VANDALISMO: Imagem de Santa tem cabeça quebrada em ponto histórico de Cuiabá
Arquidiocese reforça preocupação com intolerância religiosa

Uma imagem de Nossa Senhora Aparecida instalada sob a Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena, em Cuiabá, foi encontrada danificada na noite de sexta-feira (25). A escultura teve a cabeça quebrada, e o registro do estado do monumento passou a circular nas redes sociais no sábado (26).
A Cruz do Chilão é um dos pontos associados à religiosidade popular e à memória histórica da Capital. O local fica entre as ruas Luiz Carlos Pinheiro e Tenente Eulálio Guerra e reúne referências da tradição católica e da cultura de matriz africana.
A Arquidiocese de Cuiabá se manifestou sobre o episódio e condenou a depredação. A instituição também defendeu a apuração do caso e a identificação dos responsáveis.
Até o momento, não há informação oficial que estabeleça relação entre o vandalismo e a disputa eleitoral envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Também não havia, nas informações divulgadas sobre o caso, identificação do responsável pela depredação.
Vandalismo ocorre durante disputa eleitoral nas redes sociais
A depredação ocorreu em meio a uma controvérsia que ganhou força nas redes sociais durante a campanha eleitoral de 2026. Publicações passaram a associar o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma proposta que alteraria o título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.
O projeto, no entanto, não foi apresentado por Flávio Bolsonaro.
A proposta que deu origem à discussão é o Projeto de Lei 2.623/2007, de autoria do então deputado federal por Mato Grosso Professor Victório Galli, que na época era filiado ao PMDB. O texto propunha alterar a Lei nº 6.802/1980 e substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
O projeto foi rejeitado na Comissão de Educação e Cultura e posteriormente arquivado em agosto de 2008.
A campanha de Flávio Bolsonaro contestou nas redes sociais a associação do candidato ao projeto e recorreu à Justiça Eleitoral.
Caso chegou ao TSE e ao STF
A controvérsia também provocou decisões judiciais. Na última sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), havia determinado a retirada de publicações relacionadas ao tema após pedido apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, a defesa do candidato alegou que as publicações continham informação falsa e poderiam interferir na formação da vontade do eleitor. A determinação alcançou mais de mil publicações.
No domingo (27), porém, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a decisão em um caso apresentado pelo humorista Antonio Tabet e determinou o restabelecimento da publicação. A decisão também alcançou conteúdos removidos com base no mesmo fundamento.
Dino argumentou que a retirada das publicações exigiria cautela diante da proteção constitucional à liberdade de expressão e ao debate político durante o período eleitoral.
Arquidiocese reforça preocupação com intolerância religiosa
Em meio à repercussão, a Arquidiocese de Cuiabá também chamou atenção para a proteção constitucional à liberdade religiosa e para a necessidade de respeito às diferentes manifestações de fé.
A instituição destacou que atos de intolerância, discriminação ou violência motivados por religião podem ter consequências previstas na legislação.
No caso da Cruz do Chilão, entretanto, não há confirmação de que a depredação tenha sido motivada pela controvérsia eleitoral envolvendo Nossa Senhora Aparecida.
A identificação do responsável e a eventual motivação do ataque dependem da apuração das autoridades.
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