Agronegócio

Santa Catarina declara emergência zoossanitária por causa da gripe aviária

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Santa Catarina respondeu à recomendação do Ministério da Agricultura e decretou estado de emergência zoossanitária devido aos recentes casos de gripe aviária que surgiram no estado.

O decreto foi oficializado em edição extraordinária do Diário Oficial do Estado e terá validade pelos próximos 180 dias. De acordo com o governo estadual, essa medida proporcionará a obtenção de recursos federais e a cooperação entre diferentes ministérios, órgãos governamentais e organizações não-governamentais.

Além disso, com o estado de emergência, Santa Catarina poderá destinar recursos próprios para intensificar as ações de combate à doença.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, foram confirmados dois casos de gripe aviária no estado, sendo um em ave silvestre e outro em ave criada para subsistência.

A orientação para que os estados declarassem emergência zoossanitária foi emitida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com o objetivo de possibilitar o acesso a recursos federais para conter o avanço do vírus da gripe aviária.

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), destacou a importância dessa ação coordenada para fortalecer o apelo ao Ministério da Agricultura em sua interação com o Japão. O objetivo é assegurar um plano de ação ágil e eficiente para minimizar os impactos causados pela gripe aviária.

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Anteriormente, o governo federal já havia decretado emergência zoossanitária em todo o país, liberando R$ 200 milhões para ações de controle e combate à influenza aviária.

Até o momento, o Ministério da Agricultura confirmou a identificação de três novos focos de influenza aviária de alta patogenicidade em aves silvestres no Brasil. O total de casos da doença em aves silvestres no país é de 65, além de dois focos em criações domésticas para subsistência. O ministério informou também que existem seis investigações em andamento, com coleta de amostras e sem resultados laboratoriais conclusivos.

Apesar das ocorrências em aves silvestres e de subsistência, o Brasil continua sendo considerado um país livre de IAAP (Influenza Aviária de Alta Patogenicidade) e não enfrenta restrições no comércio internacional de produtos avícolas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Alta de insumos, frete e diesel com guerra aperta margem e preocupa safra 2026/27

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Isan Rezende

“O produtor rural brasileiro define agora, entre maio e agosto, o custo da safra 2026/27 — cujo plantio começa a partir de setembro no Centro-Oeste — com uma conta mais pesada e fora do seu controle. A ureia subiu mais de US$ 50 por tonelada, o diesel segue pressionado e o frete internacional acumula altas de até 20%. Isso aumenta o custo por hectare e exige mais dinheiro para plantar”. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), ao analisar os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o agronegócio brasileiro.

Segundo ele, o encarecimento não começou agora, mas se intensificou nas últimas semanas e pesa diretamente nas decisões do produtor. Em lavouras de soja e milho, o aumento dos insumos pode elevar o custo total entre 8% e 15%, dependendo do nível de investimento. “O produtor já vinha apertado. Agora, o custo sobe de novo e o preço de venda continua incerto”, afirma.

O avanço dos custos está ligado à tensão no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a superar US$ 111 o barril, mantendo o diesel em alta. Ao mesmo tempo, fertilizantes nitrogenados, que o Brasil importa em grande volume, ficaram mais caros e instáveis.

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Além do custo, há risco de perda de mercado. “O Irã comprou cerca de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025. Se esse volume diminui, sobra produto aqui dentro e o preço cai”, diz Rezende.

Na logística, o impacto já aparece nos números. O frete marítimo para a Ásia subiu entre 10% e 20%, com aumento do seguro e cobrança de prêmio de risco. Na prática, isso reduz o valor pago ao produtor. “Quando o custo de levar o produto sobe, alguém paga essa conta — e parte dela volta para quem está produzindo”, afirma.

O efeito mais forte deve aparecer nos próximos meses, quando o produtor for comprar fertilizantes e fechar custos da nova safra. Se os preços continuarem elevados, será necessário mais capital para plantar a mesma área.

Para Rezende, há medidas que podem reduzir esse impacto. “O governo pode ampliar o crédito rural com juros menores, reforçar o seguro rural e alongar dívidas em regiões mais pressionadas. Um aumento de alguns bilhões na equalização de juros já ajudaria a reduzir o custo financeiro da safra”, afirma.

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Ele também aponta que o Brasil começa a dar passos para diminuir a dependência externa de insumos, mas ainda de forma insuficiente. “A retomada da produção de nitrogenados com a reativação da unidade de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária, no Paraná, ajuda, mas ainda não resolve o problema. O país continua dependente do mercado internacional, especialmente do Oriente Médio. Sem ampliar essa capacidade e melhorar a logística, o produtor segue exposto a choques externos”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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