Agronegócio

Evento técnico reforça foco em margem e eficiência nas lavouras de soja e milho

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A 29ª edição do Show Tecnológico Verão, realizada em Carambeí (140 km da capital, Curitiba), no Paraná, concentra a discussão sobre um ponto central para a safra 2024/25 e o próximo ciclo: rentabilidade. Em um cenário de custos ainda elevados e preços pressionados, a ênfase do encontro está em estratégias de manejo capazes de sustentar produtividade e preservar margem.

Promovido pela Fundação ABC, entidade mantida por cooperativas da região dos Campos Gerais, o evento reúne produtores, consultores e técnicos para dois dias de apresentações técnicas e visita a áreas demonstrativas de soja e milho. A programação é restrita a participantes previamente inscritos.

A região anfitriã se destaca historicamente por produtividade acima da média estadual. Na safra de soja 2024/25, municípios como Castro e Carambeí registraram rendimento médio de 75 sacas por hectare, enquanto a média do Paraná ficou em torno de 65 sacas/ha. O desafio, segundo técnicos ouvidos no evento, é manter esse diferencial em um ambiente de maior pressão sobre a receita.

As recomendações apresentadas giram em torno de plantabilidade, escolha de cultivares, manejo de solo, controle de doenças foliares e nematoides, além de estratégias de adubação mais ajustadas ao potencial produtivo de cada talhão. O foco é reduzir perdas invisíveis e melhorar a eficiência do uso de insumos.

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Além das lavouras de grãos, a pecuária leiteira também integra a programação. O chamado Circuito do Leite apresenta alternativas para produção de silagem de milho e forragens, fundamentais para sustentar a cadeia na região, que concentra forte atividade cooperativista e elevada produção diária de leite.

Mais de 50 empresas participam com soluções em genética, proteção de plantas, nutrição e tecnologia de aplicação. Entre as demonstrações práticas, ganham espaço ferramentas que simulam pulverização em condições de campo, permitindo visualizar o comportamento de gotas e o impacto de fatores como vento e regulagem de equipamentos. A proposta é mostrar que precisão na aplicação pode reduzir desperdícios e melhorar o desempenho agronômico.

O evento ocorre em um momento em que o produtor precisa extrair o máximo de cada hectare. A combinação entre tecnologia, manejo ajustado e tomada de decisão baseada em dados é apresentada como caminho para manter competitividade em um mercado cada vez mais sensível a custo e eficiência.

Serviço

Evento: 29ª edição do Show Tecnológico Verão
Data: 25 e 26 de fevereiro
Local: Carambeí (PR), região dos Campos Gerais

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Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Crédito ao agro pode atingir R$ 652 bilhões, mas esbarra em limites fiscais

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As negociações para o Plano Safra 2026/27 avançam em meio a discussões sobre o espaço fiscal disponível para subsidiar o crédito rural. A proposta em análise pelo governo prevê ampliar em cerca de 10% os recursos destinados ao financiamento da agropecuária, elevando o montante total para R$ 652 bilhões, além de reduzir em até dois pontos percentuais as taxas de juros para médios e grandes produtores.

Os números ainda estão em discussão entre os ministérios da Agricultura, da Fazenda e do Desenvolvimento Agrário e podem sofrer alterações antes do anúncio oficial, previsto para o início de julho. A principal incógnita é a capacidade do Tesouro Nacional de suportar os custos da equalização dos juros em um cenário de restrições orçamentárias.

Na safra atual, foram disponibilizados R$ 594,4 bilhões para pequenos, médios e grandes produtores. Desse total, R$ 516,2 bilhões foram destinados à agricultura empresarial. A proposta em análise é elevar esse montante para perto de R$ 570 bilhões na temporada 2026/27.

A discussão sobre os juros é considerada o ponto mais sensível das negociações. Caso a proposta seja integralmente atendida, as taxas para médios e grandes produtores poderão cair para cerca de 8% ao ano nas operações de custeio e para até 6,5% em algumas linhas de investimento. Na safra 2025/26, as taxas variaram entre 10% e 14% nas linhas de custeio da agricultura empresarial.

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A possibilidade de redução das taxas depende do início do ciclo de queda da Selic e do espaço fiscal disponível para a equalização dos juros. O mecanismo é utilizado pelo governo para cobrir a diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e a taxa efetivamente paga pelos produtores.

Outra frente das negociações envolve os limites para os spreads bancários. A equipe econômica decidiu manter tetos para o custo administrativo e tributário cobrado pelas instituições financeiras nas operações com recursos equalizados. A medida busca evitar aumento excessivo do custo final do crédito e reduzir a pressão sobre os gastos públicos com subsídios.

No custeio empresarial, por exemplo, o limite para o spread foi fixado em 4,7% ao ano. Quanto maior esse percentual, maior tende a ser o desembolso da União para sustentar as taxas subsidiadas.

A estratégia ocorre em um momento em que instrumentos privados de financiamento ganham espaço no campo. Entre julho de 2025 e maio de 2026, as operações realizadas por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs) e recursos livres movimentaram cerca de R$ 170 bilhões. Os títulos privados passaram a integrar os números do Plano Safra recentemente e vêm compensando parte da retração observada nas linhas tradicionais de crédito.

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Na agricultura familiar, a expectativa é de manutenção das taxas de juros entre 2% e 6% ao ano. O volume de recursos para o segmento poderá chegar a R$ 82 bilhões, alta de cerca de 5% em relação aos R$ 78,2 bilhões disponibilizados na temporada atual.

Os desembolsos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) indicam forte demanda pelos recursos. Até maio, os produtores familiares haviam contratado R$ 60,9 bilhões, o equivalente a quase 80% do total disponível para a safra em curso.

A definição do Plano Safra 2026/27 ocorre em um ambiente de custos financeiros ainda elevados e de crescente demanda por recursos para sustentar a expansão da produção agrícola. O desafio do governo será ampliar a oferta de crédito e, ao mesmo tempo, preservar o equilíbrio das contas públicas em um cenário de restrições fiscais.

A expectativa é que os números finais sejam anunciados no início de julho, quando também deverão ser definidos os volumes de recursos e as taxas de juros para a agricultura empresarial e para os programas voltados à agricultura familiar.

Fonte: Pensar Agro

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