Trump critica eleição brasileira, cita queda do mercado e evita reconhecer vitória de Lula
Presidente dos EUA afirma que não tomou partido após pedido do petista, evita reconhecer diretamente o resultado e cita queda do mercado financeiro brasileiro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar as eleições presidenciais brasileiras nesta quinta-feira (29) e classificou o resultado como uma “grande vergonha para o povo do Brasil”. O republicano afirmou que pretende conversar com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no último domingo (25), mas evitou responder diretamente se reconhece a vitória do petista.
Questionado por jornalistas sobre a eleição, Trump declarou que acompanhou a disputa e não tomou partido, alegando que Lula teria pedido que ele mantivesse essa postura.
“Eu assisti à eleição. Não tomei partido. Deixei como estava. Fui orientado a não tomar partido pelo presidente, o atual presidente”, afirmou.
Na sequência, o presidente americano voltou a criticar o processo eleitoral e mencionou o comportamento do mercado financeiro brasileiro como argumento para sua avaliação.
“Mas quando vi o que aconteceu no Brasil, foi uma desgraça. Bem, o mercado diz isso. Quer dizer, o mercado deles despencou. Achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil”, declarou.
As afirmações foram feitas após Trump ser questionado sobre o reconhecimento do resultado e sobre quem considera o vencedor legítimo da disputa. Ele não respondeu diretamente a essas perguntas. Até a publicação das declarações, os Estados Unidos não haviam anunciado formalmente o reconhecimento da vitória de Lula, segundo relatos da imprensa.
Trump volta a levantar questionamentos sem apresentar provas
As novas declarações ampliam as críticas feitas pelo presidente americano nos últimos dias. Em 26 de outubro, Trump afirmou que a eleição brasileira parecia ter sido fraudada e questionou aspectos da contagem dos votos e a extensão do horário de votação, sem apresentar provas que sustentassem as suspeitas.
O resultado oficial divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a reeleição de Lula, com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%.
Até o momento, as declarações de Trump não vieram acompanhadas de evidências que comprovem fraude eleitoral. A reação do mercado financeiro, citada pelo presidente americano, também não constitui, por si só, prova de irregularidade na votação.
Lula disse ter pedido que Trump não interferisse
Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, em setembro, Lula afirmou que Trump havia comunicado a intenção de não interferir nas eleições brasileiras.
Na ocasião, o presidente brasileiro defendeu que cada país respeitasse a autonomia do processo eleitoral do outro e relatou ter conversado com o republicano sobre a importância de preservar a relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos.
“É muito importante que os Estados Unidos não se metam nas eleições do Brasil”, declarou Lula, segundo a entrevista reproduzida no material original.
O petista também afirmou que o Brasil mantém uma relação histórica com os Estados Unidos e que a não interferência seria importante para preservar os vínculos entre os dois países.
A declaração de Trump nesta quinta-feira coincide com a versão de que Lula teria pedido neutralidade durante a campanha. Entretanto, o presidente americano não apresentou detalhes sobre quando o pedido teria ocorrido nem forneceu informações adicionais sobre a conversa.
Abin alertou para possível pressão americana
O texto também menciona um relatório atribuído à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), enviado no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral.
Segundo as informações reproduzidas, o documento alertava para a possibilidade de influência dos Estados Unidos no pleito brasileiro e apontava elevação do nível de criticidade. A análise teria citado documentos do governo americano produzidos entre novembro de 2025 e maio de 2026, indicando uma tendência de intensificação da pressão sobre o Brasil.
O conteúdo do relatório, conforme descrito, trata de riscos e avaliações de inteligência. Ele não comprova, isoladamente, que tenha ocorrido interferência efetiva na votação.
As declarações de Trump, os alertas atribuídos à Abin e a posição manifestada anteriormente por Lula colocam a relação entre Brasília e Washington no centro do debate após a eleição. Uma eventual escalada diplomática dependerá dos próximos posicionamentos dos dois governos e das medidas que venham a ser anunciadas oficialmente.
Fontes: declarações de Donald Trump a jornalistas em 29 de outubro; Tribunal Superior Eleitoral; entrevista de Lula à CNN; informações publicadas pela imprensa sobre o relatório atribuído à Abin.
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