”, destacou.

O presidente do Grupo de Trabalho, André Luis Rufino, destacou que o debate contribui diretamente para os trabalhos desenvolvidos pela ALMT em torno da Agenda 2030 e poderá subsidiar futuras iniciativas legislativas.

“Essa discussão é extremamente importante porque a inteligência artificial já está presente no cotidiano das pessoas e na administração pública. O Grupo de Trabalho, criado por iniciativa do deputado estadual Wilson Santos (PSD), tem justamente a missão de estudar esses temas, identificar desafios e buscar caminhos para que Mato Grosso avance de forma sustentável. As sugestões apresentadas durante a palestra serão analisadas e poderão subsidiar indicações, propostas legislativas e outras medidas que venham a ser discutidas e tramitadas na Assembleia Legislativa”, pontuou André Luis.

Fonte: ALMT – MT

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