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Terça-feira, 3 de novembro de 2026

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Como ser feliz: confira dicas dos pioneiros da ciência do bem-estar

Uma vida boa e feliz se constrói por meio das pequenas conexões com as pessoas ao nosso lado e nossas comunidades como um todo. (Unsplash)No início deste ano, organizamos uma reunião com algumas das figuras mais…

Lara B Aknin, Distinguished Professor of Social Psychology, Simon Fraser University — The Conversation Brasilatualizado em 5 min de leitura
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Foto: (Unsplash)
Foto: (Unsplash)

Uma vida boa e feliz se constrói por meio das pequenas conexões com as pessoas ao nosso lado e nossas comunidades como um todo. (Unsplash)No início deste ano, organizamos uma reunião com algumas das figuras mais influentes da pesquisa moderna sobre felicidade para discutir o que elas haviam aprendido ao longo de seus 600 anos combinados de pesquisa e experiência profissional.

O grupo incluía pioneiros como Richard Layard, Sonja Lyubomirsky e Martin Seligman, que transformaram a felicidade em uma ciência séria. Como resultado de seu trabalho, 90% dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) agora medem a satisfação com a vida.

Muitos desses pioneiros permaneceram ativos até os 80 e 90 anos de idade, ainda escrevendo, lecionando e orientando. Se algum grupo poderia identificar os ingredientes de uma vida boa, era esse.

Recentemente, publicamos o resultado dessa discussão no Journal of Happiness Studies. O grupo identificou muitos temas centrais para a felicidade: ter as necessidades básicas de vida atendidas, relacionamentos, trabalho significativo e viver de maneira alinhada com os próprios valores e circunstâncias. Olhando para o futuro, eles se mostraram preocupados com as desigualdades e com o declínio do bem-estar entre os jovens.

O tema mais recorrente na discussão, no entanto, foi a importância e a alegria que provêm dos relacionamentos sociais.

Relacionamentos são o eixo central

Como equipe interdisciplinar de pesquisadores do bem-estar, esperávamos que os relacionamentos fizessem parte da resposta. Eles afetam todos os aspectos da nossa vida, amplificam eventos positivos, atenuam eventos negativos e são considerados uma necessidade psicológica básica.

Isso não é observado apenas nos países ocidentais. Ter “alguém com quem contar” é um indicador de satisfação com a vida em todo o mundo. Em resumo, pessoas felizes têm relacionamentos fortes e satisfatórios.

O que não esperávamos era a frequência com que os relacionamentos seriam mencionados. Em quase todas as partes da discussão — que abrangeu significado, trabalho, competição, cultura, moralidade, tecnologia e longevidade —, os relacionamentos foram o eixo central da felicidade.

O envolvimento social é uma habilidade

Em suas vidas pessoais, vários desses pioneiros da ciência do bem-estar reservavam deliberadamente tempo para cônjuges, parentes, amigos ou netos. Um deles reorganizou sua agenda para dedicar mais tempo às amizades íntimas. Outro, convencido por estudos de intervenção, começou a escrever mais mensagens de gratidão, comportando-se de maneira mais sociável e trocando conversas superficiais por conversas mais profundas.

O envolvimento social, sugeriram eles, não é um luxo reservado aos extrovertidos ou aos socialmente privilegiados, mas uma habilidade que qualquer pessoa pode cultivar. A conexão pode nem sempre acontecer por si só, mas muitas vezes começa com atos simples: demonstrar interesse, estender a mão e estar presente. Essas são coisas que todos nós podemos fazer.

Suas vidas profissionais contavam a mesma história. Em consonância com a literatura científica, muitos pioneiros criaram ativamente laboratórios, departamentos e colaborações onde alunos e colegas se sentiam confiados, apoiados e motivados. Eles perceberam que as pessoas realizavam um trabalho melhor quando outras as ajudavam a se desenvolver e quando elas mesmas ajudavam os outros, descobrindo que o sucesso e a felicidade dos outros podiam somar-se ao seu próprio sucesso e felicidade, em vez de subtraí-los.

Contribuição para o envelhecimento saudável

A felicidade e os relacionamentos também ofereceram uma ligação plausível com a longevidade incomum representada no encontro.

Os pesquisadores não concordaram explicitamente que suas pesquisas pudessem ter prolongado suas vidas, nem que qualquer prática isolada explicasse sua vitalidade. Ainda assim, suas próprias prioridades ecoavam um vasto conjunto de pesquisas que associam relacionamentos próximos a um envelhecimento mais saudável e feliz — uma constatação inegavelmente comprovada pelo Estudo de Harvard sobre Desenvolvimento na Idade Adulta.

A possibilidade permanecia: talvez o estudo da felicidade os tivesse ensinado a investir justamente nos laços que os ajudavam a se manter engajados na vida?

Quando a conversa se ampliou dos indivíduos para as sociedades, o tema das relações tornou-se mais urgente. Vários participantes se preocupavam com o declínio do bem-estar dos jovens, que atribuíam a culturas cada vez mais competitivas. As escolas classificam os alunos em comparação com seus colegas de classe. Universidades e locais de trabalho transformam colegas em rivais. A comparação material faz com que o ganho de outra pessoa pareça uma perda para si mesmo.

Nessas condições, mesmo jovens talentosos podem vivenciar a educação não como descoberta ou companheirismo, mas como um esforço para sobreviver.

Invista nas pessoas ao seu redor

O grupo não negou que a competição faça parte da vida humana ou que, às vezes, possa estimular a inovação. Mas eles questionaram a suposição de que a rivalidade egoísta seja a chave para o progresso. Os seres humanos também sobrevivem e prosperam por meio da cooperação, da aprendizagem social e do cuidado mútuo.

Eles argumentaram que comunidades organizadas em torno de um senso mais forte de “nós” estão em melhor posição para prosperar do que aquelas presas na mentalidade de “nós contra eles”. Isso é consistente com pesquisas sobre o tema.

A lição moral era simples: sua felicidade não é minha infelicidade. Seu bem-estar pode fortalecer o meu, assim como o meu pode fortalecer o seu. Prosperamos ao nos apoiarmos mutuamente.

A conclusão central era antiga o suficiente para parecer óbvia, mas ainda assim nem sempre fácil de seguir em nossa sociedade acelerada. Uma vida boa e feliz não se constrói sozinho. Ela se forma nas pequenas conexões com os outros em nosso dia a dia, nos locais de trabalho que humanizamos, nas rivalidades que recusamos, nas comunidades que construímos e na sociedade que todos nós moldamos.

Após centenas de anos de pesquisas combinadas, a percepção mais convincente dos pioneiros foi simples: invista nas pessoas ao seu redor.

Os autores não prestam consultoria, trabalham, possuem ações ou recebem financiamento de qualquer empresa ou organização que se beneficiaria deste artigo e não revelaram qualquer vínculo relevante além de seus cargos acadêmicos.

Artigo publicado originalmente na The Conversation Brasil sob licença Creative Commons. O texto não foi alterado.

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