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CPI da Saúde participa de inspeção técnica no Hospital Central ao lado do TCE

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Foto: Alexandre Alonso/Assessoria de Gabinete

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Wilson Santos (PSD) realizou ,nesta terça-feira (27), uma inspeção técnica no Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso, administrado pelo Einstein Hospital Israelita, em Cuiabá. A vistoria ocorreu a convite do conselheiro Guilherme Antônio Maluf, presidente da Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

A agenda integra os trabalhos de fiscalização conduzidos pela CPI da Saúde – que teve o escopo de trabalho ampliado até dezembro de 2025 – e tem como objetivo verificar a legalidade da prestação dos serviços, analisar contratos firmados pelo Estado e subsidiar futuras medidas de controle e auditoria. Também participaram da visita os deputados estaduais Dr. Eugênio (Republicanos) e Dr. João (MDB) que integram a Comissão de Saúde da ALMT e o suplente Enfermeiro Dejamir Soares (PSDB).

A comitiva foi recebida pela secretária adjunta do Complexo Regulador da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Fabiana Bardi, além da diretora da unidade hospitalar, Alessandra Bokor, e equipes técnicas responsáveis pela operação do hospital.

Durante a apresentação, Fabiana explicou que todos os pacientes atendidos no Hospital Central são encaminhados pela Central de Regulação do Estado, justamente por se tratar de uma unidade voltada exclusivamente à alta complexidade. “São casos mais críticos, pacientes que precisam de cirurgia, exames sofisticados ou apresentam maior risco de vida. Por isso, não existe atendimento de porta aberta. É necessário que haja um diagnóstico médico e encaminhamento prévio pela regulação estadual”, explicou.

De acordo com ela, atualmente o hospital opera com 115 leitos ativos e deverá atingir 287 leitos em funcionamento até o fim de julho ou início de agosto. “Estamos trabalhando por etapas. Há um protocolo de implantação e adequação dos serviços para que o hospital alcance o pleno funcionamento”, informou Bardi.

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A secretária também detalhou a estrutura tecnológica da unidade, destacando equipamentos de ressonância magnética, tomografia, arteriografia, cateterismo, endoscopia e colonoscopia. Em relação a ala de hemodinâmica, ela explica que já está em operação com um dos dois equipamentos previstos. “A hemodinâmica já está funcionando e é fundamental para procedimentos cardíacos e vasculares minimamente invasivos. A segunda sala será ativada posteriormente”, disse.

A diretora do hospital, Alessandra Bokor, explicou que o contrato firmado com o Governo do Estado prevê pagamentos proporcionais à ampliação da capacidade operacional da unidade. “Hoje, ainda não recebemos o valor integral previsto contratualmente, porque o hospital está em fase de expansão. O repasse total deve ocorrer quando os 287 leitos operacionais previstos nesta etapa estiverem ativos, o que provavelmente acontecerá em julho”, esclareceu.

Ela informou ainda que, antes da abertura da unidade, houve um investimento pré-operacional de aproximadamente R$ 45 milhões para custear despesas iniciais, implantação tecnológica, aquisição de equipamentos e implantação do prontuário eletrônico Aplicativo de Gestão para Hospitais Universitários (AGHU), além da plataforma de cirurgia robótica.

Ao ser questionada por Wilson Santos sobre a compra de equipamentos diretamente pela administração hospitalar e não pelo estado, Alessandra afirmou que a medida buscou garantir maior agilidade e qualidade técnica. “Temos transparência em todos os processos. As compras passam por análise da Secretaria de Saúde e conseguimos ganhos de escala e melhor negociação de mercado. Muitas vezes, o setor público enfrenta dificuldades para encontrar equipamentos com a qualidade necessária”, explicou.

A direção da unidade informou ainda que o hospital já realiza cirurgias oncológicas de alta complexidade e que os pacientes em tratamento quimioterápico continuarão sendo encaminhados para a Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, cuja referência permanece ativa dentro da rede estadual. Já as especialidades previstas para operação completa da unidade estão neurocirurgia, ortopedia, cirurgia cardiovascular, cirurgia pediátrica, urologia, ginecologia, cirurgia torácica e vascular, sendo que as cirurgias robóticas já começaram nas áreas urológica e ginecológica.

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Ao final da inspeção, Wilson Santos afirmou ter ficado impressionado com a estrutura física do hospital, mas ressaltou que a CPI seguirá investigando possíveis irregularidades financeiras e contratuais. “Eu, pessoalmente, não conhecia o Hospital Central. Hoje, nós temos uma estrutura que posso considerar uma das melhores do estado, seja pública ou privada. Agora, a CPI vai aprofundar a análise documental, verificar os gastos, os contratos, a transparência e se tudo está sendo cumprido corretamente”, declarou.

