Oposição anuncia pedidos de impeachment de Zanin após prorrogação da votação
Rogério Marinho, Jorge Seif e Marcel van Hattem contestam decisão do ministro do STF; parlamentares alegam interferência no processo eleitoral e questionam a competência para ampliar o horário de votação

Integrantes da oposição no Congresso Nacional anunciaram que pretendem apresentar pedidos de impeachment contra o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a decisão que prorrogou o horário de votação do segundo turno das eleições presidenciais de domingo (25) até as 19h. A medida provocou reação de aliados do candidato Flávio Bolsonaro (PL), que questionaram a legalidade e o momento em que a determinação foi anunciada.
A decisão foi tomada após um pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que relatou dificuldades no transporte público em diferentes localidades. Inicialmente, Zanin determinou a extensão do horário em todo o país. Posteriormente, esclareceu que a medida valeria somente para as seções eleitorais que ainda não haviam encerrado a votação, sem reabertura das urnas já fechadas. <Cite refs={["turn958242search2","turn958242search3"]}/>
Coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN) classificou a decisão como “intempestiva” e acusou o ministro de interferir no processo eleitoral.
Em manifestação nas redes sociais, Marinho afirmou que a medida teria sido adotada para “tumultuar o processo de uma eleição que eles já perderam no voto”. A declaração representa a avaliação do parlamentar sobre a decisão judicial.
Marcel van Hattem anuncia pedido
O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), eleito senador, anunciou que pretende protocolar um pedido de impeachment contra Zanin. Ele questiona a competência do ministro para determinar a prorrogação depois do horário oficial de encerramento da votação.
“Protocolarei impeachment de Zanin por atuação desidiosa!”, escreveu o parlamentar nas redes sociais. Van Hattem também alegou haver indícios de suspeição em razão da atuação anterior de Zanin como advogado de Lula.
As declarações integram a reação política à decisão. Eventual responsabilização do ministro depende de análise jurídica e do andamento formal de um pedido pelas instâncias competentes.
Jorge Seif também cobra afastamento
O senador Jorge Seif (PL-SC) afirmou ter determinado à equipe que preparasse um pedido de impeachment contra o ministro. Em publicação nas redes sociais, ele questionou a ampliação do horário depois das 17h e destacou a relação profissional anterior de Zanin com o presidente Lula.
Até o momento descrito nas manifestações divulgadas, os parlamentares anunciavam a preparação ou a intenção de protocolar os pedidos. O anúncio, por si só, não significa que o processo de impeachment tenha sido formalmente aberto.
Nikolas Ferreira e Pablo Marçal questionam o cenário eleitoral
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também criticou a prorrogação. Para ele, a medida poderia beneficiar o candidato que estivesse em desvantagem na disputa. O parlamentar questionou o argumento relacionado às dificuldades de transporte público e afirmou que a decisão poderia ter impacto no resultado.
O empresário Pablo Marçal, por sua vez, levantou dúvidas sobre a diferença entre as pesquisas eleitorais e o resultado das urnas. Suas declarações expressam questionamentos políticos, mas não constituem, por si só, evidência de irregularidade na apuração.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a votação continuaria apenas nos locais em que as seções ainda estavam abertas. Os votos de urnas já encerradas seriam computados normalmente, e a totalização seria retomada após o horário estabelecido.
A decisão gerou questionamentos sobre a competência para determinar a mudança, a comunicação aos tribunais regionais e o momento em que a ordem foi divulgada. A imprensa também relatou críticas à condução do episódio por integrantes das duas cortes.
A oposição defende que a atuação do ministro seja examinada. Já a justificativa apresentada para a prorrogação foi a necessidade de assegurar o direito de voto a eleitores que enfrentaram dificuldades de deslocamento.
A controvérsia poderá resultar em iniciativas políticas e questionamentos jurídicos. A existência de críticas ou de um pedido de impeachment, contudo, não comprova automaticamente irregularidade nem determina o afastamento do ministro.
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