Agronegócio

Fávaro chama tarifa de Trump de “indecente” e agro pressiona por reação diplomática

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A tarifa de 50% sobre produtos agropecuários brasileiros anunciada presidente dos Estados Unidos nesta semana acendeu um sinal de alerta entre autoridades brasileiras, mas principalmente de entidades do agronegócio nacional. Classificada como uma retaliação política com impacto comercial desproporcional, a medida deve atingir setores estratégicos como café, suco de laranja, carne bovina, celulose, tabaco e açúcar — produtos que somaram mais de US$ 12 bilhões em exportações ao mercado norte-americano no último ano, conforme dados da plataforma Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, se manifestou oficialmente em vídeo (veja abaixo) divulgado nas redes sociais, classificando a medida como “uma ação indecente do governo norte-americano” e assegurando que o governo brasileiro está mobilizado em busca de alternativas. “Telefonei para as principais entidades representativas dos setores mais afetados, o setor de suco de laranja, o setor de carne bovina e o setor de café, para que possamos, juntos, ampliar as ações que já estamos realizando: em abrir mercados, reduzir barreiras comerciais e garantir crescimento à agropecuária brasileira”, declarou o ministro.

Entidades setoriais foram enfáticas em afirmar que a tarifação afeta diretamente a previsibilidade dos fluxos comerciais e compromete a relação de confiança entre os dois países. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por exemplo, afirmou que “a economia e o comércio não podem ser injustamente afetados por questões de natureza política” e que “a única saída possível é por meio do diálogo incessante e pragmático entre os governos e seus setores privados”. A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), por sua vez, apontou que a decisão carece de justificativa econômica, dado o superávit norte-americano na balança comercial bilateral.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), a decisão traz riscos econômicos relevantes para o Brasil. “Ainda que os Estados Unidos representem uma fatia minoritária do total das exportações do agronegócio brasileiro — cerca de 6% —, essa fatia concentra produtos de alto valor agregado e de mercados maduros, cuja substituição não ocorre de forma imediata”, analisa Rezende. Segundo ele, a interrupção abrupta de canais tradicionais pode gerar efeitos indiretos severos em preços internacionais e margens de lucro.

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O caso do suco de laranja é exemplar: 98% da produção brasileira é destinada à exportação, e os EUA respondem por 37% desse volume. No caso do café, quase 15% das exportações brasileiras têm como destino o mercado norte-americano. “Medidas dessa magnitude não atingem apenas o exportador direto. Elas afetam toda a cadeia, incluindo pequenos produtores, transportadores, armazenadores e redes de distribuição, com potencial de impacto em mais de 3 milhões de empregos diretos e indiretos”, observa o presidente do IA.

Rezende destaca ainda que, a abertura de novos mercados seja possível (como disse o Ministro), ela não substitui a importância de preservar os laços com os grandes centros consumidores tradicionais. “O realinhamento comercial com Ásia, Oriente Médio e Sul Global é estratégico, mas precisa ocorrer de forma planejada e com diversificação cautelosa. A reação a medidas pontuais não pode ser apenas de substituição reativa, sob risco de comprometer o equilíbrio de preços internacionais e a competitividade do produtor nacional”, conclui Rezende.

O setor sucroenergético também expressou preocupações. A Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) e a Organização de Associações de Produtores de Cana (Orplana) alertaram que a tarifa pode prejudicar a exportação de etanol e comprometer os avanços ambientais na substituição de combustíveis fósseis. “Trata-se de uma tarifa que pode afetar diretamente o setor sucroenergético, comprometendo o equilíbrio comercial entre os dois países e penalizando o consumidor norte-americano com preços mais altos de combustível e açúcar”, afirmou José Guilherme Nogueira, CEO da Orplana.

