Agronegócio
Tarifaço volta a ameaçar os principais produtos da pauta de exportações do agro brasileiro
Publicado em
2 de junho de 2026por
Da Redação
Depois de meses de negociações que pareciam ter afastado o risco de novas barreiras comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o governo americano voltou a colocar sobre a mesa a possibilidade de aplicar um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros.
A medida ainda não entrou em vigor, mas já tem potencial para afetar mercados importantes para o agronegócio nacional. A boa notícia (se é que tem algo de bom nessa guerra) para os produtores é que parte das principais commodities exportadas pelo Brasil podem ficar de fora desta vez
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o momento é de cautela. “É importante que o produtor rural acompanhe esse movimento com atenção, mas sem alarmismo. Quando surgiu a ameaça inicial de tarifas mais elevadas, o mercado temeu um impacto direto sobre algumas das principais cadeias exportadoras do Brasil. Agora, o que se observa é um cenário mais complexo, em que muitos produtos estratégicos para o abastecimento americano aparecem na lista de exceções. Isso reduz os riscos imediatos para boa parte do agronegócio brasileiro, especialmente para segmentos que já possuem forte inserção internacional e elevada competitividade”, avalia Rezende.“Mesmo que as tarifas não atinjam diretamente as principais commodities, a insegurança gerada por esse tipo de disputa afeta decisões de investimento, planejamento de exportações e negociações de longo prazo. O produtor rural precisa entender que, no comércio internacional, a previsibilidade é tão importante quanto o acesso aos mercados. Quanto maior a incerteza, maior tende a ser o custo para toda a cadeia produtiva”, afirma.
“Também é preciso destacar que o agronegócio brasileiro possui hoje uma vantagem que não existia décadas atrás: a diversificação de mercados. O Brasil ampliou significativamente sua presença na Ásia, no Oriente Médio e em outros destinos estratégicos. Isso não significa que o mercado americano perdeu relevância, mas reduz a dependência de um único comprador. O desafio agora é manter o diálogo diplomático aberto, evitar uma escalada das tensões comerciais e preservar a imagem do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, fibras e energia para o mundo”, avalia Isan Rezende.
.A nova ofensiva comercial surge após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de manter práticas consideradas prejudiciais aos interesses econômicos americanos. Com isso, o governo do presidente Donald Trump abriu caminho para a adoção de medidas de retaliação comercial a partir de julho.
Na prática, o que está em discussão é uma nova etapa da disputa iniciada em 2025. Naquele momento, Trump chegou a anunciar tarifas elevadas contra produtos brasileiros, mas as negociações diplomáticas e comerciais entre os dois países reduziram a tensão e impediram a adoção imediata das medidas. Agora, com a conclusão formal da investigação, os Estados Unidos passam a ter respaldo legal para aplicar novas tarifas utilizando a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, o mesmo instrumento usado em disputas comerciais contra a China.
Para o produtor rural, as informações divulgadas até agora, mostram que vários dos principais produtos do agro brasileiro devem permanecer fora da tarifa de 25%. Entre eles estão café, cereais, sementes, frutos oleaginosos, frutas, determinadas carnes e fertilizantes. Também aparecem na lista de exceções produtos considerados estratégicos para a economia americana.
Se essa relação for mantida até a decisão final, os impactos diretos sobre boa parte do agronegócio exportador serão limitados. Isso acontece porque muitos dos produtos agrícolas vendidos pelo Brasil são difíceis de substituir rapidamente pelos compradores americanos, seja por falta de oferta interna nos Estados Unidos, seja pela competitividade da produção brasileira.
O caso do café é um dos exemplos mais claros. Os Estados Unidos estão entre os maiores compradores do café brasileiro e dependem das importações para abastecer seu mercado. Uma tarifa sobre o produto elevaria custos para a própria indústria americana e acabaria sendo repassada ao consumidor final. Por isso, o café aparece entre os itens protegidos da proposta.
O mesmo vale para segmentos ligados a grãos e oleaginosas. A inclusão de sementes e frutos oleaginosos entre as exceções reduz o risco para cadeias importantes da agricultura brasileira, especialmente em um momento em que a demanda internacional por alimentos continua elevada.
