O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), voltou a subir o tom contra a aliança entre o Partido Liberal e o MDB em Mato Grosso e afirmou que não fará campanha para o senador Wellington Fagundes (PL) caso a coligação seja mantida. Segundo ele, a decisão está diretamente ligada ao histórico político do ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva, e do ex-governador Silval Barbosa.
As declarações foram dadas após a convenção estadual do MDB, realizada na terça-feira (4), que oficializou a candidatura da deputada estadual Janaina Riva (MDB) ao Senado na chapa encabeçada por Wellington Fagundes ao Governo do Estado.
Para Abilio, Cuiabá ainda sofre as consequências das gestões ligadas aos grupos políticos de Riva e Silval, principalmente pelos problemas de mobilidade urbana decorrentes das obras inacabadas do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
“Cuiabá já pagou uma conta no passado e continua pagando até hoje com o grupo dos Riva, o grupo do Silval. Se temos a cidade rasgada de fora a fora, é por causa desses grupos”, afirmou.
O prefeito reiterou que não participará de atos políticos ao lado do MDB nem pedirá votos para candidatos que integrem a coligação.
“Não vou subir onde estiver o MDB. Não estou com esse grupo. Não estou com o MDB, não estou com Jayme Campos, não estou com os Rivas, não estou com essa turma. Se o Wellington está com eles, eu não estou nesse projeto e não vou fazer parte”, declarou.
Abilio reconheceu que sua posição pode gerar desgaste dentro do próprio PL, mas afirmou que manterá o posicionamento.
“Posso perder eleição, posso ter problema de relacionamento político, mas tenho um posicionamento muito claro. Era contra esse grupo antes, continuo contra, não farei campanha para esse grupo e não me envolverei nele”, disse.
Durante a entrevista, o prefeito também afirmou que não abrirá mão de sua posição por conta de acordos partidários.
“Vou defender o retorno desses grupos ao poder por causa de qualquer aliança partidária? Lógico que não. Tenho responsabilidade com a minha cidade muito mais do que a responsabilidade de qualquer aliança partidária”, ressaltou.
Ao justificar sua resistência, Abilio citou os escândalos de corrupção envolvendo os governos do passado e voltou a relacionar as obras do VLT aos transtornos enfrentados pela população.
“Estou pagando essa conta hoje de viver em uma cidade com mobilidade caótica, com obras que até hoje causam transtornos. E vou defender a volta dessa turma? Não vou fazer isso”, concluiu.
As declarações ampliam a crise interna no PL de Mato Grosso, que enfrenta resistência de parte de seus filiados à composição com o MDB, especialmente em razão da candidatura de Janaina Riva ao Senado. A aliança foi articulada pelo senador Wellington Fagundes como estratégia para fortalecer a chapa majoritária nas eleições de 2026.