Suspeitos de aplicar golpes pela internet, influenciadora e mais três suspeitos são presos em MT
Investigação apura suspeita de golpes virtuais e lavagem de dinheiro; prejuízo das vítimas identificadas chega a R$ 414 mil

Uma influenciadora identificada como Aryadna e outros três suspeitos foram presos preventivamente nesta quinta-feira (29), durante a segunda fase da Operação Rede Oculta, que investiga um esquema de fraudes eletrônicas e suspeita de lavagem de dinheiro. Um quinto investigado ainda não havia sido localizado e era considerado foragido, conforme informações da Polícia.
Segundo a investigação, as apurações também levaram em consideração o padrão de vida exibido pela influenciadora nas redes sociais, considerado pelos investigadores incompatível com a renda declarada. A avaliação integra os elementos levantados durante o trabalho policial, mas não representa, por si só, comprovação de crime.
Além de Aryadna, foram presos o namorado dela, de 26 anos, uma mulher de 35 anos, moradora do bairro São Benedito, em Várzea Grande, e o marido dessa mulher, de 41 anos. Conforme a Polícia, o último já havia sido preso anteriormente por suspeita de envolvimento em fraudes eletrônicas, conseguiu a liberdade e voltou a ser preso nesta quinta-feira. Os nomes dos demais alvos não foram divulgados no material consultado.
Como funcionaria o esquema investigado
A operação cumpre 20 ordens judiciais expedidas pelo Núcleo do Juízo das Garantias da Regional 1 de Cuiabá contra cinco investigados. São cinco mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão domiciliar, sequestro de veículos e quebra de sigilo telemático dos aparelhos apreendidos.
De acordo com a apuração policial, as vítimas eram abordadas pela internet, por meio de redes sociais e plataformas de compra e venda. Entre as modalidades investigadas estão falsos anúncios de veículos, o golpe do falso parente e o do falso funcionário de banco.
Os valores transferidos via Pix seriam fracionados entre contas de terceiros, em quantias inferiores a R$ 10 mil, e posteriormente concentrados em uma das pessoas investigadas, que faria a redistribuição dos recursos. A suspeita é de que parte do dinheiro tenha sido convertida em veículos de alto valor e joias, exibidos nas redes sociais.
O prejuízo das vítimas já identificadas soma R$ 414.093. Há registros de pessoas lesadas em Mato Grosso e em outros estados, incluindo Rio de Janeiro e Pará.
Veículo é sequestrado e celulares serão periciados
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foi sequestrado um Toyota Corolla Cross híbrido registrado em nome de terceiro, mas que, segundo a investigação, seria utilizado pelos suspeitos.
Os celulares apreendidos deverão passar por extração de dados, conforme autorização judicial. O material poderá auxiliar na análise das comunicações, das movimentações financeiras e da possível participação dos investigados nas fraudes.
Primeira fase começou em 2024
A primeira fase da Operação Rede Oculta foi deflagrada em 27 de maio de 2024, com o cumprimento de 30 ordens judiciais contra 15 investigados em Cuiabá e Várzea Grande. Na ocasião, foram apreendidos bens e aparelhos celulares, incluindo um Jeep Compass avaliado em aproximadamente R$ 153 mil.
As investigações começaram em 2023, após denúncias anônimas. Segundo a Polícia, a análise dos materiais apreendidos na primeira etapa, de laudos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e de dados financeiros obtidos mediante autorização judicial permitiu aprofundar a apuração e identificar novos elementos sobre a atuação dos investigados.
O caso segue sob investigação. As suspeitas deverão ser esclarecidas ao longo do procedimento, e os investigados têm direito à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.
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