Agronegócio

Começamos bem: China impõe cota à carne bovina brasileira e acende alerta

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A China anunciou na quinta-feira (31.12.25) a adoção de uma medida de salvaguarda que impõe limites às importações de carne bovina, com a fixação de cotas anuais e a aplicação de tarifas elevadas sobre volumes excedentes. A decisão afeta diretamente o Brasil, principal fornecedor do produto ao mercado chinês, e pode reduzir significativamente o ritmo das exportações nos próximos anos.

Pela nova política, as compras chinesas de carne bovina brasileira ficam limitadas a pouco mais de 1 milhão de toneladas por ano. Acima desse volume, passa a incidir uma tarifa considerada proibitiva pelo setor. A medida entra em vigor imediatamente e terá duração inicial de três anos, dentro das regras previstas pela Organização Mundial do Comércio para ações de proteção à indústria doméstica.

Na prática, o novo teto representa um recuo em relação ao patamar alcançado nos últimos ciclos. Desde 2022, o Brasil vinha exportando volumes superiores a esse limite, acompanhando a forte expansão da demanda chinesa. Somente em 2025, os embarques ao país asiático se aproximaram de 1,7 milhão de toneladas, consolidando a China como destino de mais da metade da carne bovina exportada pelo Brasil.

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Com a imposição da cota, parte relevante desse fluxo pode ser interrompida. Estimativas preliminares do setor indicam que a perda potencial de receita pode chegar a algo próximo de 17 bilhões de reais, considerando os volumes que deixariam de ser embarcados caso a demanda chinesa se mantenha nos níveis recentes. Embora o impacto final dependa da forma como a medida será operacionalizada, o cenário é visto como desafiador.

A tarifa aplicada ao volume excedente torna economicamente inviável a exportação fora da cota, o que, na prática, limita as vendas brasileiras ao teto definido. Caso esse limite se confirme, o Brasil retornaria a um nível de exportações semelhante ao observado antes de 2022, interrompendo uma trajetória de crescimento que vinha sustentando preços, investimentos e expansão da cadeia pecuária.

Outro ponto de atenção é a forma de distribuição das cotas. Ainda não está claro quais critérios serão adotados para definir o acesso ao volume permitido, o que gera incerteza entre frigoríficos e produtores. O setor teme que eventuais regras favoreçam determinados perfis de empresas ou reduzam a competitividade de parte da cadeia exportadora, afetando a formação de preços no mercado interno.

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Além das cotas, há preocupações adicionais em relação a possíveis medidas complementares, como a revisão do número de plantas habilitadas a exportar e restrições ao crédito para importadores chineses. Essas ações fazem parte de uma estratégia mais ampla do governo chinês para estimular a produção local e reduzir a dependência externa no abastecimento de carne bovina.

O governo brasileiro informou que acompanha o tema e mantém diálogo com as autoridades chinesas, tanto no campo bilateral quanto nos fóruns internacionais. O objetivo é buscar esclarecimentos, defender os interesses do setor produtivo e mitigar os efeitos da salvaguarda sobre a pecuária nacional.

Diante desse novo cenário, analistas já avaliam que as projeções de exportação para 2026 deverão ser revistas. Caso a China mantenha as restrições, o crescimento esperado para o próximo ano tende a ser limitado, exigindo do setor ajustes de estratégia, diversificação de mercados e maior atenção aos reflexos sobre preços e rentabilidade no mercado interno.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Do fruto ao chocolate: cacau de MT ganha força nacional e impulsiona festival que valoriza a produção regional

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No próximo dia 7 de julho, quando é celebrado o Dia Mundial do Chocolate, Mato Grosso tem mais um motivo para comemorar. Embora ainda esteja fora do eixo tradicional da cacauicultura brasileira, o estado vem ampliando sua presença na cadeia produtiva do cacau, fortalecendo a agricultura familiar, atraindo investimentos e consolidando iniciativas que colocam a produção regional em evidência.

O Brasil ocupa atualmente a sétima posição entre os maiores produtores de cacau do mundo, com uma produção próxima de 200 mil toneladas anuais. Segundo dados do Ministério da Agricultura e da Organização Internacional do Cacau (ICCO), toda a cadeia produtiva movimenta cerca de R$ 23 bilhões por ano e gera aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos.

Embora Bahia e Pará continuem liderando a produção nacional, estados como Mato Grosso vêm apresentando crescimento consistente, especialmente por meio de sistemas agroflorestais, que aliam produtividade, preservação ambiental e geração de renda para pequenos produtores.

Em Mato Grosso, a cacauicultura avança principalmente em municípios das regiões Norte e Noroeste, favorecidos pelo clima tropical e pelo incentivo à diversificação agrícola. Além da produção das amêndoas, cresce também o número de agroindústrias artesanais voltadas à fabricação de chocolates de origem, agregando valor à matéria-prima produzida dentro do próprio estado.

