Agronegócio

Estado avança como nova fronteira de grãos fora da janela tradicional

Publicado em

A expansão da produção de grãos no Norte do país entrou no radar técnico e estratégico na última semana, com a realização do Encontro Técnico sobre o Cultivo de Grãos em Roraima, promovido pela Embrapa Roraima. O evento reuniu pesquisadores, produtores e representantes do setor para discutir tecnologias e caminhos para consolidar o Estado como nova fronteira agrícola.

Roraima ainda tem participação pequena no volume nacional, mas cresce em ritmo acelerado. A área de grãos no Estado já supera 100 mil hectares, com destaque para soja e milho, e apresenta potencial de expansão em áreas de cerrado ainda pouco exploradas, com topografia favorável e possibilidade de mecanização.

O principal diferencial da região está na janela de produção. Por estar próxima à linha do Equador, Roraima permite cultivo em períodos distintos do Centro-Oeste, abrindo oportunidade para produção fora da janela tradicional e integração com cadeias já consolidadas no restante do país.

Durante o encontro, a ênfase esteve em sistemas produtivos adaptados às condições locais. Tecnologias como integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), uso de bioinsumos, manejo de solo e controle biológico foram apresentados como base para viabilizar a expansão com sustentabilidade e menor custo.

Leia Também:  Safras: área plantada de milho deve recuar 0,1% em 2022/2023

Outro eixo central foi a fertilidade do solo, considerada um dos principais desafios da região. O debate incluiu estratégias de correção e manejo, além da discussão sobre o Plano Nacional de Fertilizantes, tema tratado por representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária durante o evento.

A participação de diferentes centros de pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária — incluindo unidades especializadas em soja, milho, trigo e meio ambiente — reforça o esforço de adaptar tecnologias já consolidadas em outras regiões às condições específicas do Norte.

Na prática, o encontro serviu para alinhar pesquisa e produção. A estratégia é evitar erros de outras fronteiras agrícolas, acelerando a adoção de tecnologia desde o início e reduzindo riscos produtivos.

O governo estadual também apresentou perspectivas de crescimento da atividade, apoiada na ampliação de área, melhoria de infraestrutura e atração de investimentos. A iniciativa conta ainda com apoio de entidades do setor, como associações de produtores e o Sebrae, sinalizando interesse crescente na região.

Para o produtor, o movimento indica abertura de uma nova fronteira — com potencial, mas ainda dependente de ajuste técnico, logística e consolidação de mercado. O avanço de Roraima no mapa dos grãos deve ocorrer de forma gradual, condicionado à capacidade de transformar conhecimento em produtividade consistente no campo.

Leia Também:  Anec: soja, milho e farelo devem atingir 15 milhões de toneladas em setembro

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Agronegócio

Centro de inovação mira avanço da produção brasileira de azeite de oliva

Published

on

O Rio Grande do Sul, responsável por mais de 80% da produção brasileira de azeite de oliva, começou a estruturar um novo movimento para fortalecer tecnicamente a olivicultura nacional. A criação de um Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura pretende ampliar estudos sobre adaptação climática, produtividade e qualidade dos azeites produzidos no estado, em uma tentativa de reduzir a instabilidade causada pelas variações do clima e consolidar a cadeia produtiva no país.

A iniciativa reúne universidades, governo estadual e produtores rurais em uma parceria articulada pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura. O protocolo foi assinado durante a Abertura Oficial da Colheita da Oliva, realizada em Triunfo, e envolve a participação da Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal de Pelotas, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, além de secretarias estaduais ligadas à inovação e agricultura.

O projeto surge em um momento de expansão da olivicultura brasileira, mas também de crescente preocupação com os efeitos climáticos sobre a produção. O Rio Grande do Sul concentra praticamente toda a produção comercial de azeite extravirgem do país, porém enfrenta oscilações frequentes de safra provocadas por estiagens, excesso de chuva, geadas e variações térmicas durante períodos críticos do desenvolvimento das oliveiras.

Leia Também:  Aprosoja-MT questiona previsão de safra recorde de soja da Conab

Nos últimos anos, o estado ganhou reconhecimento internacional pela qualidade dos azeites produzidos localmente. Marcas gaúchas acumulam premiações em concursos internacionais, especialmente pela qualidade sensorial dos azeites extravirgens produzidos em regiões da Campanha, Serra do Sudeste e fronteira oeste gaúcha. Apesar disso, o setor ainda busca estabilidade produtiva para consolidar escala comercial.

A proposta do novo centro é justamente aproximar ciência e produção rural. A estrutura deverá atuar em pesquisas voltadas à adaptação de cultivares ao clima gaúcho, manejo de olivais, controle fitossanitário, qualidade industrial, certificação de origem e desenvolvimento de tecnologias capazes de aumentar produtividade e reduzir perdas.

Segundo lideranças do setor, um dos principais gargalos da olivicultura brasileira ainda está dentro da porteira. A produção nacional de azeite continua pequena frente ao consumo interno, que depende majoritariamente de importações vindas de países como Portugal, Espanha e Argentina. O Brasil consome mais de 100 milhões de litros de azeite por ano, enquanto a produção nacional representa apenas uma fração desse volume.

Leia Também:  Com a colheita finalizando, safra tem projeções revisadas para cima e deve ser recorde

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA