Em pronunciamento no Plenário nesta terça-feira (19), o senador Sergio Moro (PL-PR) criticou a substituição do delegado da Polícia Federal responsável pelas investigações sobre fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo o parlamentar, o delegado que foi substituído atuava com independência nas apurações e conduzia diligências que abrangiam suspeitas relacionadas ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao elogiar a atuação do delegado (Guilherme Figueiredo Silva), Moro afirmou que a troca ocorreu sem justificativa pública e sem comunicação prévia ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso.
— Causa perplexidade que, num caso dessa envergadura, os policiais e o policial-chefe responsável tenham sido substituídos sem que exista uma causa, sem que exista um motivo que possa ser exposto publicamente. Faço um paralelo com a Operação Lava Jato. Se houvesse a substituição, naquela época, de algum delegado responsável pela condução das investigações ou do próprio superintendente da Polícia Federal, em Curitiba, haveria uma revolta popular — disse.
Moro informou ainda que a oposição apresentou um requerimento para convocar o diretor-geral da Polícia Federal ao Congresso Nacional, a fim de que ele preste esclarecimentos sobre essa substituição.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), reagiu nesta quarta-feira (2) à pressão da oposição para que dê andamento aos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante sessão no plenário, Alcolumbre saiu em defesa de Moraes e afirmou que as críticas ao ministro ignoram a relação de outras figuras públicas com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, atualmente no centro das investigações.
“Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa [Vorcaro] para fazer um filme. E agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou.
A declaração foi uma referência ao filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o senador Flávio Bolsonaro teria procurado Vorcaro em busca de recursos para a produção. Documentos e conversas tornados públicos apontam para negociações que chegaram à casa dos R$ 130 milhões.
A fala ocorre em meio ao aumento da pressão sobre Alcolumbre para que coloque em discussão os pedidos de impeachment contra Moraes. O presidente do Senado, porém, ainda não indicou quando pretende tomar uma decisão. Questionado sobre uma eventual previsão, respondeu que “não tem”.
O nome de Moraes passou a ser alvo de novas cobranças após a divulgação de mensagens atribuídas ao ministro e a Vorcaro, além de informações sobre contratos envolvendo o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado. Um dos contratos citados nas investigações teria valor de R$ 131 milhões.
Alcolumbre afirmou ainda que pretende voltar ao assunto e fazer um relato mais amplo sobre os episódios que vêm sendo discutidos no Congresso.
“Eu vou fazer um relato de tudo que eu quero falar”, declarou.
A manifestação do presidente do Senado desloca parte do foco da crise envolvendo Moraes para as relações de Vorcaro com diferentes personagens do cenário político. A disputa ocorre em um momento de forte tensão entre oposição, Senado e Supremo, com o caso ganhando também dimensão eleitoral.
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