Agronegócio

Plano Safra 25/26 será anunciado hoje com expectativa de orçamento recorde

Publicado em

O governo federal anuncia nesta segunda-feira (30.06) e terça-feira (1º.07) as condições do Plano Safra 2025/2026, voltado, respectivamente, para a agricultura familiar e empresarial. A expectativa do setor é que o volume total de recursos supere os R$ 600 bilhões, renovando o recorde histórico registrado na temporada anterior, quando foram destinados R$ 584,5 bilhões ao financiamento da produção agropecuária nacional.

Do total aplicado em 2024/2025, cerca de R$ 400,5 bilhões foram alocados à agricultura empresarial, R$ 76 bilhões ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e outros R$ 108 bilhões por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs) direcionadas, modalidade que passou a integrar o montante oficial do plano.

Até abril de 2025, o sistema financeiro já havia desembolsado R$ 298,6 bilhões em crédito rural, cerca de 80% do total previsto. Os recursos foram destinados principalmente para custeio, comercialização e investimentos em todo o território nacional.

Apesar da magnitude dos valores, o início da liberação dos recursos sofreu desaceleração. Nos dois primeiros meses da safra, houve redução de 40% nos desembolsos, atribuída a exigências ambientais e ao ambiente de juros elevados, com a taxa básica (Selic) ainda mantida em 14,75%. O cenário pressionou os custos de equalização e tornou o planejamento do novo plano um dos mais complexos dos últimos anos.

Com o objetivo de manter a oferta de crédito rural sem onerar o Tesouro, o governo deverá ampliar a exigibilidade dos depósitos à vista (de 31,5% para patamar superior) e das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), de 50% para 60%. A estimativa é que essas mudanças possam injetar R$ 64 bilhões adicionais em recursos direcionados, sem impacto direto no orçamento público.

Leia Também:  Exportações de ovos do Brasil crescem 40% em outubro: R$ 31,9 milhões

Além do crédito oficial, o setor privado deverá continuar exercendo papel estratégico na composição do Plano Safra. Na safra 2024/2025, CPRs lastreadas em LCAs representaram quase R$ 200 bilhões, e a expectativa é que esse modelo se consolide como um dos principais mecanismos de financiamento rural. As LCAs também devem reforçar as linhas de juros livres com R$ 128,7 bilhões adicionais.

A composição total do plano contará ainda com recursos dos Fundos Constitucionais de Financiamento (FCO, FNE e FNO), Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), além de valores operados pelo BNDES e recursos próprios das instituições financeiras. Em 2024/2025, os recursos livres aplicados já somavam R$ 17,9 bilhões até maio.

Três grandes desafios

O lançamento do Plano Safra 25/26 ocorre em meio a três preocupações centrais por parte do setor produtivo, de instituições financeiras e do próprio governo:

  1. Juros elevados
    Foi confirmada a elevação das taxas em quase todas as linhas de crédito, variando entre 1,5 e 2,5 pontos percentuais. Para o Pronaf, o teto de aumento será de 2 pontos. Já o Pronamp, voltado aos médios produtores, poderá atingir até 10% ao ano. Linhas específicas, como as voltadas à agroecologia, devem permanecer com taxas mais baixas em alinhamento com compromissos ambientais assumidos pelo país.

  2. Pressão entre demanda e limite fiscal
    Há forte demanda por ampliação dos recursos, especialmente em linhas de investimento com juros equalizados. Ao mesmo tempo, a política de contenção de despesas e o congelamento de R$ 455,1 milhões no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) elevaram a tensão na formulação final do plano. As entidades do setor aguardam com expectativa o anúncio do volume real que será disponibilizado para a nova safra.

  3. Previsibilidade e agilidade na execução
    Na safra anterior, o atraso na liberação dos recursos e a insegurança regulatória, com destaque para as exigências vinculadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), foram alvo de críticas. Para 2025/2026, o setor produtivo reivindica maior clareza desde o início, de forma a garantir eficiência no acesso ao crédito.

