POLÍTICA NACIONAL

Brics: senadoras veem oportunidade para ampliar participação feminina

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Com os olhos voltados para a construção de uma agenda internacional mais inclusiva e equitativa, senadoras se preparam para participar da 11ª edição do Fórum Parlamentar do Brics. O evento, que será realizado entre os dias 3 e 5 de junho, em Brasília, é visto pelas parlamentares como uma oportunidade estratégica para ampliar o protagonismo feminino nas relações multilaterais, fortalecer a atuação legislativa das mulheres dentro do grupo e ampliar os debates sobre temas globais sob a perspectiva de gênero. 

A participação das senadoras se concentra, especialmente, na Reunião de Mulheres Parlamentares do Brics, que antecede a abertura oficial do evento. A abertura da reunião será na terça-feira (3), a partir das 10h30, com três sessões de trabalho para discutir temas como: a inclusão feminina na economia digital; os impactos da crise climática sob a perspectiva de gênero; e o papel das mulheres na agenda estratégica do bloco. O primeiro painel, intitulado “Mulheres na Era da Inteligência Artificial: entre a proteção de direitos e a inclusão feminina na economia digital”, marca a abertura desses debates.

Entre as falas previstas neste primeiro encontro estão as de representantes de Arábia Saudita, China, Índia, Egito e Irã. 

Para as representantes brasileiras, a Reunião de Mulheres Parlamentares do Brics reforça o compromisso do Brasil com a equidade de gênero e oferece uma plataforma de diálogo essencial para integrar a voz feminina às decisões globais sobre desenvolvimento sustentável, inovação e justiça social.

Na avaliação da senadora Eliziane Gama (PSD-MA), o encontro representa uma oportunidade para que legisladores formulem políticas públicas com impacto direto na vida de milhões de pessoas, como as relacionadas à conscientização e à mobilização por mais mulheres nos espaços de poder.

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Ela enfatizou ainda o protagonismo feminino brasileiro em áreas como meio ambiente e desenvolvimento, citando a atuação da ministra Marina Silva na pauta ambiental e da ex-presidente da República, Dilma Rousseff, à frente do Novo Banco de Desenvolvimento (conhecido como Banco do Brics).

— O Brasil tem a honra de sediar tal encontro e poderá mostrar ao mundo experiências como a da ministra Marina Silva na questão ambiental e da sustentabilidade. Podemos destacar ainda a experiência de Dilma Rousseff à frente do Banco do Brics, que tem a missão de fomentar as economias de países emergentes e em desenvolvimento. Portanto, a nossa expectativa é que o evento traga trocas de experiências enriquecedoras para homens e mulheres que estarão reunidos nestes dias em Brasília discutindo os grandes temas da contemporaneidade — disse Eliziane em entrevista à Agência Senado. 

A expectativa também é compartilhada por outras parlamentares que terão papel ativo na programação. A senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), que irá presidir um dos debates do fórum, destacou a importância de se construir um pacto em favor da equidade de gênero nos espaços institucionais.

— Nosso objetivo é criar um debate de caminhos possíveis para um pacto dentro do Brics, respeitando as autonomias, obviamente, mas ao mesmo tempo entendendo que existe uma marcha mundial pela maior participação da mulher na política — afirmou ela à TV Senado. 

Já a deputada federal Jack Rocha (PT-ES), que também vai presidir uma das sessões da Reunião de Mulheres Parlamentares do Brics, ressaltou o papel de liderança exercido pelas mulheres no Congresso Nacional e como elas podem contribuir ainda mais para incentivar a inserção das mulheres na política. 

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— Mesmo com somente 18% do Congresso Nacional, nós estamos diante da maior bancada feminina da história [do Parlamento brasileiro]. Somos responsáveis por mais de 40% da produção legislativa. Produzimos leis e participamos de debates, e não apenas daqueles que têm as mulheres como tema, mas também daqueles que tratam de economia, cultura saúde, meio ambiente — declarou Jack Rocha em entrevista à TV Senado. 

Participação feminina

Segundo dados da União Interparlamentar (UIP) e da ONU Mulheres divulgados no início deste ano, a média global de participação feminina nos parlamentos é de 27,2%. Mas há países do Brics que superam essa média, como Emirados Árabes Unidos (50%), África do Sul (44,5%) e Etiópia (35,8%).

Já o Brasil, segundo esse mesmo levantamento, apresenta índices muito abaixo da média das Américas, que apresenta a maior proporção de mulheres parlamentares no mundo (35,4%). O Brasil ocupa a 133ª colocação no ranking global de representação parlamentar de mulheres.

Apenas 18,1% da Câmara dos Deputados é composta por mulheres, ou seja, 93 deputadas federais. No Senado, elas são 19,8%, somando apenas 16 mulheres. Os números acabam colocando o país entre os piores desempenhos globais nesse quesito.

Até o momento, 15 países já confirmaram presença no evento, que deve reunir cerca de 150 parlamentares.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Justiça suspende direitos políticos de Garotinho: entenda a decisão

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A Justiça do Rio de Janeiro decidiu, nesta segunda-feira (10), que o candidato ao governo do estado, Anthony Garotinho (Republicanos), deve cumprir uma sentença por improbidade administrativa. A decisão, da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital, manda comunicar a suspensão dos direitos políticos dele ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). O principal efeito dessa medida é a inelegibilidade, que será analisada pelos tribunais eleitorais.

