Ação apresentada ao TRE-MT acusa candidato ao Senado de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação em ataques contra Mauro Mendes
Pedido será analisado pela Justiça Eleitoral

A coligação “Mato Grosso Não Pode Parar” ingressou no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o ex-governador e candidato ao Senado Pedro Taques (PSB). A ação pede a cassação do registro de candidatura ou do diploma e a declaração de inelegibilidade por oito anos.
Também foram incluídos na ação os candidatos a suplentes de Taques, Carlos Ernesto Augustin e Guelda Cristina de Oliveira Andrade.
Segundo a coligação, a representação tem como base uma série de publicações e manifestações de Taques direcionadas ao também candidato ao Senado Mauro Mendes (União). Os autores da ação alegam que as condutas ultrapassariam os limites da crítica política e configurariam abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social.
A acusação sustenta que, ao longo de aproximadamente nove meses, Taques teria utilizado diferentes plataformas e formatos de comunicação para associar Mauro Mendes a supostos atos ilícitos. Entre os conteúdos citados estão publicações em redes sociais, entrevistas, programas de rádio e televisão, podcasts e anúncios patrocinados.
A coligação aponta ainda o uso recorrente de expressões como “panhou ou não panhou?”, “panhou sim” e “Oi, Mauro”, além do personagem denominado “Panhozinho”. Na avaliação apresentada pelos advogados, os recursos teriam sido utilizados para reforçar uma associação entre Mauro Mendes e acusações relacionadas a supostas irregularidades.
Parte das publicações mencionadas está relacionada ao chamado “caso da Oi”, envolvendo uma transação de R$ 308 milhões entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia. O tema já apareceu em diferentes representações eleitorais apresentadas contra Taques no TRE-MT. Em uma decisão recente, por exemplo, a Justiça Eleitoral analisou publicação em que o candidato utilizou a expressão “panhou ou não panhou” em referência ao episódio.
Em outro processo, o TRE-MT analisou o impulsionamento pago de conteúdos publicados por Taques em agosto. A representação apresentada pela mesma coligação apontou que três anúncios foram direcionados à desqualificação política de Mauro Mendes.
Coligação cita dezenas de ações
Na nova AIJE, os advogados afirmam que foram apresentadas 59 ações eleitorais relacionadas às publicações atribuídas a Taques durante o período analisado.
De acordo com os dados apresentados na petição, essas ações teriam resultado em 48 pareceres ministeriais favoráveis, 18 decisões liminares para retirada de conteúdos, 40 decisões condenatórias e multas superiores a R$ 200 mil.
A coligação também afirma que determinadas publicações teriam continuado a ser feitas mesmo após decisões judiciais ou determinações de abstenção.
Outro dado apresentado na ação se refere à publicidade paga. Segundo o levantamento anexado pelos autores, 38 anúncios teriam alcançado aproximadamente 4 milhões de impressões.
Os advogados também contabilizam 168 matérias publicadas em 55 veículos de comunicação e mais de 60 publicações nas quais, segundo a acusação, teriam ocorrido 317 imputações de crimes a Mauro Mendes.
A defesa da coligação classifica o conjunto das condutas como uma estratégia de comunicação que teria sido mantida de maneira sistemática durante o período eleitoral.
Pedido será analisado pela Justiça Eleitoral
Com base nos fatos apresentados, a coligação pede que a Justiça Eleitoral reconheça a ocorrência de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social e aplique as sanções previstas na legislação eleitoral.
Entre os pedidos está a cassação do registro de candidatura ou do diploma de Pedro Taques, caso preenchidos os requisitos legais, além da declaração de inelegibilidade pelo período de oito anos.
Até o momento, trata-se de uma ação apresentada pela coligação, e não de uma decisão definitiva sobre a candidatura de Taques. O processo ainda deverá seguir o trâmite no TRE-MT, com manifestação das partes e análise da Justiça Eleitoral.
As acusações apresentadas na AIJE também não representam, por si só, conclusão judicial sobre a responsabilidade de Taques. Caberá ao tribunal analisar as provas e os argumentos apresentados no processo.
A ação foi assinada pelos advogados Rodrigo Terra Cyrineu, Felipe Terra Cyrineu, Artur Mitsuo Miura, Gabriel Andreoli Ultramari e Gabriel Luan Montagna.
Mais em Política MT
Ver editoria
MESA DIRETORA: Baixinha adere a Ilde após acordo com grupo de Paula não ser cumprido

Abilio reconhece mudança na Câmara, mas afirma que obras de Cuiabá não serão afetadas

Pesquisa Paraná mostra cenário dos candidatos da direita na corrida ao Senado em Mato Grosso
