Política MT
Parlamento Jovem: Estudantes eleitos tomam posse para mandato de dois anos
Publicado em
24 de abril de 2025por
Da Redação
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, na manhã desta quinta-feira (24), a sessão de posse dos 24 estudantes de escolas públicas e privadas do estado eleitos para a 9ª Legislatura do programa Parlamento Jovem (biênio 2025/2027).
Os estudantes foram escolhidos por mais de 2.300 pessoas, que registraram seus votos no site da ALMT. Entre eles, estão 13 meninos e 11 meninas de 20 escolas diferentes, dos municípios de Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis.
Durante os dois anos de duração de seus mandatos, os jovens poderão participar das sessões plenárias, acompanhar um deputado ou uma deputada em suas atividades parlamentares, visitar órgãos públicos estaduais e apresentar projetos de lei. Eles também deverão visitar Brasília, capital do país, com o apoio da Secretaria Estadual de Educação (Seduc).
“É muito importante estimular a juventude, trazer para dentro do Parlamento e mostrar o valor do Poder Legislativo. O deputado Thiago Silva está de parabéns por liderar esse projeto. Conseguimos mobilizar as escolas e tivemos uma votação expressiva. Os jovens estão empolgados. Isso fortalece o Parlamento e aproxima a juventude da política. Precisamos de uma juventude que participe, interaja, critique e cobre. Estamos formando lideranças importantes, não apenas para o sistema político, mas também para a gestão pública”, afirmou o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB).
Autor da indicação que viabilizou o retorno do programa, após paralisação durante a pandemia de Covid-19, e padrinho da 9ª Legislatura, o deputado estadual Thiago Silva (MDB) deu as boas-vindas aos estudantes eleitos e destacou a relevância do projeto para renovação da esperança na política e na cidadania em Mato Grosso.
Foto: Marcos Lopes
“Cada um de vocês carrega consigo o brilho da juventude, a força das novas ideias e o compromisso de uma sociedade mais justa, próspera, inclusiva e, acima de tudo, democrática. Ser escolhidos para representar a voz dos jovens é um ambiente como esse não é apenas uma honra, mas também uma grande responsabilidade. Vocês agora têm a oportunidade de viver, na prática, os desafios e as conquistas da vida parlamentar. Vão compreender, ainda que em escala pedagógica, como se constroem leis, como se debate o interesse público e como se forma o diálogo entre diferentes visões para alcançar o bem comum. Vontade de transformar o estado de Mato Grosso. O Parlamento Jovem não é apenas um programa educacional, ele é uma verdadeira semente plantada no coração da nossa democracia”, declarou.
Mesa Diretora – Após a cerimônia de posse, os novos deputados elegeram os membros da Mesa Diretora do Parlamento Jovem. Três chapas foram inscritas, saindo vencedora a chapa “Voz Ativa”, encabeçada por Yasmin Vitória Souza Dias, que responderá pela presidência.
A Mesa Diretora é composta ainda por Melissa Monaski Conceição, na 1ª vice-presidência; Ana Julia de Almeida Neponoceno, na 2ª vice-presidência; Daniel Piter Rodrigues Wolinger, na 1ª secretaria; Alfredo Augusto Pontin, na 2ª secretaria; Jhully Cristine Ferreira Fernandes de Morais, na 3ª secretaria; e Danilo Henrique Pedroso da Silva, na 4ª secretaria.
“É com imensa felicidade que assumo a presidência da Mesa Diretora. Confesso que a emoção toma conta ao pensar no desafio que temos pela frente, mas me alegro, porque vejo aqui jovens que anseiam por mudança. Assumo este mandato com humildade, mas também com determinação, ciente de que presidir esta Mesa é honrar o compromisso de servir a todos vocês e, acima de tudo, à população que nos enviou para cá. Vou levar este dia para toda a minha vida, mas não como uma conquista pessoal, e sim como a materialização de uma jornada coletiva”, discursou Yasmin.
A presidenta eleita destacou ainda a importância da participação dos jovens na política e afirmou que os novos deputados devem servir de inspiração para muitos outros. “Hoje em dia a falta de interesse dos jovens pela política é grave. Isso se dá por diversas barreiras estruturais, pela falta de incentivo, pela dificuldade de acesso e até mesmo pela desconfiança gerada pela corrupção e burocracia. O resultado é evidente: a baixa presença da juventude nos espaços de decisão. Mas, em meio a tanta falta de incentivo e desinteresse político, eu abro os meus olhos e encontro esperança, pois vejo aqui jovens que estão dispostos a mudar isso”, frisou.
Eleita primeira-secretária, Melissa Conceição, de 16 anos, contou que pretende desenvolver um projeto na área da educação, com foco em palestras de oratória nas escolas, para desenvolver habilidades de comunicação e engajamento político entre os jovens.