  • Garotinho foi condenado por desvio de R$ 234 milhões na Saúde, quando era secretário do governo de sua esposa, Rosinha.
  • O Ministério Público Estadual pediu a execução da pena após o fim dos recursos, tornando a condenação definitiva.
  • A defesa do ex-governador afirma que a suspensão dos direitos políticos já terminou e que ele pode concorrer.
  • Garotinho continua com a candidatura e critica a decisão, dizendo que é apenas um pedido, não uma decisão final.
  • A Justiça Eleitoral será a responsável por decidir se o registro da candidatura de Garotinho será aceito.

Essa medida atende a um pedido do Ministério Público feito no último dia 6. O órgão afirmou que os recursos apresentados por Garotinho nos tribunais superiores acabaram e que não havia mais nenhuma decisão suspendendo os efeitos da sentença. Com isso, a pena se tornou definitiva e deve ser cumprida. O ex-governador, que governou o Rio entre 1999 e 2002, foi condenado em 2018 por desvios de R$ 234 milhões na área da Saúde, quando era secretário de Governo de sua própria mulher, Rosinha.

Na época, a defesa de Garotinho recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que as provas eram ilegais. Em uma decisão temporária, o ministro Cristiano Zanin suspendeu os efeitos da condenação sobre a inelegibilidade, devolvendo os direitos políticos do ex-governador enquanto o processo era analisado. Porém, após essa nova determinação, a defesa reforçou que a suspensão dos direitos políticos terminou em 1º de agosto de 2026.

Veja a nota na íntegra:

“A defesa de Anthony Garotinho contesta, com veemência, a decisão proferida em 10 de agosto de 2026, pelo Juízo da 4ª Vara de Fazenda Pública da Capital, que determinou a comunicação da suspensão dos direitos políticos ao TRE-RJ e ao TSE.

Aquele r. Juízo foi informado por nós, em defesa, que o título condenatório transitou em julgado, juridicamente, em 1º de agosto de 2018. Os recursos seguintes foram inadmitidos por intempestividade, de modo que as decisões posteriores dos Tribunais Superiores possuem natureza meramente declaratória e efeitos anteriores (ex tunc), conforme pacífica orientação do Supremo, do STJ e do próprio Tribunal Superior Eleitoral. A suspensão dos direitos políticos, portanto, se exauriu em 1º de agosto de 2026.

Conforme informado por nós, àquele Juízo, repita-se, a certidão formal de trânsito em julgado não cria o marco temporal; apenas o documenta. Sendo assim persistir na execução de uma pena já exaurida viola o art. 20 da Lei de Improbidade, viola a segurança jurídica e também viola a própria limitação temporal fixada no título.

A defesa assim reitera sua convicção de que o sr. Anthony Garotinho está em pleno gozo dos seus direitos políticos, circunstância esta que certamente será reconhecida quando da apreciação do registro de sua candidatura ao cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro, pela Justiça Eleitoral do Brasil”.

O processo tramita em segredo de Justiça.

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Garotinho garante candidatura

Nas redes sociais, Garotinho garantiu sua candidatura ao governo do estado e criticou o pedido da Justiça. “O que foi pedido pelo juiz de uma Vara da Fazenda Pública não significa que foi decidido. Uma coisa é um pedido, outra é uma decisão. Vamos deixar bem claro e pontuar aqui todas as questões que envolvem essa situação. Primeiro, a estranheza de um fato ocorrido em 2005 vir à tona agora. Segundo, lamentar que algumas autoridades se prestem a determinado tipo de situação, como se fossem cabos eleitorais de candidatos”, disse.

O ex-governador frisou que ficou inelegível até 2018, a pedido do Ministério Público, mas afirmou estar dentro da lei. “O próprio MPRJ pediu a impugnação da minha candidatura e juntou um documento dizendo que eu estava inelegível até 2018. Qualquer decisão diferente disso vai contra a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e contra o que escreveu o próprio MPRJ. Esse fato me causou bastante perplexidade porque as pessoas estão dando um pedido como se fosse uma decisão. Mas pedir qualquer um pode. Quem decide se o registro é ou não apto, se o candidato pode ou não disputar a eleição, não é um juiz de Fazenda Pública, é a Justiça Eleitoral”, destacou.

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Garotinho ainda criticou os candidatos Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD). “Eu até entendo o desespero de alguns articulistas e jornalistas. Afinal de contas, eu não sou o candidato deles ou do sistema. Um fez um papelão no debate, fingindo que não era o candidato do governo. Se negava a dizer que era candidato do Castro, embora tenha sido, durante um grande período, secretário do Castro. E o outro fugiu, o fugitivo. Então, essa notícia não tem o menor fundamento. Eu estou entrando com o registro da minha candidatura hoje e não haverá nenhum problema para que eu possa disputar a eleição”, afirmou.

O candidato também negou as acusações de improbidade administrativa, disse que é inocente e acusou os adversários de estarem com medo da concorrência. “Estão com muito medo da minha candidatura. Os senhores sabem que, além da minha vida como repórter, eu denunciei muita gente importante, políticos, empresários, muitos políticos envolvidos com organização criminosa. As instituições estão contaminadas em parte, não em toda. Não há nada que impeça minha candidatura. Estou enfrentando candidatos envolvidos com organização criminosa (…) Não existe possibilidade de o meu registro ser negado. Eu não fiz nada do que está escrito ali, mas, se tivesse feito, isso teria terminado em 2018. Nada vai impedir minha candidatura. Estou dentro da lei”, reforçou.

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