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Domingo, 1 de novembro de 2026

Cidades

Mato Grosso registra índice de violência contra mulheres acima da média nacional, aponta DataSenado

Levantamento do DataSenado mostra que 33% das mato-grossenses já sofreram violência praticada por homens; 10% das vítimas ainda convivem com o agressor

Redação Assembleia News3 min de leitura
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Mato Grosso registra índice de violência contra mulheres acima da média nacional, aponta DataSenado

A violência contra a mulher continua sendo uma realidade preocupante em Mato Grosso, e os dados mostram que o perigo, muitas vezes, está dentro de casa. Segundo a 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado, maridos e companheiros são responsáveis por 59% dos casos de agressão relatados no estado.

O levantamento revela que uma em cada três mulheres mato-grossenses, o equivalente a 33% das entrevistadas, já sofreu algum tipo de agressão praticada por homens ao longo da vida. O percentual supera a média nacional, de 27%, e coloca Mato Grosso entre os estados com maiores índices registrados pela pesquisa.

Outro dado chama a atenção: 29% das entrevistadas afirmaram ter sofrido violência nos 12 meses anteriores à coleta das informações, indicando que as agressões permanecem presentes no cotidiano de muitas famílias.

Lei Maria da Penha e falta de confiança na proteção

Apesar da existência de mecanismos legais de proteção, apenas 23% das mulheres ouvidas em Mato Grosso acreditam que a Lei Maria da Penha oferece proteção efetiva contra a violência doméstica e familiar.

A pesquisa também aponta uma lacuna de informação: 70% das entrevistadas disseram conhecer pouco ou nada sobre o funcionamento da legislação.

A diferença entre o número de mulheres que relatam agressões e aquelas que reconhecem essas situações como violência doméstica também preocupa. Embora 29% tenham descrito episódios de violência no último ano, somente 14% identificaram espontaneamente essas experiências como violência doméstica.

O resultado evidencia a dificuldade de reconhecer determinadas formas de abuso, especialmente quando envolvem humilhações, ameaças, controle e violência psicológica.

Agressor dentro de casa e convivência após a violência

Os dados mostram que a violência frequentemente acontece em relações próximas. Em 59% dos relatos, o agressor era o marido ou companheiro da vítima.

Além disso, 10% das mulheres que sofreram violência disseram continuar convivendo com o agressor. Entre essas vítimas, 79% ainda dividem a mesma residência com o homem apontado como responsável pelas agressões.

A pesquisa também mostra que diferentes formas de violência podem ocorrer simultaneamente:

Violência psicológica: relatada por 88% das vítimas;

Violência física: mencionada por 84%;

Violência moral: registrada em 70% dos relatos;

Violência patrimonial: identificada por 40%;

Violência sexual: relatada por 25%.

O impacto também alcança pessoas próximas. Segundo o levantamento, 73% das mato-grossenses entrevistadas conhecem amigas, familiares ou vizinhas que já sofreram violência doméstica.

Pesquisa ouviu 810 mulheres em Mato Grosso

A 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher ouviu 21.641 brasileiras com 16 anos ou mais, entre maio e julho de 2025. Em Mato Grosso, foram realizadas 810 entrevistas presenciais e telefônicas.

Os resultados reforçam a importância de ampliar o acesso à informação, fortalecer a rede de atendimento e garantir que mulheres em situação de violência conheçam os mecanismos disponíveis para buscar proteção.

Como denunciar e buscar ajuda

Mulheres que enfrentam situações de violência podem procurar os seguintes canais:

Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, gratuita, para orientações, denúncias e encaminhamento aos serviços de proteção.

Polícia Militar, 190: para situações de emergência e risco imediato.

Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher: atendimento para registro de ocorrências e solicitação de medidas protetivas.

A violência doméstica não deve ser tratada como um problema particular do casal. Os números mostram que se trata de uma questão social que exige atenção das autoridades, informação e uma rede de proteção acessível às vítimas.

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