“A ideia é oferecer palestras para que os alunos aprendam a falar em público. É uma habilidade essencial para todas as pessoas, que vai ser exigida em profissões, no trabalho, na sociedade. Eu mesma sou tímida, então vejo isso como algo que pode me ajudar também. Quero participar das palestras aqui na Assembleia e acredito que isso pode desenvolver outros jovens politicamente. Posso me imaginar futuramente sentada aqui como deputada. Seria uma oportunidade maravilhosa. Admiro muito os deputados e, especialmente, a Janaína Riva”, disse.
Enzo José Antunes, de 13 anos, relatou o uso da comunicação como ferramenta central de sua campanha e contou que irá focar a sua atuação na área. “Quero espalhar essa ideia para mais pessoas. A comunicação é uma das partes mais importantes do Direito, pois permite que a gente se expresse de verdade, sem esperar que os outros decidam por nós. Isso mostra nossa autonomia”, salientou.
A deputada Janaina Riva (MDB) comemorou a presença feminina expressiva no Parlamento Jovem e anunciou que pretende incentivar a criação de uma bancada feminina no Parlamento Jovem e estimular essas jovens a seguirem carreiras políticas.
“É muito bom ver a energia dessa juventude, querendo debater o estado de Mato Grosso. A Assembleia acolhe esses jovens sonhadores. Precisamos fomentar novas lideranças políticas, especialmente femininas, e trazê-las para perto. O Parlamento não é um bicho de sete cabeças, é um espaço do povo. A deputada jovem mais votada foi uma menina, com mais de 300 votos, e disse que se inspira em mim. Quero trabalhar com ela e com todas as meninas aqui para formar uma bancada feminina no Parlamento Jovem”, afirmou.
Fonte: ALMT – MT
Política MT
Grupo de Trabalho da ALMT debate impactos sociais e ambientais da inteligência artificial
Published
7 horas agoon
15 de junho de 2026By
Da Redação
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta segunda-feira (15), mais uma reunião do Grupo de Trabalho (GT) responsável por acompanhar, promover estudos e propor medidas relacionadas à implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). A principal pauta do encontro foi a palestra “O custo social e ambiental da Inteligência Artificial diante dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU”, ministrada pelo advogado, biólogo e mestrando em Política Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Luiz Felipe Goffi Portela.
Participaram da reunião o presidente do GT, André Luis Rufino, a relatora Clara Vaz e o secretário José Carlos Bazan. O debate abordou os impactos da crescente utilização da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho, o consumo de energia e água, além dos desafios relacionados à desigualdade social e aos vieses presentes nos sistemas tecnológicos.
Durante a palestra, Luiz Felipe Goffi Portela destacou a necessidade de ampliar o debate sobre a inteligência artificial para além dos benefícios normalmente divulgados pelas grandes empresas de tecnologia.
“É importante que nós tenhamos uma discussão além da publicidade e dessa magia que é vendida por essas empresas. Precisamos entender o que existe por trás dessa tecnologia e quais são os impactos que ela gera para a sociedade”, afirmou.
Segundo o palestrante, a inteligência artificial depende de uma enorme estrutura física e humana para funcionar. Ele explicou que os sistemas utilizam grandes volumes de dados, demandam equipamentos de alta capacidade e consomem grandes quantidades de energia e água por meio dos data centers.
Foto: Hideraldo Costa/ALMT
“Quando falamos em nuvem, muitas pessoas imaginam algo abstrato, mas essa nuvem é formada por data centers espalhados pelo mundo. Existe uma estrutura física gigantesca sustentando esses sistemas, e isso tem custos ambientais e sociais que muitas vezes não aparecem para o usuário final”, observou.
Outro ponto destacado foi o impacto da inteligência artificial sobre o trabalho. De acordo com o especialista, parte da tecnologia é alimentada por trabalhadores que realizam tarefas repetitivas e pouco valorizadas, muitas vezes em países em desenvolvimento.
“A inteligência artificial não aprende de forma mágica. Ela depende de milhões de dados que são organizados e tratados por pessoas. Muitas dessas atividades são mal remuneradas e não geram qualificação profissional para quem as executa”, explicou.
Na área ambiental, Portela alertou para o elevado consumo de recursos naturais necessários para manter os data centers em funcionamento.
“Essas estruturas possuem uma pegada hídrica muito forte. São bilhões de litros de água utilizados para resfriar os equipamentos, além de uma demanda crescente por energia elétrica. Precisamos avaliar quais são os benefícios que essas instalações deixam para as comunidades onde são implantadas”, afirmou.
A relatora do GT, Clara Vaz, chamou atenção para a necessidade de refletir sobre formas de reduzir os impactos gerados pelo uso crescente da inteligência artificial.
