O prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), engrossou o coro de insatisfação dentro do Partido Liberal em Mato Grosso e declarou publicamente ser contrário à aliança firmada entre a direção nacional da legenda e o MDB para as eleições de 2026. Assim como o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), Ferreira afirmou que não apoia o projeto político liderado pelo MDB no Estado.
Em publicação nas redes sociais, o prefeito de Rondonópolis criticou a composição articulada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que prevê a participação da deputada estadual Janaína Riva (MDB) como candidata ao Senado na chapa encabeçada pelo senador Wellington Fagundes (PL).
“Não apoio o projeto político liderado pelo MDB em Mato Grosso. Com muito esforço, vencemos aqui em Rondonópolis o MDB do Bezerra, Riva, Thiago Silva, Emanuel Pinheiro e etc. Segundo o próprio Bezerra, eles mandaram por mais de 40 anos em nosso município. Particularmente, não concordo com o projeto político do MDB para a nossa cidade, nosso querido MT e para o Brasil”, escreveu.
Cláudio Ferreira também classificou a aproximação entre as duas siglas como incompatível com os princípios que defende.
“A aliança do novo PL com o MDB em Mato Grosso é uma total incoerência, não representa absolutamente nada do propósito que busco na vida pública. Sigo firme com Flávio Bolsonaro para presidente e Medeiros para o Senado”, afirmou.
O posicionamento amplia a crise interna no PL, iniciada após o anúncio da composição entre o Partido Liberal e o MDB. No domingo (2), o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, declarou que prefere ser expulso da legenda a apoiar Janaína Riva.
A aliança foi costurada pela direção nacional do PL e prevê que Wellington Fagundes dispute o Governo do Estado, tendo José Medeiros (PL) e Janaína Riva (MDB) como candidatos ao Senado.
Segundo informações divulgadas nos bastidores políticos, o acordo também teria estabelecido que filiados do PL evitassem críticas públicas ao MDB e à candidatura de Janaína. No entanto, as manifestações de Abilio Brunini e Cláudio Ferreira evidenciam resistência de importantes lideranças bolsonaristas do partido em Mato Grosso.
Antes mesmo da formalização da aliança, Cláudio Ferreira já havia declarado apoio ao projeto político do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), demonstrando divergência em relação à estratégia adotada pela direção nacional do PL.
As manifestações públicas dos dois prefeitos aprofundam o racha interno na legenda em Mato Grosso, às vésperas da oficialização das chapas para as eleições de 2026.
O pré-candidato ao Senado por Mato Grosso, Antônio Galvan (Avante), evitou comentar nesta segunda-feira (3) as articulações que envolvem a formação das chapas para as eleições de 2026. Em entrevista ao Jornal da CBN Cuiabá, ele afirmou que aguardará a conclusão das convenções partidárias antes de se posicionar sobre a possível composição entre PL, MDB e outras siglas.
Questionado sobre a eventual confirmação de José Medeiros (PL) e Janaína Riva (MDB) como candidatos ao Senado na chapa liderada pelo senador Wellington Fagundes (PL), Galvan descartou fazer qualquer avaliação neste momento.
“Eu não entro nessa discussão da política ping-pong. Uma hora está aqui, outra hora está ali. Na quinta-feira, quando estiver tudo consolidado, quem é quem e onde cada um vai estar, eu vou me manifestar sobre esse assunto”, afirmou.
Segundo o pré-candidato, o cenário político ainda é marcado por mudanças constantes, o que, na avaliação dele, impede qualquer análise definitiva antes do encerramento das convenções.
“O que o político fala de manhã já muda ao meio-dia. O que fala ao meio-dia já muda à tarde. Vamos deixar consolidar para depois definir o que pode ser falado sobre esse assunto”, acrescentou.
Durante a entrevista, Galvan também voltou a fazer críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu a responsabilização de ministros da Corte. Ao responder perguntas sobre sua posição em relação ao Judiciário, afirmou discordar das decisões envolvendo os atos de 8 de Janeiro e do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O pré-candidato citou ainda o caso de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, que morreu enquanto estava preso preventivamente por envolvimento nos atos de 8 de janeiro, e questionou decisões tomadas pelo STF.
Galvan também criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que há denúncias envolvendo diferentes ministérios e voltou a defender a instalação de investigações relacionadas às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Ao final da entrevista, ao ser questionado sobre investigações envolvendo integrantes da família Bolsonaro, Galvan respondeu que também deveriam ser discutidos casos envolvendo integrantes do governo federal e afirmou que eventuais irregularidades devem ser apuradas pela Justiça.
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