Política MT
ALMT leva projeto “Educação Legislativa em Movimento” à Escola Cesário Neto
Publicado em
23 de maio de 2025por
Da Redação
A Secretaria de Escola e Memória do Legislativo, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta quinta (22) e sexta-feira (23), um ciclo de palestras do projeto “Educação Legislativa em Movimento”, na Escola Cesário Neto, em Cuiabá.
O projeto tem como missão aproximar o Parlamento da sociedade, promovendo ações educativas e interativas com os jovens valorizando o papel da Assembleia Legislativa na construção da cidadania, e tem como público-alvo estudantes do ensino médio. Foram apresentadas aos alunos a História do Legislativo, palestras sobre política, cidadania e empreendedorismo, dicas para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), prevenção à violência, combate às drogas, oficinas temáticas e exposições.
“O projeto visa aproximar a Assembleia da sociedade, levando o Parlamento para dentro das escolas. São palestras simultâneas, o público-alvo é toda a escola, mas a gente está focando no 9º ano ao 3º ano”, revelou a coordenadora do projeto, Adriane Silva.
Para o diretor da Escola Estadual Cesário Neto, Wágner Mônantah, o projeto é importante para as escolas públicas de Mato Grosso, e destaca a parceria com o Poder Legislativo.
“Nós temos sempre muita colaboração por parte da Assembleia dos movimentos que propomos aqui na escola. Nós temos uma sala de Educação e Jovens e Adultos funcionando dentro da própria sede da Assembleia Legislativa (na Escola do legislativo) que acolhe os nossos estudantes e contribui para essa formação da educação de jovens e adultos. O ciclo de palestras apresenta uma programação que dimensiona os trabalhos já executados em sala de aula”, disse Mônantah.
Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
O diretor lembrou também que a Escola Cesário Neto trabalha com o empreendedorismo. “Nós temos alunos da educação de jovens e adultos que são empreendedores, que precisam de uma atenção, de um olhar, de uma comunicação assertiva e que incentive também os estudantes a continuarem produzindo e construindo saberes que movimentam essa organização de trabalho que eles já têm construída e que, às vezes, a escola não consegue contemplar isso na íntegra”, colocou ele.
“Abraçamos o projeto quando nós fomos requisitados para aceitar essa iniciativa. A Escola do Legislativo conseguiu colocar as demandas que nós temos. O projeto casava exatamente com as problemáticas que temos. Então, para nós, é viável projetos que consigam abraçar as especificidades da Cesáreo Neto, que é uma escola que trabalha a educação de jovens e adultos, ensino regular e ensino médio” destacou Mônantah.
O servidor da ALMT, Gabriel Lucas, palestrou sobre “Política e Cidadania” falando aos alunos sobre o funcionamento do Poder Legislativo e o trabalho desenvolvido pelos deputados.
“Estou muito honrado de poder participar do projeto, falando um pouco sobre política e cidadania. É uma fala bem leve, até porque os alunos são jovens, então a gente conceitualiza de um jeito prático. Através dessa dinâmica, a gente mostra para eles que eles estão discutindo com os amigos, estão fazendo uma política real, no dia a dia. Então a gente tenta trazer esse conceito de que a política acontece a todo momento na vida das pessoas”, comentou Lucas.
A professora de Língua Portuguesa e palestrante de “competência de redação para o Enem”, Talita Cristina Figueiredo, disse que o projeto tem conteúdo pedagógico que pode ajudar os estudantes com a prova de redação.
“A redação do Enem às vezes assusta os alunos porque eles não sabem como proceder, o que vai ser avaliado, o que tem que ter na redação, o que não pode ter. Então, a gente traz para eles essas informações. Também falamos as cinco competências do Enem que o corretor avalia, o que pode escrever, o que leva nota zero, o que o aluno tem que evitar. Trazemos essas informações básicas, explicando como é feita a correção, o que contribui para o estudante ficar mais tranquilo com a redação”, esclareceu ela.
Para a aluna da Educação Jovens e Adultos (EJA), Maria de Fátima Barros, aprovou o projeto. “Foi muito importante para todos nós. É uma aprendizagem única. Todas as palestras que assisti até agora foram boas e gostei de todas elas. Ficamos atentos para ganhar mais experiência e sabedoria”, disse ela.
