A disputa pela Presidência da República ganhou um novo capítulo de tensão nos bastidores após a candidata do Democracia Cristã (DC), Clariana Barão, acusar o empresário e também candidato Augusto Cury, do Avante, de misoginia durante as articulações políticas para as eleições.
Advogada de Mato Grosso, Clariana afirma que presenciou uma conversa em que Cury teria questionado a decisão do Democracia Cristã de lançar sua candidatura. Segundo ela, o empresário teria usado o termo “advogadinha” ao se referir à candidata e defendido a escolha de um homem para a disputa, que também seria cotado para ocupar a posição de vice em sua própria chapa.
“Ele teve a infelicidade de mandar uma mensagem para o presidente do nosso partido, e eu estava, e eu ouvi, desmerecendo a minha candidatura de uma maneira grotesca. Ele disse: ‘João, você está louco de lançar essa advogadinha que ninguém conhece?’”, relatou Clariana.
Segundo a candidata, Cury estaria articulando paralelamente o lançamento de outro nome para a disputa presidencial.
“Você tem que lançar, e ele trabalhando para lançar outro candidato, um homem, porque ele queria trazê-lo como seu vice”, afirmou.
Disputa por espaço eleitoral
Clariana também relatou que as conversas entre o Avante e o Democracia Cristã envolveriam uma tentativa de aproximação política baseada no tempo de propaganda eleitoral.
De acordo com a candidata, Cury teria argumentado que o Avante possui maior espaço de televisão e rádio, enquanto o DC teria uma estrutura menor para a propaganda eleitoral.
“Ele falou: ‘eu tenho tempo de televisão, você não tem. Então você tem que se unir a mim’”, disse.
Apesar das críticas, Clariana reconheceu que a busca por nomes com maior conhecimento público e potencial eleitoral faz parte da dinâmica partidária. Para ela, porém, esse argumento não justificaria o que considera uma tentativa de desqualificar sua trajetória profissional e pessoal.
“Você apontar alguém sem conhecer a trajetória daquela pessoa, a minha trajetória como ser humano, como pessoa, como profissional, me legitima sim a tomar assento na cadeira de presidente”, declarou.
Candidata fala em contradição
A advogada também questionou o contraste entre a imagem pública de Cury e a postura que, segundo seu relato, teria sido adotada nas articulações internas entre partidos.
Para Clariana, o episódio revelaria uma diferença entre o discurso apresentado diante das câmeras e a forma como o empresário teria tratado sua candidatura nos bastidores.
“Ele não poderia ter me desmerecido de maneira alguma, e isso me mostra um discurso na frente das câmeras que não coaduna com o discurso atrás das câmeras. Absolutamente misógino”, afirmou.
A acusação coloca mais pressão sobre as articulações entre as candidaturas presidenciais e expõe uma disputa que vai além das diferenças programáticas: envolve também espaço político, tempo de propaganda e a escolha dos nomes considerados competitivos para a corrida ao Palácio do Planalto.