O parlamentar também destacou o papel dos ex-governadores na construção da unidade. “Quero parabenizar os ex-governadores Júlio Campos (União) pela idealização do hospital e Mauro Mendes (União) pela conclusão da obra. É um hospital que orgulha Mato Grosso e vai atender 100% SUS (Sistema Único de Saúde), principalmente a população mais humilde”, declarou.

Já o conselheiro Guilherme Maluf destacou que a próxima etapa será a análise documental e financeira da gestão hospitalar. “A visita física foi muito produtiva, mas agora teremos uma etapa mais complexa, que será a análise dos documentos, contratos e prestação de contas. Algumas especialidades ainda não entraram em operação, mas recebemos a garantia de que até julho serviços como neurocirurgia, cirurgia cardíaca, vascular e torácica estarão funcionando”, pontuou.

De acordo com o conselheiro do TCE, a fiscalização faz parte de uma série de inspeções motivadas por denúncias relacionadas à prestação de serviços de saúde em Mato Grosso, incluindo possíveis irregularidades contratuais, insuficiência de insumos e descontinuidade de atendimento. A próxima inspeção técnica que os integrantes da CPI da Saúde marcarão presença, está marcada na manhã do dia 12 de junho, no Hospital Regional de Cáceres.

Fonte: ALMT – MT

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Grupo de Trabalho da ALMT debate impactos sociais e ambientais da inteligência artificial

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta segunda-feira (15), mais uma reunião do Grupo de Trabalho (GT) responsável por acompanhar, promover estudos e propor medidas relacionadas à implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). A principal pauta do encontro foi a palestra “O custo social e ambiental da Inteligência Artificial diante dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU”, ministrada pelo advogado, biólogo e mestrando em Política Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Luiz Felipe Goffi Portela.

Participaram da reunião o presidente do GT, André Luis Rufino, a relatora Clara Vaz e o secretário José Carlos Bazan. O debate abordou os impactos da crescente utilização da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho, o consumo de energia e água, além dos desafios relacionados à desigualdade social e aos vieses presentes nos sistemas tecnológicos.

Durante a palestra, Luiz Felipe Goffi Portela destacou a necessidade de ampliar o debate sobre a inteligência artificial para além dos benefícios normalmente divulgados pelas grandes empresas de tecnologia.

“É importante que nós tenhamos uma discussão além da publicidade e dessa magia que é vendida por essas empresas. Precisamos entender o que existe por trás dessa tecnologia e quais são os impactos que ela gera para a sociedade”, afirmou.

Segundo o palestrante, a inteligência artificial depende de uma enorme estrutura física e humana para funcionar. Ele explicou que os sistemas utilizam grandes volumes de dados, demandam equipamentos de alta capacidade e consomem grandes quantidades de energia e água por meio dos data centers.

Foto: Hideraldo Costa/ALMT

“Quando falamos em nuvem, muitas pessoas imaginam algo abstrato, mas essa nuvem é formada por data centers espalhados pelo mundo. Existe uma estrutura física gigantesca sustentando esses sistemas, e isso tem custos ambientais e sociais que muitas vezes não aparecem para o usuário final”, observou.

Outro ponto destacado foi o impacto da inteligência artificial sobre o trabalho. De acordo com o especialista, parte da tecnologia é alimentada por trabalhadores que realizam tarefas repetitivas e pouco valorizadas, muitas vezes em países em desenvolvimento.

“A inteligência artificial não aprende de forma mágica. Ela depende de milhões de dados que são organizados e tratados por pessoas. Muitas dessas atividades são mal remuneradas e não geram qualificação profissional para quem as executa”, explicou.

Na área ambiental, Portela alertou para o elevado consumo de recursos naturais necessários para manter os data centers em funcionamento.

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“Essas estruturas possuem uma pegada hídrica muito forte. São bilhões de litros de água utilizados para resfriar os equipamentos, além de uma demanda crescente por energia elétrica. Precisamos avaliar quais são os benefícios que essas instalações deixam para as comunidades onde são implantadas”, afirmou.

A relatora do GT, Clara Vaz, chamou atenção para a necessidade de refletir sobre formas de reduzir os impactos gerados pelo uso crescente da inteligência artificial.