Projeto – De acordo com o cronograma da Escola do Legislativo, o projeto visitará duas escolas por mês, uma no interior e uma na capital. “Por enquanto, vamos trabalhar com foco na capital. Se a escola quiser participar, ela pode requisitar a visita por meio da Escola do Legislativo”, explicou Adriane. Para mais informações, o telefone da Escola é o (65) 3313-6930.
O projeto é incluído no calendário do Plano Pedagógico Anual (PPA)( da Escola do Legislativo em conformidade à Resolução N° 4.462 de 20.04.2016, publicada no Diário Oficial de 25.04.2016 que dispõe sobre a criação do Programa Estudante Cidadão, no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso.
Cesário Neto – Localizada no bairro Bandeirantes, em Cuiabá, a Escola Cesário Neto tem 1200 estudantes e conta com estrutura completa de ensino nos períodos matutino, vespertino e noturno.
Fonte: ALMT – MT
Política MT
Grupo de Trabalho da ALMT debate impactos sociais e ambientais da inteligência artificial
Published
3 horas agoon
15 de junho de 2026By
Da Redação
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta segunda-feira (15), mais uma reunião do Grupo de Trabalho (GT) responsável por acompanhar, promover estudos e propor medidas relacionadas à implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). A principal pauta do encontro foi a palestra “O custo social e ambiental da Inteligência Artificial diante dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU”, ministrada pelo advogado, biólogo e mestrando em Política Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Luiz Felipe Goffi Portela.
Participaram da reunião o presidente do GT, André Luis Rufino, a relatora Clara Vaz e o secretário José Carlos Bazan. O debate abordou os impactos da crescente utilização da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho, o consumo de energia e água, além dos desafios relacionados à desigualdade social e aos vieses presentes nos sistemas tecnológicos.
Durante a palestra, Luiz Felipe Goffi Portela destacou a necessidade de ampliar o debate sobre a inteligência artificial para além dos benefícios normalmente divulgados pelas grandes empresas de tecnologia.
“É importante que nós tenhamos uma discussão além da publicidade e dessa magia que é vendida por essas empresas. Precisamos entender o que existe por trás dessa tecnologia e quais são os impactos que ela gera para a sociedade”, afirmou.
Segundo o palestrante, a inteligência artificial depende de uma enorme estrutura física e humana para funcionar. Ele explicou que os sistemas utilizam grandes volumes de dados, demandam equipamentos de alta capacidade e consomem grandes quantidades de energia e água por meio dos data centers.
Foto: Hideraldo Costa/ALMT
“Quando falamos em nuvem, muitas pessoas imaginam algo abstrato, mas essa nuvem é formada por data centers espalhados pelo mundo. Existe uma estrutura física gigantesca sustentando esses sistemas, e isso tem custos ambientais e sociais que muitas vezes não aparecem para o usuário final”, observou.
Outro ponto destacado foi o impacto da inteligência artificial sobre o trabalho. De acordo com o especialista, parte da tecnologia é alimentada por trabalhadores que realizam tarefas repetitivas e pouco valorizadas, muitas vezes em países em desenvolvimento.
“A inteligência artificial não aprende de forma mágica. Ela depende de milhões de dados que são organizados e tratados por pessoas. Muitas dessas atividades são mal remuneradas e não geram qualificação profissional para quem as executa”, explicou.
Na área ambiental, Portela alertou para o elevado consumo de recursos naturais necessários para manter os data centers em funcionamento.
“Essas estruturas possuem uma pegada hídrica muito forte. São bilhões de litros de água utilizados para resfriar os equipamentos, além de uma demanda crescente por energia elétrica. Precisamos avaliar quais são os benefícios que essas instalações deixam para as comunidades onde são implantadas”, afirmou.
A relatora do GT, Clara Vaz, chamou atenção para a necessidade de refletir sobre formas de reduzir os impactos gerados pelo uso crescente da inteligência artificial.
“Quando discutimos desenvolvimento sustentável, o objetivo é justamente reduzir os impactos sociais, econômicos e ambientais. Diante desse cenário, precisamos refletir sobre o uso consciente da inteligência artificial e sobre mecanismos que possam minimizar esses efeitos”, destacou.
