Caso Sindnapi: MPF aprofunda apuração sobre declaração do diretor-geral da Polícia Federal
À época, a AGU informou que a seleção das 12 entidades incluídas na ação cautelar se baseou em uma investigação administrativa iniciada pelo INSS em 5 de maio daquele ano. O órgão também afirmou que adotaria outras medidas judiciais para buscar a reparação dos prejuízos.

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um Procedimento Investigatório Criminal para apurar se o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, divulgou informações protegidas por sigilo relacionadas à Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de fraudes em descontos aplicados a aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A investigação foi aberta depois que a 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF rejeitou o arquivamento do caso e considerou necessário aprofundar a apuração. O procedimento busca esclarecer se houve divulgação indevida de informações vinculadas a um inquérito submetido a sigilo judicial.
Em entrevista ao ICL Notícias, Rodrigues afirmou que o irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não era alvo da operação naquele momento. A declaração foi dada em referência ao Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) e a seus responsáveis.
“O irmão do presidente Lula não é alvo da operação, não é investigado na operação”, declarou o diretor-geral da PF.
Na mesma entrevista, Rodrigues explicou que a atuação da Polícia Federal em relação ao sindicato envolveu o bloqueio de descontos considerados indevidos ou aparentemente indevidos, por determinação judicial, após solicitação da própria corporação.
Na portaria que instaurou o procedimento investigatório, o MPF determinou o envio de um ofício a Rodrigues para que preste esclarecimentos. Também solicitou a inclusão de cópia da decisão judicial que estabeleceu o sigilo do inquérito relacionado ao sindicato.
Sindnapi entrou no radar das investigações
Em maio de 2025, a Advocacia-Geral da União (AGU) não incluiu o Sindnapi entre as entidades atingidas pelos pedidos de bloqueio de recursos apresentados naquele momento para viabilizar o ressarcimento de aposentados e pensionistas prejudicados pelas fraudes. Segundo as informações divulgadas, o sindicato havia arrecadado R$ 90 milhões em 2023.
À época, a AGU informou que a seleção das 12 entidades incluídas na ação cautelar se baseou em uma investigação administrativa iniciada pelo INSS em 5 de maio daquele ano. O órgão também afirmou que adotaria outras medidas judiciais para buscar a reparação dos prejuízos.
Em outubro de 2025, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), apontou indícios de possível atuação criminosa envolvendo integrantes do Sindnapi. Conforme os elementos mencionados na decisão, os descontos investigados teriam gerado recursos posteriormente submetidos a operações destinadas a ocultar sua origem.
Com base em informações da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre movimentações financeiras consideradas atípicas, Mendonça autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do sindicato e de seus dirigentes, abrangendo movimentações desde 2020.
A investigação sobre Andrei Rodrigues busca esclarecer se houve divulgação de informações protegidas por sigilo. A abertura do procedimento, por si só, não significa que o diretor-geral tenha cometido irregularidade.
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