“Quando discutimos desenvolvimento sustentável, o objetivo é justamente reduzir os impactos sociais, econômicos e ambientais. Diante desse cenário, precisamos refletir sobre o uso consciente da inteligência artificial e sobre mecanismos que possam minimizar esses efeitos”, destacou.

Ao responder aos questionamentos da relatora, Luiz Felipe afirmou que a inteligência artificial já está integrada a diversas atividades do cotidiano e dificilmente deixará de ser utilizada. Para ele, o caminho passa pela conscientização e pela criação de regras que garantam um desenvolvimento mais equilibrado da tecnologia.

“Não acredito que seja possível simplesmente parar de usar a inteligência artificial. O principal é compreender os impactos gerados por essa tecnologia e avançar no debate sobre formas de regulação que permitam um uso mais sustentável e responsável”, defendeu.

Durante a palestra, Luiz Felipe Goffi Portela também chamou atenção para os riscos relacionados às bases de dados utilizadas para treinar os sistemas de inteligência artificial. Segundo ele, como essas tecnologias aprendem a partir de informações produzidas pela própria sociedade, acabam reproduzindo preconceitos e desigualdades já existentes.

“O problema é que a inteligência artificial não cria conhecimento sozinha. Ela aprende com os dados que recebe. Se a sociedade produz desigualdades e preconceitos, esses padrões também podem aparecer nos sistemas”, explicou.

O palestrante apresentou exemplos de pesquisas internacionais que apontam falhas em sistemas de reconhecimento facial, especialmente na identificação de pessoas negras. Segundo ele, estudos demonstram taxas de erro significativamente maiores quando a tecnologia é aplicada a mulheres negras em comparação com homens brancos.

Portela também destacou casos já registrados no Brasil em que cidadãos foram abordados ou detidos injustamente após erros em sistemas automatizados de reconhecimento facial.

“Quando um sistema erra, precisamos discutir quem será responsabilizado por esse erro e quais mecanismos de fiscalização existem para evitar que a tecnologia prejudique a vida das pessoas”, alertou.

Outro exemplo apresentado envolveu a geração de imagens por inteligência artificial. O pesquisador demonstrou que, ao solicitar imagens de pessoas em determinadas profissões ou condições sociais, os sistemas tendem a reproduzir estereótipos raciais e econômicos presentes nos bancos de dados utilizados para o treinamento das plataformas.

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Para ele, o avanço da inteligência artificial exige transparência, auditorias independentes e mecanismos de controle social capazes de identificar possíveis vieses discriminatórios.

“A tecnologia não é neutra. Ela reflete os dados que recebe e as escolhas feitas durante seu desenvolvimento. Por isso, é fundamental que haja fiscalização e acompanhamento desses sistemas”, afirmou.

Além de apresentar os impactos sociais, ambientais e econômicos da inteligência artificial, o palestrante também sugeriu possíveis frentes de atuação para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Entre elas, a criação de mecanismos de acompanhamento e fiscalização da implantação de sistemas de inteligência artificial utilizados pelo poder público, especialmente nas áreas de segurança, reconhecimento facial e prestação de serviços à população.

O palestrante defendeu ainda a realização de auditorias independentes em sistemas automatizados, o fortalecimento da transparência no uso de algoritmos e a ampliação do debate sobre a regulação da inteligência artificial, de forma a garantir que a inovação tecnológica esteja alinhada à proteção dos direitos fundamentais e aos princípios da Agenda 2030.

Segundo ele, a participação do Poder Legislativo é fundamental para avaliar os impactos dessas tecnologias antes de sua adoção em larga escala.

“Faz parte do papel da Assembleia pensar como esse uso será construído e fiscalizar de fato esses sistemas. Muitas vezes se observa apenas o resultado apresentado pela tecnologia, mas é preciso também avaliar os erros e os impactos que podem atingir a população”, destacou.

O presidente do Grupo de Trabalho, André Luis Rufino, destacou que o debate contribui diretamente para os trabalhos desenvolvidos pela ALMT em torno da Agenda 2030 e poderá subsidiar futuras iniciativas legislativas.

“Essa discussão é extremamente importante porque a inteligência artificial já está presente no cotidiano das pessoas e na administração pública. O Grupo de Trabalho, criado por iniciativa do deputado estadual Wilson Santos (PSD), tem justamente a missão de estudar esses temas, identificar desafios e buscar caminhos para que Mato Grosso avance de forma sustentável. As sugestões apresentadas durante a palestra serão analisadas e poderão subsidiar indicações, propostas legislativas e outras medidas que venham a ser discutidas e tramitadas na Assembleia Legislativa”, pontuou André Luis.

Fonte: ALMT – MT

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