Ao responder aos questionamentos da relatora, Luiz Felipe afirmou que a inteligência artificial já está integrada a diversas atividades do cotidiano e dificilmente deixará de ser utilizada. Para ele, o caminho passa pela conscientização e pela criação de regras que garantam um desenvolvimento mais equilibrado da tecnologia.
“Não acredito que seja possível simplesmente parar de usar a inteligência artificial. O principal é compreender os impactos gerados por essa tecnologia e avançar no debate sobre formas de regulação que permitam um uso mais sustentável e responsável”, defendeu.
Durante a palestra, Luiz Felipe Goffi Portela também chamou atenção para os riscos relacionados às bases de dados utilizadas para treinar os sistemas de inteligência artificial. Segundo ele, como essas tecnologias aprendem a partir de informações produzidas pela própria sociedade, acabam reproduzindo preconceitos e desigualdades já existentes.
“O problema é que a inteligência artificial não cria conhecimento sozinha. Ela aprende com os dados que recebe. Se a sociedade produz desigualdades e preconceitos, esses padrões também podem aparecer nos sistemas”, explicou.
O palestrante apresentou exemplos de pesquisas internacionais que apontam falhas em sistemas de reconhecimento facial, especialmente na identificação de pessoas negras. Segundo ele, estudos demonstram taxas de erro significativamente maiores quando a tecnologia é aplicada a mulheres negras em comparação com homens brancos.
Portela também destacou casos já registrados no Brasil em que cidadãos foram abordados ou detidos injustamente após erros em sistemas automatizados de reconhecimento facial.
“Quando um sistema erra, precisamos discutir quem será responsabilizado por esse erro e quais mecanismos de fiscalização existem para evitar que a tecnologia prejudique a vida das pessoas”, alertou.
Outro exemplo apresentado envolveu a geração de imagens por inteligência artificial. O pesquisador demonstrou que, ao solicitar imagens de pessoas em determinadas profissões ou condições sociais, os sistemas tendem a reproduzir estereótipos raciais e econômicos presentes nos bancos de dados utilizados para o treinamento das plataformas.
Para ele, o avanço da inteligência artificial exige transparência, auditorias independentes e mecanismos de controle social capazes de identificar possíveis vieses discriminatórios.
“A tecnologia não é neutra. Ela reflete os dados que recebe e as escolhas feitas durante seu desenvolvimento. Por isso, é fundamental que haja fiscalização e acompanhamento desses sistemas”, afirmou.
Além de apresentar os impactos sociais, ambientais e econômicos da inteligência artificial, o palestrante também sugeriu possíveis frentes de atuação para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Entre elas, a criação de mecanismos de acompanhamento e fiscalização da implantação de sistemas de inteligência artificial utilizados pelo poder público, especialmente nas áreas de segurança, reconhecimento facial e prestação de serviços à população.
O palestrante defendeu ainda a realização de auditorias independentes em sistemas automatizados, o fortalecimento da transparência no uso de algoritmos e a ampliação do debate sobre a regulação da inteligência artificial, de forma a garantir que a inovação tecnológica esteja alinhada à proteção dos direitos fundamentais e aos princípios da Agenda 2030.
Segundo ele, a participação do Poder Legislativo é fundamental para avaliar os impactos dessas tecnologias antes de sua adoção em larga escala.
“Faz parte do papel da Assembleia pensar como esse uso será construído e fiscalizar de fato esses sistemas. Muitas vezes se observa apenas o resultado apresentado pela tecnologia, mas é preciso também avaliar os erros e os impactos que podem atingir a população”, destacou.
O presidente do Grupo de Trabalho, André Luis Rufino, destacou que o debate contribui diretamente para os trabalhos desenvolvidos pela ALMT em torno da Agenda 2030 e poderá subsidiar futuras iniciativas legislativas.
“Essa discussão é extremamente importante porque a inteligência artificial já está presente no cotidiano das pessoas e na administração pública. O Grupo de Trabalho, criado por iniciativa do deputado estadual Wilson Santos (PSD), tem justamente a missão de estudar esses temas, identificar desafios e buscar caminhos para que Mato Grosso avance de forma sustentável. As sugestões apresentadas durante a palestra serão analisadas e poderão subsidiar indicações, propostas legislativas e outras medidas que venham a ser discutidas e tramitadas na Assembleia Legislativa”, pontuou André Luis.
Fonte: ALMT – MT
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