Professora defende mais escolas cívico-militares e mulheres nos espaços de poder
“Não sou feminista, sou feminina. Nós auxiliamos os homens, mas agora não queremos ser apenas auxiliares. Queremos participar efetivamente e estar nos lugares de poder”, declarou.

Com quase três décadas de atuação na educação pública, a Professora Mazé, candidata a deputada estadual pelo PL em Mato Grosso, defende a expansão do modelo cívico-militar na rede estadual e uma maior participação das mulheres nos espaços de decisão política.
Maria José de Oliveira Arruda é candidata à Assembleia Legislativa pelo PL, com o número 22322. Segundo dados públicos da Justiça Eleitoral, sua candidatura foi deferida.
Formada em Letras pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com mestrado e doutorado em Educação, Mazé construiu sua trajetória profissional na rede pública de ensino. Atualmente, atua no Colégio Estadual Militar Presidente Médici.
Escolas cívico-militares
Entre os principais pontos defendidos pela candidata está a ampliação das escolas cívico-militares em Mato Grosso.
Ao falar sobre o modelo, Mazé afirma que disciplina, organização e respeito aos professores são elementos que, na avaliação dela, contribuem para o ambiente de aprendizagem.
“Se não houver ordem em uma escola, se o professor não for respeitado e não existir uma organização eficaz, o conhecimento não acontece. A escola é um lugar para obter conhecimento científico, educar para a vida e preparar para o mercado de trabalho”, afirmou.
Para a professora, a atuação de profissionais responsáveis pela disciplina e pelo acompanhamento dos estudantes também pode permitir que os educadores concentrem esforços na atividade pedagógica.
Mazé relaciona ainda o tema às condições de trabalho dos professores. Segundo ela, o profissional da educação enfrenta não apenas os desafios dentro da sala de aula, mas também conflitos durante os intervalos e situações familiares que acabam refletindo no comportamento dos alunos.
“O professor hoje está adoecido. Na sala, ele cuida de 30 alunos, mas também existem os conflitos no recreio e os problemas que os estudantes trazem de casa. Um aparato de pessoas qualificadas para oferecer esse suporte seria muito importante”, declarou.
A candidata defende que os resultados observados nos colégios militares e cívico-militares sejam considerados na discussão sobre a expansão do modelo.
“Eu acredito porque é um modelo que tem dado certo. Os resultados são positivos”, afirmou.
Alfabetização como prioridade
Além da discussão sobre disciplina e organização escolar, Mazé coloca a alfabetização entre as prioridades para a educação pública.
Na avaliação da professora, as dificuldades de aprendizagem precisam ser analisadas levando em consideração não apenas o desempenho do estudante em sala de aula, mas também fatores familiares, sociais e relacionados ao acesso à escola.
“Precisamos entender por que esse aluno não aprende. Se é uma questão da família, se não tem auxílio, se vive em um ambiente tóxico ou se possui algum problema de acesso à escola. Tudo tem que ser medido”, declarou.
Ela também defende maior integração entre Estado e municípios para enfrentar problemas de alfabetização, especialmente porque as primeiras etapas da formação escolar estão sob responsabilidade municipal.
Recursos e tecnologia
A candidata afirma ainda que pretende fiscalizar a aplicação dos recursos destinados à educação.
“A minha meta é fazer com que o dinheiro da educação volte para a educação da maneira mais eficaz e não seja desviado”, disse.
Outro ponto abordado por Mazé foi o uso de tecnologia nas escolas. Ela avalia que equipamentos como celulares e Chromebooks podem ser ferramentas pedagógicas, desde que utilizados de maneira adequada.
Segundo a professora, parte dos estudantes utiliza os dispositivos para acessar conteúdos que não estão relacionados às atividades escolares. Ela também defende maior preparação dos profissionais da educação para trabalhar com as novas tecnologias.
“O professor não está preparado para lidar com essa tecnologia de maneira que ensine e cative o aluno. Isso passa também pela formação oferecida pelas universidades”, afirmou.
Mulheres querem espaço de decisão
Na política, Mazé defende uma participação feminina que vá além do cumprimento das cotas partidárias.
A candidata afirma que as mulheres precisam ocupar efetivamente espaços de decisão e não permanecer apenas em funções consideradas auxiliares.
“Não sou feminista, sou feminina. Nós auxiliamos os homens, mas agora não queremos ser apenas auxiliares. Queremos participar efetivamente e estar nos lugares de poder”, declarou.
Mazé também se apresenta como uma mulher conservadora e relaciona sua trajetória pessoal à defesa de maior participação feminina na política.
“Eu sou uma mulher conservadora e vim de um lugar muito distante para chegar aonde cheguei. Sou candidata, estou na concorrência e tenho possibilidades”, afirmou.
A candidata também questiona a forma como a participação das mulheres é tratada dentro das estruturas partidárias e defende que a presença feminina resulte efetivamente em ocupação de espaços políticos.
Com a educação como principal área de atuação, Mazé tenta levar para a disputa eleitoral temas ligados à rotina das escolas, como alfabetização, disciplina, tecnologia, valorização dos professores e segurança no ambiente escolar. Ao mesmo tempo, coloca a presença das mulheres nos espaços de poder como uma das bandeiras de sua candidatura.
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