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A Sociedade Rural Brasileira (SRB) e o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) também divulgaram notas demonstrando preocupação com o impacto da medida sobre a confiança mútua que sempre caracterizou o relacionamento comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo Valmor Thesing, presidente do SindiTabaco, o mercado norte-americano é o terceiro maior destino do produto brasileiro e, em 2024, respondeu por US$ 255 milhões em vendas externas — o equivalente a 9% das exportações totais do setor.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) criticou a postura diplomática brasileira, considerando que “faltou assertividade para antecipar e negociar medidas que afetam setores estratégicos da economia nacional”. Ainda assim, seu presidente, Tirso Meirelles, acredita que há espaço para reversão: “Entendo que o confronto levará a prejuízos incalculáveis para ambos os lados. A construção de uma solução diplomática, com coordenação técnica e política, é o único caminho sensato”.

Enquanto aguarda-se a possível entrada em vigor da tarifa no próximo dia 1º de agosto, o governo federal trabalha para mitigar os impactos e pressionar por uma solução negociada. “Estamos juntos com o setor e vamos superar este momento difícil com união e inteligência estratégica”, declarou o ministro Fávaro. A expectativa do setor é que a racionalidade prevaleça e que as tratativas bilaterais avancem com celeridade, evitando danos permanentes a uma relação comercial construída ao longo de dois séculos.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Programa que reduziu roubos no campo enfrenta gargalo de comunicação

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Responsável por um dos programas de policiamento rural mais abrangentes do País, o Paraná enfrenta um gargalo tecnológico que ameaça limitar os resultados obtidos nos últimos anos. Apesar da redução de 34,6% nos roubos em propriedades rurais desde 2022, as viaturas da Patrulha Rural da Polícia Militar ainda operam sem conexão via satélite em grande parte das áreas mais remotas do Estado, dificultando a comunicação em regiões sem cobertura de telefonia ou internet.

O problema afeta um programa que reúne 37.362 propriedades cadastradas e mais de 24,6 mil propriedades certificadas. Em 2025, testes realizados pelo próprio governo estadual em Londrina e Tamarana demonstraram a viabilidade do uso de internet via satélite nas viaturas, permitindo comunicação estável mesmo durante os deslocamentos por estradas rurais. Mais de um ano depois, porém, a tecnologia ainda não foi incorporada ao sistema.

A demora levou a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) a cobrar prioridade para a implantação do serviço nas equipes que atuam no campo. A entidade argumenta que a falta de conectividade compromete a capacidade de resposta da polícia justamente nas regiões mais afastadas dos centros urbanos.

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“O trabalho da Patrulha Rural é fundamental para a segurança no campo, mas ainda existe um problema que precisa ser resolvido. Em muitas regiões, o produtor não consegue contato com a polícia em situações de emergência porque não há sinal de telefonia ou internet. A tecnologia é indispensável para reduzir essa distância”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Segundo a Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial do Paraná, os testes realizados em 2025 apresentaram resultados considerados positivos e o relatório técnico foi encaminhado à Secretaria de Segurança Pública (Sesp). Em nota, a pasta informou que a Polícia Militar realiza levantamentos para equipar as viaturas da Patrulha Rural, Polícia Ambiental, Batalhão de Fronteira e Polícia Rodoviária, entre outras unidades.

Para Meneguette, os investimentos em conectividade deveriam priorizar o meio rural, onde as limitações de comunicação são maiores.

“Pela própria dimensão territorial, é impossível manter equipes em todos os locais com rapidez. Por isso, a comunicação é uma ferramenta estratégica. O Paraná construiu um modelo de segurança rural que se tornou referência para outros Estados, mas é preciso avançar em tecnologia para garantir que esse sistema continue eficiente”, diz.

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A discussão ocorre em um momento em que a criminalidade no campo exige respostas cada vez mais rápidas e em que Estados produtores buscam ampliar o uso de tecnologias de monitoramento e comunicação nas áreas rurais. Especialistas em segurança pública avaliam que a conectividade tende a se tornar um dos principais pilares do policiamento rural nos próximos anos.

Fonte: Pensar Agro

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