Cuiabá recebe a peça "O Motociclista no Globo da Morte", com Eduardo Moscovis em 02 de outubro
“O título surgiu como uma metáfora da iminência do desastre. Assim como no globo da morte, vivemos tentando nos desviar da catástrofe o tempo inteiro.” Em sua primeira parceria com Rodrigo Portella, Moscovis destaca: “Ele é um diretor-criador, que pensa a cena e o teatro de forma muito genuína e pot

Abordando os limites entre violência, civilidade e comportamento humano, o espetáculo teatral "O Motociclista no Globo da Morte", protagonizado pelo ator Eduardo Moscovis, chega Cuiabá no próximo dia 02 de outubro. Com texto do dramaturgo, diretor e ator Leonardo Netto e direção de Rodrigo Portella, a montagem será apresentada no Cine Teatro Cuiabá, em duas sessões, às 20h e às 22h, com ingressos a partir de R$25,00.
O monólogo de Netto marca a primeira parceria de Moscovis com Portella na direção, é o quinto espetáculo produzido pelo ator e lhe rendeu, no último mês de março, o Prêmio Shell de Melhor Ator — o mais tradicional reconhecimento das artes cênicas no país e o primeiro de sua carreira. Para além do prêmio recebido o espetáculo obteve duas indicações ao Prêmio Shell, Melhor Dramaturgia para Leonardo Netto e Melhor Iluminação para Ana Luzia de Simoni. O espetáculo conta também com duas indicações ao Prêmio APTR, Melhor Ator em Papel Protagonista para Eduardo Moscovis e Melhor Dramaturgia para Leonardo Netto e mais recentemente recebeu indicação ao Prêmio APCA de melhor ator para Eduardo Moscovis e Dramaturgia para Leonardo Netto.
Ao contar uma história que, em tese, poderia acontecer com qualquer um, o espetáculo provoca ao diluir as fronteiras entre vítima e algoz, civilizado e selvagem. “O que mais me cativou no texto foi perceber que o protagonista é um homem que tem uma vida correta, pacífica, com quem eu facilmente me identificaria, mas que, assim como seu antagonista — um homem vil em todos os aspectos —, pode se igualar a ele ao cometer um ato de extrema violência”, conta Eduardo Moscovis, que encena seu segundo monólogo — o primeiro foi “O Livro” (2011), de Newton Moreno, com direção de Christiane Jatahy. “Mesmo com a ausência da contracenação, que é um dos grandes desafios do monólogo, fui arrebatado pelo texto do Leo, e o processo tem sido muito prazeroso”, completa.
Depois de assistir inadvertidamente, em uma rede social, a um vídeo de extrema violência, Leonardo Netto passou a se questionar sobre o que leva alguém a cometer um ato violento — e também a filmá-lo, publicá-lo e consumi-lo. Outras questões emergiram, como o fascínio e a idolatria por assassinos, psicopatas e serial killers ao longo da história. “A espetacularização, a romantização e a banalização da violência, potencializadas pela multiplicação de câmeras e pela internet, talvez nos tornem mais insensíveis a ela”, reflete o autor. O incômodo persistiu até que decidiu escrever a peça, como forma de elaborar essa experiência. “Foi perturbador assistir, e escrever também foi difícil. Muitas vezes precisei parar”, revela. Durante o processo, passou a imaginar Eduardo Moscovis — com quem dividiu o palco em “Corte Seco” (2010) — como protagonista.
“O título surgiu como uma metáfora da iminência do desastre. Assim como no globo da morte, vivemos tentando nos desviar da catástrofe o tempo inteiro.” Em sua primeira parceria com Rodrigo Portella, Moscovis destaca: “Ele é um diretor-criador, que pensa a cena e o teatro de forma muito genuína e potente”.
Para construir a dramaturgia e o espaço cênico, Portella opta por uma encenação minimalista. “O espetáculo acontece na cabeça do espectador. Qualquer elemento concreto seria uma distração. O personagem constrói um discurso que se aproxima da literatura, convocando o público a imaginar. Temos, assim, uma relação íntima e direta entre ator e espectador, do início ao fim”, afirma o diretor.
“A ideia é enfatizar o caráter comum desse acontecimento, que poderia acontecer com qualquer um de nós. Um evento extraordinário em um lugar ordinário, executado por um homem ordinário.” Nesse sentido, trilha sonora (André Muato), figurino (Gabriella Marra) e iluminação (Ana Luzia de Simoni) reforçam essa abordagem. Portella identifica ainda uma camada político-social: “Sem nomear lados, o espetáculo evidencia a polarização ideológica em que a sociedade brasileira está imersa”.
SERVIÇO
Espetáculo: O Motociclista no Globo da Morte
Data: 2 de outubro
Horários: 20h e 22h
Local: Cine Teatro Cuiabá
Texto: Leonardo Netto
Direção: Rodrigo Portella
Atuação: Eduardo Moscovis
Classificação indicativa: 14 anos
Atenção: o espetáculo contém descrição gráfica de violência e cenas que podem despertar gatilhos emocionais.