“Quando discutimos desenvolvimento sustentável, o objetivo é justamente reduzir os impactos sociais, econômicos e ambientais. Diante desse cenário, precisamos refletir sobre o uso consciente da inteligência artificial e sobre mecanismos que possam minimizar esses efeitos”, destacou.
Ao responder aos questionamentos da relatora, Luiz Felipe afirmou que a inteligência artificial já está integrada a diversas atividades do cotidiano e dificilmente deixará de ser utilizada. Para ele, o caminho passa pela conscientização e pela criação de regras que garantam um desenvolvimento mais equilibrado da tecnologia.
“Não acredito que seja possível simplesmente parar de usar a inteligência artificial. O principal é compreender os impactos gerados por essa tecnologia e avançar no debate sobre formas de regulação que permitam um uso mais sustentável e responsável”, defendeu.
Durante a palestra, Luiz Felipe Goffi Portela também chamou atenção para os riscos relacionados às bases de dados utilizadas para treinar os sistemas de inteligência artificial. Segundo ele, como essas tecnologias aprendem a partir de informações produzidas pela própria sociedade, acabam reproduzindo preconceitos e desigualdades já existentes.
“O problema é que a inteligência artificial não cria conhecimento sozinha. Ela aprende com os dados que recebe. Se a sociedade produz desigualdades e preconceitos, esses padrões também podem aparecer nos sistemas”, explicou.
O palestrante apresentou exemplos de pesquisas internacionais que apontam falhas em sistemas de reconhecimento facial, especialmente na identificação de pessoas negras. Segundo ele, estudos demonstram taxas de erro significativamente maiores quando a tecnologia é aplicada a mulheres negras em comparação com homens brancos.
Portela também destacou casos já registrados no Brasil em que cidadãos foram abordados ou detidos injustamente após erros em sistemas automatizados de reconhecimento facial.
“Quando um sistema erra, precisamos discutir quem será responsabilizado por esse erro e quais mecanismos de fiscalização existem para evitar que a tecnologia prejudique a vida das pessoas”, alertou.
Outro exemplo apresentado envolveu a geração de imagens por inteligência artificial. O pesquisador demonstrou que, ao solicitar imagens de pessoas em determinadas profissões ou condições sociais, os sistemas tendem a reproduzir estereótipos raciais e econômicos presentes nos bancos de dados utilizados para o treinamento das plataformas.
Para ele, o avanço da inteligência artificial exige transparência, auditorias independentes e mecanismos de controle social capazes de identificar possíveis vieses discriminatórios.
“A tecnologia não é neutra. Ela reflete os dados que recebe e as escolhas feitas durante seu desenvolvimento. Por isso, é fundamental que haja fiscalização e acompanhamento desses sistemas”, afirmou.
Além de apresentar os impactos sociais, ambientais e econômicos da inteligência artificial, o palestrante também sugeriu possíveis frentes de atuação para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Entre elas, a criação de mecanismos de acompanhamento e fiscalização da implantação de sistemas de inteligência artificial utilizados pelo poder público, especialmente nas áreas de segurança, reconhecimento facial e prestação de serviços à população.
O palestrante defendeu ainda a realização de auditorias independentes em sistemas automatizados, o fortalecimento da transparência no uso de algoritmos e a ampliação do debate sobre a regulação da inteligência artificial, de forma a garantir que a inovação tecnológica esteja alinhada à proteção dos direitos fundamentais e aos princípios da Agenda 2030.
Segundo ele, a participação do Poder Legislativo é fundamental para avaliar os impactos dessas tecnologias antes de sua adoção em larga escala.
“Faz parte do papel da Assembleia pensar como esse uso será construído e fiscalizar de fato esses sistemas. Muitas vezes se observa apenas o resultado apresentado pela tecnologia, mas é preciso também avaliar os erros e os impactos que podem atingir a população”, destacou.
O presidente do Grupo de Trabalho, André Luis Rufino, destacou que o debate contribui diretamente para os trabalhos desenvolvidos pela ALMT em torno da Agenda 2030 e poderá subsidiar futuras iniciativas legislativas.
“Essa discussão é extremamente importante porque a inteligência artificial já está presente no cotidiano das pessoas e na administração pública. O Grupo de Trabalho, criado por iniciativa do deputado estadual Wilson Santos (PSD), tem justamente a missão de estudar esses temas, identificar desafios e buscar caminhos para que Mato Grosso avance de forma sustentável. As sugestões apresentadas durante a palestra serão analisadas e poderão subsidiar indicações, propostas legislativas e outras medidas que venham a ser discutidas e tramitadas na Assembleia Legislativa”, pontuou André Luis.
Fonte: ALMT – MT
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