“Melhor matéria”, escreveu Vorcaro sobre notícia de contrato com esposa de Moraes
Segundo a publicação que revelou as mensagens, Vorcaro telefonou para Lima poucos minutos depois de receber esse link.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro comemorou a publicação de uma reportagem sobre o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Em mensagem enviada ao então sócio Augusto Lima, em abril de 2025, Vorcaro classificou a publicação como a “melhor matéria” sobre o banco naquela semana.
A conversa foi identificada pela Polícia Federal (PF) durante a análise do celular de Vorcaro, segundo informações divulgadas pela imprensa. Na ocasião, Lima encaminhou ao banqueiro um link de uma reportagem do jornal O Globo sobre a contratação do escritório ligado à família do ministro.
“Melhor matéria que fizeram nossa na semana”, escreveu Vorcaro em resposta.
A reportagem revelou a relação contratual entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, que também envolve os dois filhos do ministro. O valor total previsto no contrato, de R$ 131 milhões, foi divulgado posteriormente.
Contrato previa R$ 131 milhões
De acordo com as informações divulgadas, o contrato previa pagamentos ao escritório de advocacia, mas teria sido interrompido após a prisão de Vorcaro. Dados obtidos por meio de quebras de sigilo no âmbito da CPI do Crime Organizado apontaram repasses de aproximadamente R$ 80 milhões à sociedade de advogados entre 2024 e 2025.
A diferença entre o valor previsto no contrato e os repasses identificados foi atribuída à interrupção do acordo. Os números, contudo, devem ser compreendidos conforme os documentos e as informações efetivamente divulgados pelas autoridades.
Na época em que a contratação veio a público, Viviane Barci de Moraes afirmou que consultou o marido, na condição de sócia-diretora do escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais relacionados à contratação, incluindo processos no STF sob relatoria do ministro ou julgamentos de interesse do possível cliente.
A existência do contrato, por si só, não comprova irregularidade. A avaliação jurídica depende das circunstâncias da contratação, dos serviços prestados, dos pagamentos realizados e de eventuais elementos apurados pelas autoridades.
Ex-sócio encaminhava reportagens a Vorcaro
As conversas também indicam que Augusto Lima enviava a Vorcaro outras notícias relacionadas ao cenário político e judicial. Entre elas, estava uma reportagem sobre uma decisão de março de 2025 envolvendo o arquivamento de uma investigação contra o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), relacionada aos atos de 8 de janeiro.
Segundo a publicação que revelou as mensagens, Vorcaro telefonou para Lima poucos minutos depois de receber esse link. No mês seguinte, os dois voltaram a conversar sobre uma reportagem, desta vez a respeito do contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes.
O conteúdo das mensagens oferece um registro das reações de Vorcaro às notícias compartilhadas pelo ex-sócio, mas não permite, isoladamente, concluir qual era o objetivo da contratação ou se houve interferência indevida em decisões judiciais.
O caso reúne questões relacionadas à contratação de serviços jurídicos, à transparência dos pagamentos e à eventual existência de conflitos de interesse, temas que dependem da análise de documentos e de apurações oficiais.



