SUBIU PARA R$ 2,99

Preço do etanol aumenta em Cuiabá e VG

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Os consumidores de Cuiabá e Várzea Grande começaram outubro com um reajuste significativo no preço do etanol nos postos de combustível. O litro, que era encontrado a R$ 2,67 ou R$ 2,69, subiu para R$ 2,99 em alguns estabelecimentos, registrando um aumento de R$ 0,30 em poucos dias.

A alta nos preços começou ainda na última semana de setembro, afetando tanto os postos de bandeira branca quanto os de bandeira. A média inicial de R$ 2,67 subiu gradualmente, chegando a R$ 2,87, R$ 2,97, até alcançar o maior valor registrado, R$ 2,99.

Razões para o Aumento

Segundo Lhais Sparvolli, diretora executiva do Sindicato das Indústrias de Bioenergia de Mato Grosso (Sindalccol/MT), a competitividade do etanol no estado permanece alta, mantendo-o como o mais barato e vantajoso do Brasil. No entanto, o aumento é atribuído à lei da oferta e da procura, comum durante o início de cada mês.

“Na virada do mês, há maior procura nos postos. Isso gera variações de preço, já que as empresas precisam equilibrar o fluxo de caixa e fechar suas folhas de pagamento”, explicou um gerente de um posto em Várzea Grande. Ele ainda refutou qualquer ligação entre o aumento e a distribuição de vales para as eleições.

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Comparativo Regional

Apesar do reajuste local, o etanol em Mato Grosso segue competitivo no cenário nacional. Dados do Índice de Preços Ticket Log (IPTL) mostram que entre agosto e setembro o preço médio do etanol no estado recuou 12,16%, de R$ 3,971 para R$ 3,488. Ainda assim, Goiás registrou o menor preço do biocombustível na região Centro-Oeste, com média de R$ 3,418.

A região Centro-Oeste foi destaque no último levantamento por apresentar a maior redução nacional no preço do etanol, de 12,42%, fechando os primeiros dias de setembro com uma média de R$ 3,78. Além disso, Mato Grosso e Goiás são os únicos estados da região onde o etanol é mais vantajoso para o abastecimento em relação à gasolina.

Impactos no Bolso

Com a recente alta em Cuiabá e Várzea Grande, os consumidores locais enfrentam o desafio de planejar gastos em um cenário de preços oscilantes. Apesar disso, especialistas reforçam que o etanol mato-grossense ainda oferece vantagens econômicas frente a outros estados.

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ECONOMIA

Custo de captação se estabiliza e pode aliviar pressão sobre crédito rural em MT

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Despesa somou R$ 1,24 bilhão no primeiro trimestre de 2026; cenário traz maior previsibilidade para as cooperativas e pode favorecer condições de crédito

Após cinco anos consecutivos de crescimento, o custo de captação das cooperativas de crédito de Mato Grosso apresentou estabilidade no primeiro trimestre de 2026. O custo de captação corresponde às despesas que as cooperativas têm para obter os recursos que serão utilizados em suas operações de crédito. Esse custo somou R$ 1,24 bilhão no período, praticamente no mesmo patamar registrado no primeiro trimestre de 2025.

O movimento ocorre em um cenário de juros elevados e representa um sinal importante para o sistema cooperativista de crédito. Entre 2021 e 2026, a despesa de captação passou de R$ 58,9 milhões para R$ 1,24 bilhão no primeiro trimestre de cada ano. No mesmo período, a Selic saiu de 2% para 15% ao ano.

De acordo com estudo do Banco Central do Brasil (BCB), para cada ponto percentual de variação na Selic, o custo médio de captação das instituições financeiras tende a se movimentar entre 0,5 e 1 ponto percentual no mesmo sentido. O repasse é parcial, mas consistente, e ajuda a explicar a trajetória observada nas cooperativas de crédito mato-grossenses.

Para Sâmyla Sousa, gerente de Desenvolvimento e Inteligência de Cooperativas do Sistema OCB/MT, a estabilidade representa um alívio para uma variável que exerce influência direta sobre o resultado das cooperativas.

