Em pronunciamento nesta terça-feira (29), o senador Cleitinho (Republicanos-MG) criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que as penas impostas aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro são exageradas. Ele defendeu que Senado e Câmara votem o projeto da anistia.
Cleitinho criticou o suposto acordo que estaria em andamento entre STF e Congresso para aliviar as penas dos envolvidos nas depredações na Praça dos Três Poderes e aumentar as penas de financiadores e líderes.
— Os Poderes são independentes, e cabe a nós aqui legislar e representar o povo. Não é o STF agora sentar com os presidentes das Casas e debater lei. Quem debate lei aqui somos nós, cabe a eles depois julgar se é constitucional ou inconstitucional. Já passou de todos os limites — disse o senador.
Fraude no INSS
Cleitinho também defendeu a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre o esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. A Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, descobriu que associações e sindicatos que ofereciam serviços a aposentados e pensionistas cadastravam pessoas sem autorização para cobrar mensalidades dos benefícios pagos pelo INSS. O prejuízo pode chegar a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (15) uma sessão extraordinária que poderá abrir um dos julgamentos mais incomuns da história da Corte: a análise sobre a possibilidade de instaurar uma investigação envolvendo o próprio ministro Alexandre de Moraes.
O caso envolve suspeitas relacionadas à suposta atuação de Moraes em favor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Antes de entrar no mérito das acusações, porém, os ministros deverão analisar questões preliminares, incluindo a validade do material produzido pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro.
A sessão está prevista para começar às 10h e poderá ser acompanhada pela transmissão oficial do STF.
O julgamento ocorre depois de a Polícia Federal reunir elementos que, segundo os investigadores, indicariam que Vorcaro teria procurado Moraes para tentar obter ajuda em questões relacionadas ao Banco Master e evitar medidas de órgãos como a própria PF, o Ministério Público e o Banco Central.
PF encontrou 52 registros atribuídos a Vorcaro
De acordo com os elementos citados no caso, a perícia realizada no celular de Vorcaro identificou 52 registros enviados a um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”.
Segundo a investigação, Vorcaro escrevia as mensagens no aplicativo de notas do celular, fazia capturas de tela e posteriormente encaminhava as imagens pelo WhatsApp utilizando o recurso de visualização única.
O conteúdo desses registros está entre os elementos que motivaram o questionamento sobre uma eventual relação entre o ex-banqueiro e o ministro do STF.
A existência das mensagens, porém, não significa, por si só, que tenha havido crime ou que Moraes tenha atendido aos pedidos. É justamente a apuração dessas circunstâncias que poderá ser objeto de investigação caso o procedimento avance.
STF pode encerrar caso antes de analisar acusações
O primeiro desafio dos ministros nesta terça-feira será processual.
O plenário deverá avaliar se o relatório produzido pela Polícia Federal e os dados extraídos do aparelho de Vorcaro podem ser utilizados no procedimento.
Caso seja identificado algum impedimento jurídico, o caso poderá ser encerrado sem que o conteúdo das suspeitas seja efetivamente investigado.
Se os ministros entenderem que os requisitos estão preenchidos, o STF poderá avançar para decidir se autoriza a abertura formal da investigação.
A decisão, portanto, não representa necessariamente uma conclusão sobre a existência de crime. Trata-se de definir se há elementos e condições jurídicas para que as suspeitas sejam apuradas.
Participação de Moraes é incerta
A presença de Alexandre de Moraes na sessão é considerada incerta justamente porque ele é o ministro diretamente envolvido nas suspeitas que serão analisadas.
A situação cria um cenário excepcional para a Corte, que terá de decidir sobre um procedimento que envolve um de seus próprios integrantes.
Outro ministro que pode ficar fora da análise é Dias Toffoli. Ele já declarou impedimento em outros desdobramentos relacionados ao caso Banco Master.
O julgamento, dessa forma, poderá estabelecer não apenas os próximos passos da apuração sobre Vorcaro, mas também os limites para a investigação de integrantes do próprio Supremo quando surgem suspeitas envolvendo relações com pessoas investigadas pela Justiça.
Caso ganhou dimensão política
O episódio ganhou ainda mais repercussão depois que vieram a público informações sobre as mensagens atribuídas a Vorcaro e sobre a atuação da Polícia Federal na análise do aparelho celular.
Moraes nega irregularidades e apresentou defesa contestando as suspeitas e a forma como a investigação foi conduzida. A defesa sustenta que não há mensagens de autoria do ministro que indiquem favorecimento ao ex-banqueiro e questiona a validade de elementos utilizados no procedimento.
Agora, caberá ao próprio STF decidir se o caso deve avançar para uma investigação formal.
O resultado da sessão poderá determinar se as suspeitas serão aprofundadas ou se o procedimento será encerrado antes mesmo da análise de mérito.
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