A situação das carnes exige um pouco mais de cautela. O documento menciona apenas “determinadas carnes”, sem detalhar quais produtos permaneceriam isentos. Dependendo da redação final da medida, alguns segmentos podem ser beneficiados enquanto outros enfrentariam restrições.
Mesmo com as exceções, especialistas alertam que o impacto sobre o agro não deve ser analisado apenas pela lista de produtos tarifados ou não. O mercado costuma reagir antes mesmo da entrada em vigor das medidas. Empresas exportadoras tendem a adotar uma postura mais conservadora, contratos podem ser renegociados e compradores internacionais passam a buscar alternativas para reduzir riscos.
Outro ponto de atenção é o câmbio. Sempre que há aumento das tensões comerciais entre grandes parceiros econômicos, cresce a volatilidade nos mercados financeiros. Para o produtor exportador, um dólar mais valorizado pode ajudar a compensar parte das perdas de competitividade. Por outro lado, também encarece insumos importados e aumenta a incerteza sobre custos futuros.
Até 15 de julho, prazo estabelecido pelos americanos para a decisão final, o cenário permanece aberto. Para o produtor rural, a mensagem mais objetiva é que, neste momento, não há indicação de um impacto generalizado sobre as principais commodities agrícolas brasileiras. O que existe é um ambiente de maior incerteza comercial, que exige atenção dos exportadores, mas ainda está longe de representar um fechamento do mercado americano para o agro nacional.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócio
Programa que reduziu roubos no campo enfrenta gargalo de comunicação
Published
17 horas agoon
16 de junho de 2026By
Da Redação
Responsável por um dos programas de policiamento rural mais abrangentes do País, o Paraná enfrenta um gargalo tecnológico que ameaça limitar os resultados obtidos nos últimos anos. Apesar da redução de 34,6% nos roubos em propriedades rurais desde 2022, as viaturas da Patrulha Rural da Polícia Militar ainda operam sem conexão via satélite em grande parte das áreas mais remotas do Estado, dificultando a comunicação em regiões sem cobertura de telefonia ou internet.
O problema afeta um programa que reúne 37.362 propriedades cadastradas e mais de 24,6 mil propriedades certificadas. Em 2025, testes realizados pelo próprio governo estadual em Londrina e Tamarana demonstraram a viabilidade do uso de internet via satélite nas viaturas, permitindo comunicação estável mesmo durante os deslocamentos por estradas rurais. Mais de um ano depois, porém, a tecnologia ainda não foi incorporada ao sistema.
A demora levou a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) a cobrar prioridade para a implantação do serviço nas equipes que atuam no campo. A entidade argumenta que a falta de conectividade compromete a capacidade de resposta da polícia justamente nas regiões mais afastadas dos centros urbanos.
“O trabalho da Patrulha Rural é fundamental para a segurança no campo, mas ainda existe um problema que precisa ser resolvido. Em muitas regiões, o produtor não consegue contato com a polícia em situações de emergência porque não há sinal de telefonia ou internet. A tecnologia é indispensável para reduzir essa distância”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Segundo a Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial do Paraná, os testes realizados em 2025 apresentaram resultados considerados positivos e o relatório técnico foi encaminhado à Secretaria de Segurança Pública (Sesp). Em nota, a pasta informou que a Polícia Militar realiza levantamentos para equipar as viaturas da Patrulha Rural, Polícia Ambiental, Batalhão de Fronteira e Polícia Rodoviária, entre outras unidades.
Para Meneguette, os investimentos em conectividade deveriam priorizar o meio rural, onde as limitações de comunicação são maiores.
“Pela própria dimensão territorial, é impossível manter equipes em todos os locais com rapidez. Por isso, a comunicação é uma ferramenta estratégica. O Paraná construiu um modelo de segurança rural que se tornou referência para outros Estados, mas é preciso avançar em tecnologia para garantir que esse sistema continue eficiente”, diz.
A discussão ocorre em um momento em que a criminalidade no campo exige respostas cada vez mais rápidas e em que Estados produtores buscam ampliar o uso de tecnologias de monitoramento e comunicação nas áreas rurais. Especialistas em segurança pública avaliam que a conectividade tende a se tornar um dos principais pilares do policiamento rural nos próximos anos.
Fonte: Pensar Agro
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