Leia Também:  Bruxelas propõe salvaguardas para viabilizar acordo com Mercosul

Expectativas regionais e privadas

Além da política oficial, cooperativas e instituições financeiras já se mobilizam para ampliar sua participação. Em algumas regiões, já se estima expansão de 20% no volume de crédito liberado em comparação com a safra anterior. Estados como Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro devem concentrar boa parte desse aumento.

O anúncio oficial da agricultura familiar acontece às 10h desta segunda-feira. Já as condições completas para a agricultura empresarial serão detalhadas ao longo da terça-feira (1º/7). A expectativa do setor é por um plano robusto, capaz de manter o fluxo de investimentos no campo e garantir o abastecimento e a competitividade do agro brasileiro em um ano marcado por incertezas fiscais e desafios climáticos.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Agronegócio

Tratado entra em vigor nesta sexta e inaugura nova fase para as exportações brasileiras

Published

on

A entrada em vigor provisória do acordo comercial entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia, nesta sexta-feira (1º.05), inaugura uma nova etapa para as exportações brasileiras. A redução imediata de tarifas para mais de 5 mil produtos não significa apenas vender mais barato para a Europa. Na prática, o acordo muda a régua de competitividade do Brasil em um mercado de alto poder de compra, forte exigência sanitária e crescente pressão ambiental.

O impacto inicial será mais visível na indústria. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos bens exportados pelo Brasil à União Europeia passam a ter tarifa zero já na primeira fase. Dos 2.932 produtos que terão imposto eliminado agora, 2.714 são industriais. A lista inclui máquinas, equipamentos, produtos químicos, metalurgia, componentes mecânicos e materiais elétricos.

Mas o efeito para o agronegócio não deve ser lido apenas pela porteira. A maior oportunidade está na agroindústria, nos alimentos processados, nos insumos, nas máquinas agrícolas, nos equipamentos de irrigação, na cadeia de embalagens, na logística e em segmentos capazes de agregar valor à produção primária. O Brasil já é competitivo em volume. O desafio, agora, será capturar margem.

A União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Em 2025, a corrente de comércio entre os dois lados chegou a cerca de US$ 100 bilhões, com exportações brasileiras de US$ 49,8 bilhões e importações de US$ 50,3 bilhões. Apesar do tamanho da relação, a participação do Brasil nas compras totais europeias ainda é baixa: cerca de 1,6%, segundo estudo divulgado pela ApexBrasil.

Esse dado ajuda a explicar a aposta do governo e do setor privado. O acordo não muda apenas tarifas; ele tenta recolocar o Brasil em um mercado no qual o país tem presença relevante, mas ainda concentrada em commodities. A pauta brasileira para a União Europeia segue marcada por petróleo bruto, café não torrado, soja, celulose e minérios. A abertura tarifária cria espaço para diversificação, mas não garante avanço automático.

No agro, os produtos mais sensíveis terão tratamento diferente. Carne bovina, carne de frango, açúcar, etanol, arroz e mel entram em regimes de cotas, com volumes limitados e implantação gradual. A União Europeia autorizou, por exemplo, uma cota de 99 mil toneladas de carne bovina do Mercosul com tarifa de 7,5%, sem acesso livre total. Para aves, a cota será de 180 mil toneladas, com tarifa zero e faseamento em cinco anos. No açúcar, não haverá nova cota para o Brasil: 180 mil toneladas de açúcar bruto de cana para refino entram com tarifa zero dentro de uma cota já existente.

Leia Também:  UE decide aplicar o acordo provisoriamente. Veja como está a ratificação por aqui

O desenho mostra que a abertura agrícola será controlada. A União Europeia buscou proteger seus produtores em cadeias politicamente sensíveis, sobretudo carne, açúcar e aves. Além das cotas, o acordo prevê salvaguardas bilaterais: se houver aumento de importações capaz de causar dano ou ameaça de dano a setores europeus, a redução tarifária pode ser suspensa ou revista.