Nos últimos anos, o cacau também passou a ser visto como uma alternativa sustentável para recuperação de áreas degradadas, integração entre floresta e agricultura e geração de renda em propriedades familiares, fatores que vêm atraindo o interesse de instituições de pesquisa, cooperativas e entidades ligadas ao agronegócio.

Esse crescimento também impulsiona eventos especializados, como o Festival do Chocolate de Mato Grosso, idealizado pela empresária Zilda Castanho. Criado para valorizar a produção local e aproximar produtores, consumidores e especialistas, o festival se consolidou como uma das principais vitrines do setor no Centro-Oeste e, a cada edição, amplia sua relevância por meio de novas parcerias estratégicas, como a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), que atua no fortalecimento do agronegócio estadual e incentiva diretamente a expansão da cultura do cacau.

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Foi observando esse potencial que o Festival do Chocolate de Mato Grosso cresceu e mais atividades foi acrescentada a programação que já era extensa, há dois anos em parceria com a Famato os visitantes podem conhecer o produto innatura, conhecer o processo de transformação da fruta em chocolate e conhecer a história por trás desse produto que segue como líder de preferencia mundial.

Para a supervisora da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), Cristiani Santos Bernini, além de valorizar a produção regional, o Festival do Chocolate se destaca como um espaço de conhecimento, troca de experiências e incentivo à cacauicultura. A programação aproxima produtores, consumidores e interessados na cultura do cacau, promovendo oportunidades de capacitação, agregação de valor aos produtos e ampliação de mercados. Para o Senar Mato Grosso, a participação no evento também reforça o trabalho desenvolvido pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), que acompanha produtores rurais e contribui para o fortalecimento da atividade no estado.

Supervisora da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), Cristiani Santos Bernini

Cristiani destaca que atualmente a instituição atende 26 produtores de cacau na região norte do estado, por meio da cadeia de Fruticultura Perene. Ela destaca que o Festival do Chocolate é uma oportunidade para apresentar o potencial da cultura e incentivar novos agricultores a investirem na atividade.

“O Festival do Chocolate vai muito além da exposição de produtos. É um espaço de aprendizado e valorização da nossa cacauicultura. Neste ano, vamos apresentar a Trilha Sensorial do Cacau ao Chocolate, onde o público poderá conhecer todas as etapas da transformação do fruto em chocolate, desde a produção até a degustação. Também teremos a Feira Natural do Campo, com a comercialização de produtos da agricultura rural. Nosso trabalho por meio da ATeG busca fortalecer a cacauicultura local, incentivar a agregação de valor, ampliar as oportunidades de comercialização e mostrar que o cacau é uma excelente alternativa para diversificação da produção e geração de renda. Mato Grosso possui grande potencial para expandir essa cultura, e eventos como este despertam o interesse de novos produtores e fortalecem toda a cadeia produtiva”.

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Para Zilda, o crescimento da produção estadual demonstra que o chocolate mato-grossense possui identidade própria e pode ocupar espaço cada vez maior no mercado nacional. “O Festival nasceu acreditando no potencial do nosso Estado, e hoje com a ascensão do nosso cacau e dos nossos produtores , a cada edição percebemos um setor mais fortalecido, com novos empreendedores, mais qualidade e mais parceiros comprometidos com esse desenvolvimento. Hoje contamos com instituições importantes, como a Famato, que fomenta o agro e incentiva diretamente a produção de cacau no estado. Isso mostra que Mato Grosso tem todas as condições de se tornar uma referência também na produção de chocolates de origem”, destaca Zilda.

Zilda ressalta que o festival vai muito além da comercialização dos produtos: “Queremos mostrar toda a cadeia produtiva, aproximar quem produz de quem consome, incentivar conhecimento, turismo, gastronomia e geração de negócios. O chocolate é resultado do trabalho de centenas de famílias que encontram no cacau uma oportunidade de crescimento sustentável.”

O fortalecimento da cultura do cacau acompanha uma tendência observada em todo o país. A valorização internacional das amêndoas, que em 2024 ultrapassaram a marca histórica de US$ 10 mil por tonelada, despertou ainda mais interesse pela atividade, principalmente em regiões consideradas novas fronteiras agrícolas.

Nesse cenário, o Festival do Chocolate de Mato Grosso vem se consolidando como um importante instrumento de divulgação da produção regional, fortalecendo a conexão entre agricultura, empreendedorismo, turismo e gastronomia.

   

À medida que novas áreas passam a investir na cultura do cacau e instituições ampliam o apoio aos produtores, Mato Grosso reforça sua posição entre os estados que despontam como protagonistas na nova geografia da cacauicultura brasileira, mostrando que o futuro do chocolate também passa pelo Centro-Oeste.

E por falar em festival, ele tá chegando a 8ª Edição Festival do Chocolate, 28,29 e 30 de Agosto, na Arena Pantanal.

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