“Com a despesa de captação estável, o custo dos recursos captados deixa de consumir espaço no balanço a cada trimestre, e isso devolve às cooperativas alguma previsibilidade para planejar volume de crédito e política de taxas”, explica.

Perspectiva de alívio gradual

A estabilidade ganha relevância porque ocorreu mesmo com a Selic em patamar superior ao registrado no mesmo período de 2025. Segundo Sâmyla, esse comportamento indica que parte do impacto do aperto monetário já foi absorvida pela estrutura de captação das cooperativas.

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“Ainda é cedo para afirmar que a trajetória se inverteu, mas é o primeiro trimestre em cinco anos em que esse custo deixa de subir”, destaca.

Para os próximos períodos, a expectativa é de um alívio gradual. Isso ocorre porque o estoque de recursos captados não se ajusta imediatamente às mudanças na taxa básica de juros. Com os cortes iniciados em março, os efeitos tendem a aparecer nos balanços das cooperativas ao longo dos próximos trimestres.

Efeito pode chegar ao cooperado

A estabilização do custo de captação também pode criar espaço para as cooperativas trabalharem suas políticas de crédito. Segundo Sâmyla, esse impacto pode chegar ao cooperado de duas formas: por meio de taxas mais competitivas ou da preservação de margens que retornam aos associados na forma de sobras.

“Na parcela de crédito que não é equalizada pelo Tesouro, o custo de captação é o principal componente da taxa, e o alívio abre espaço para reduzir o preço na ponta”, explica.

A especialista ressalta, no entanto, que o repasse não é automático e depende de fatores como a velocidade de reprecificação do estoque de captação e o comportamento da inadimplência.

No crédito rural, parte desse alívio já chegou por outro caminho. O Plano Safra 2026/27 reduziu a taxa do Pronamp de 10% para 9% ao ano e a do custeio empresarial de 14% para 12,5% ao ano.

Crédito rural sustenta atividade produtiva

Em Mato Grosso, os efeitos desse cenário ganham importância diante da participação das cooperativas de crédito no financiamento da atividade produtiva. No primeiro trimestre de 2026, as cooperativas registradas no Sistema OCB/MT tinham R$ 5,82 bilhões em crédito rural para pessoas físicas em carteira.

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Boa parte dessas operações é contratada a taxas de mercado, justamente a parcela mais sensível ao custo de captação. Por isso, a estabilidade desse custo pode contribuir para a manutenção da oferta de crédito e para melhores condições de contratação.

“O impacto se dá na sustentação da oferta de crédito à safra. Com esse custo estável, cresce a capacidade de manter o volume disponível sem comprimir margem, e é nas condições de contratação que o produtor sente primeiro”, avalia Sâmyla.

Para ela, a disponibilidade de recursos ganha ainda mais relevância em um estado marcado pelo peso do agronegócio e pelos desafios enfrentados pelo produtor, como custos de produção elevados e impactos climáticos.

“Em um estado no qual o produtor convive com custo de produção pressionado e safras afetadas pelo clima, ter esse volume disponível perto de quem produz faz diferença. Na cooperativa, a decisão de crédito é tomada no município, com conhecimento da propriedade e do ciclo da lavoura”, completa.

Cooperativismo de crédito em números

Os números do primeiro trimestre de 2026 mostram a dimensão do sistema cooperativista de crédito em Mato Grosso. Segundo os dados do Banco Central do Brasil, apresentados pelo Observatório do Cooperativismo de Mato Grosso, as 19 cooperativas registradas no Sistema OCB/MT somaram R$ 74,10 bilhões em ativos, crescimento de 0,53% em relação ao quarto trimestre de 2025.

A carteira de crédito alcançou R$ 39,67 bilhões, enquanto a captação totalizou R$ 41,01 bilhões, alta de 6,15% no período. Os depósitos chegaram a R$ 37,69 bilhões, crescimento de 6,57%.

Os indicadores reforçam a relevância do cooperativismo de crédito para a economia mato-grossense e mostram como o comportamento dos juros e do custo de captação pode influenciar diretamente a capacidade das cooperativas de ofertar crédito e gerar benefícios aos seus cooperados.

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