Para o produtor brasileiro, isso significa que o ganho não virá apenas por volume. A disputa será por regularidade, rastreabilidade, sanidade, padronização e cumprimento de exigências ambientais. A própria Comissão Europeia afirma que, a partir do fim de 2026, apenas produtos livres de desmatamento poderão entrar no mercado europeu em cadeias como soja, carne bovina, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma.

É nesse ponto que o acordo deixa de ser apenas comercial e passa a ter efeito estratégico dentro da porteira. Quem exporta ou fornece para exportadores terá de comprovar origem, aderência sanitária, documentação e conformidade ambiental. A tarifa menor abre a porta; a burocracia técnica define quem consegue atravessá-la.

A indústria de máquinas e equipamentos deve ser uma das primeiras beneficiadas. Cerca de 96% das exportações brasileiras do setor para a Europa terão tarifa zerada, incluindo compressores, bombas industriais e peças mecânicas. Para o agro, o efeito indireto pode aparecer em duas frentes: mais competitividade para fabricantes nacionais que exportam tecnologia e maior pressão sobre empresas brasileiras expostas à concorrência europeia no mercado interno.

O acordo também altera a posição brasileira na rede global de comércio. Hoje, os países com os quais o Brasil mantém acordos comerciais representam cerca de 9% das importações mundiais. Com a União Europeia, esse universo pode superar 37%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a liberalização pode alcançar mais de 90% do comércio bilateral ao longo da implementação.

Ainda assim, o resultado dependerá da capacidade de uso do acordo pelas empresas. Para acessar a tarifa preferencial, exportadores terão de cumprir regras de origem, apresentar declaração adequada e atender aos procedimentos alfandegários previstos. A Comissão Europeia informou que produtos em trânsito ou armazenados temporariamente na data de início da aplicação provisória também poderão solicitar tratamento preferencial, desde que o importador apresente declaração de origem em até seis meses.

Isan Rezende

A entrada em vigor ocorre em meio a um ambiente global mais protecionista. A União Europeia busca reduzir dependências externas e diversificar fornecedores, enquanto o Brasil tenta ampliar mercados diante de disputas comerciais e barreiras tarifárias em outras praças. Nesse tabuleiro, o acordo com o bloco europeu é menos um ponto de chegada e mais um teste de competitividade.

Leia Também:  Plantio de soja 2022/23 atinge 74% da área no Brasil

“A entrada em vigor marca um avanço importante, mas é preciso separar o que é oportunidade imediata do que é promessa de médio prazo. A tarifa menor ajuda, sem dúvida, mas o acesso ao mercado europeu não é automático. Ele depende de padrão, de regularidade e, principalmente, de capacidade de atender exigências que vão além do preço”, comentou o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende.

Isan lembra que o produtor brasileiro é competitivo dentro da porteira e que o desafio está fora dela. “Logística cara, insegurança regulatória e mudanças constantes nas regras internas acabam reduzindo parte desse ganho que o acordo pode trazer. Se o Brasil não resolver esses gargalos, a vantagem tarifária pode ficar no papel”.

“Outro ponto que precisa ser observado é a forma como as exigências ambientais e de rastreabilidade serão aplicadas. Não se trata de rejeitar esses critérios, mas de garantir que haja previsibilidade e isonomia. O risco é criar um cenário em que o produtor brasileiro precise cumprir requisitos cada vez mais complexos sem ter, na mesma medida, segurança jurídica e condições equivalentes de competição”, comentou o presidente do IA.

Para o setor, a mensagem é direta: a Europa continuará comprando alimentos, fibras e energia, mas comprará cada vez mais de quem conseguir provar origem, qualidade e conformidade. O Brasil tem escala. Falta transformar essa escala em valor agregado, previsibilidade e reputação. O acordo reduz tarifas; a exigência europeia continuará alta.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA