Agronegócio

Brasil amplia exportação de gado vivo e mira novos mercados

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As exportações de gado vivo brasileiro registram forte expansão em 2025, com novos mercados em vista além da tradicional parceria com a Turquia. No acumulado de janeiro a abril, foram exportadas 300,6 mil cabeças, um salto comparado às 145,5 mil do mesmo período de 2024, segundo a Scot Consultoria. Em 2024, o país fechou o ano com recorde de 1 milhão de animais embarcados.

No Rio Grande do Sul, estado líder na modalidade, o embarque anual médio gira em torno de 120 mil cabeças, o equivalente a cerca de 1% do rebanho de 12,7 milhões, conforme levantamento da Secretaria da Agricultura. A exportação envolve rigoroso protocolo sanitário e logística complexa: após quarentena em estabelecimentos pré-embarque, os animais são transportados por caminhões até o porto e embarcados em navios para destinos como Turquia, Egito e Jordânia.

Em operação recente, cerca de 9.359 destacados de Capão do Leão e Rio Grande foram embarcados no navio Kenoz com destino ao Egito, enquanto outro lote de 9.876 animais partiu no Polaris diretamente para a Turquia. O rebanho enviado à Turquia tende a ser composto por jovens machos leves, até 180 quilos e com idade média de 24 meses, especialmente valorizados no processo de engorda no país de destino.

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A atração do gado gaúcho no mercado internacional está relacionada à qualidade da genética bovina e ao credenciamento sanitário. O Brasil segue regras internacionais e a Instrução Normativa nº 46 do Ministério da Agricultura disciplina todas as etapas, desde a vistoria nas propriedades e quarentena, até o transporte com cuidados destinados a preservar o bem-estar animal.

Em apenas quatro meses, o volume de carne bovina em pé exportada mais que dobrou, acompanhado por aumento de receita — volume que já supera 300 mil cabeças. A ministra da Agricultura tem destacado apoio institucional para a abertura de novos mercados, incluindo países do Sudeste Asiático como Tailândia e Indonésia, além de interesses emergentes da Malásia e do Irã.

Especialistas apontam que o Brasil pode sustentar o ritmo e alcançar novo recorde em 2025 caso mantenha o apetite de destinos tradicionais, como os árabes, some a isso eficiência logística e atraia novos compradores. O desafio consiste em manter qualidade sanitária, reduzir custos logísticos e garantir mercados estáveis para a expansão sustentável do setor exportador de gado vivo.

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No Senado: tramita um projeto de lei que propõe reduzir gradualmente a exportação de gado vivo, com previsão de extinção em dez anos e proibição total após cinco, além de instituir cotas por porto de embarque (veja aqui).

A proposta será debatida em audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e tem como preocupação central o bem-estar animal, os riscos sanitários e o incentivo à exportação de carne in natura — o que mantém o tema sob alerta institucional, mas até agora não inviabilizou os embarques, especialmente depois da retomada turca.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Crédito ao agro pode atingir R$ 652 bilhões, mas esbarra em limites fiscais

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As negociações para o Plano Safra 2026/27 avançam em meio a discussões sobre o espaço fiscal disponível para subsidiar o crédito rural. A proposta em análise pelo governo prevê ampliar em cerca de 10% os recursos destinados ao financiamento da agropecuária, elevando o montante total para R$ 652 bilhões, além de reduzir em até dois pontos percentuais as taxas de juros para médios e grandes produtores.

Os números ainda estão em discussão entre os ministérios da Agricultura, da Fazenda e do Desenvolvimento Agrário e podem sofrer alterações antes do anúncio oficial, previsto para o início de julho. A principal incógnita é a capacidade do Tesouro Nacional de suportar os custos da equalização dos juros em um cenário de restrições orçamentárias.

Na safra atual, foram disponibilizados R$ 594,4 bilhões para pequenos, médios e grandes produtores. Desse total, R$ 516,2 bilhões foram destinados à agricultura empresarial. A proposta em análise é elevar esse montante para perto de R$ 570 bilhões na temporada 2026/27.

A discussão sobre os juros é considerada o ponto mais sensível das negociações. Caso a proposta seja integralmente atendida, as taxas para médios e grandes produtores poderão cair para cerca de 8% ao ano nas operações de custeio e para até 6,5% em algumas linhas de investimento. Na safra 2025/26, as taxas variaram entre 10% e 14% nas linhas de custeio da agricultura empresarial.

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A possibilidade de redução das taxas depende do início do ciclo de queda da Selic e do espaço fiscal disponível para a equalização dos juros. O mecanismo é utilizado pelo governo para cobrir a diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e a taxa efetivamente paga pelos produtores.

Outra frente das negociações envolve os limites para os spreads bancários. A equipe econômica decidiu manter tetos para o custo administrativo e tributário cobrado pelas instituições financeiras nas operações com recursos equalizados. A medida busca evitar aumento excessivo do custo final do crédito e reduzir a pressão sobre os gastos públicos com subsídios.

No custeio empresarial, por exemplo, o limite para o spread foi fixado em 4,7% ao ano. Quanto maior esse percentual, maior tende a ser o desembolso da União para sustentar as taxas subsidiadas.

A estratégia ocorre em um momento em que instrumentos privados de financiamento ganham espaço no campo. Entre julho de 2025 e maio de 2026, as operações realizadas por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs) e recursos livres movimentaram cerca de R$ 170 bilhões. Os títulos privados passaram a integrar os números do Plano Safra recentemente e vêm compensando parte da retração observada nas linhas tradicionais de crédito.

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Na agricultura familiar, a expectativa é de manutenção das taxas de juros entre 2% e 6% ao ano. O volume de recursos para o segmento poderá chegar a R$ 82 bilhões, alta de cerca de 5% em relação aos R$ 78,2 bilhões disponibilizados na temporada atual.

Os desembolsos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) indicam forte demanda pelos recursos. Até maio, os produtores familiares haviam contratado R$ 60,9 bilhões, o equivalente a quase 80% do total disponível para a safra em curso.

A definição do Plano Safra 2026/27 ocorre em um ambiente de custos financeiros ainda elevados e de crescente demanda por recursos para sustentar a expansão da produção agrícola. O desafio do governo será ampliar a oferta de crédito e, ao mesmo tempo, preservar o equilíbrio das contas públicas em um cenário de restrições fiscais.

A expectativa é que os números finais sejam anunciados no início de julho, quando também deverão ser definidos os volumes de recursos e as taxas de juros para a agricultura empresarial e para os programas voltados à agricultura familiar.

Fonte: Pensar Agro

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