POLÍTICA NACIONAL

CMA aprova penas mais duras para quem maltratar animais; texto vai à CCJ

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A Comissão de Meio Ambiente do Senado (CMA) aprovou nesta terça (12) a proposta que endurece as penas para maus-tratos contra animais e cria um sistema nacional de prevenção e detecção dessas infrações.

O texto determina que a pena para maus-tratos contra qualquer animal (que atualmente é de 3 meses a 1 ano de detenção, mais multa) aumentará para dois a cinco anos de reclusão, mais multa — que, aliás, é a punição já prevista para os casos de maus-tratos contra cães e gatos.

A proposta também prevê que a pena poderá variar entre três e seis anos em casos agravados que envolvam tortura, abuso sexual ou transmissão das agressões em redes sociais. Além disso, estabelece aumento da punição em caso de morte do animal.

Para definir essas mudanças, o texto altera a Lei de Crimes Ambientais, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Política Nacional de Educação Ambiental.

O texto foi aprovado pela CMA na forma de um substitutivo a um projeto apresentado pelo senador Confúcio Moura: o PL 4.262/2025. A relatora da matéria — e responsável pelo substitutivo — foi a senadora Leila Barros (PDT-DF). 

Agora, a matéria segue para análise na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado (CCJ), onde será votada em decisão terminativa.

Consolidação

O substitutivo de Leila Barros teve como ponto de partida a proposta de Confúcio Moura, mas também avaliou — e incorporou — contribuições de outros projetos de lei (todos tratam do combate à crueldade contra animais).

São eles:

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— Esses projetos foram apresentados como resposta a dois eventos de grande comoção nacional. Em agosto de 2025, no município paulista de Bananal, um indivíduo forçou um cavalo a marchar por longa distância até a exaustão, o que teria causado sua morte. Na sequência, praticou ato de extrema crueldade ao mutilar as patas do animal com um facão. Em janeiro de 2026, em Florianópolis, a morte do cão comunitário Orelha, como possível resultado de uma sequência de agressões realizadas por menores de idade, expôs graves lacunas institucionais no combate aos maus-tratos contra animais e gerou uma onda de indignação nacional — lembrou Leila Barros.

Ela disse que buscou harmonizar as diferentes propostas, evitando sobreposições e garantindo segurança jurídica. E também apontou que foi acolhida uma emenda para excluir da aplicação das penalidades as atividades legalmente autorizadas (como o controle de fauna invasora e práticas agropecuárias regulamentadas).

O substitutivo

O texto proposto por Leila prevê pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa, para os maus-tratos contra animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, ou quando esses animais forem submetidos a abuso, tratamento cruel ou degradante, abandono ou condições incompatíveis com sua natureza.

Outra previsão é que a pena será aumentada para reclusão de três a seis anos, além de multa, quando o crime: resultar em deformidades permanentes; for cometido contra fêmea prenhe, animal idoso ou recém-nascido; envolver abuso sexual, tortura ou transmissão das agressões em redes sociais.

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O substitutivo também tipifica novas condutas como crime (como a negligência nos cuidados básicos com animais) e estabelece sanções adicionais (incluindo a proibição de guarda, posse ou propriedade de animais por condenados, além da restrição ao exercício de atividades profissionais que envolvam contato com animais). 

Além disso, o texto determina que a punição aumentará de um terço à metade se o crime resultar em morte do animal.

Medidas socioeducativas

O substitutivo altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para incluir, entre os deveres dos pais e responsáveis, a formação ética da criança e do adolescente voltada ao respeito à vida e ao cuidado com os animais.

Essas mudanças preveem, entre as sanções a serem aplicadas, serviços comunitários de caráter educativo e restaurativo (em entidades de proteção animal, abrigos ou programas de bem-estar animal) e multas proporcionais à condição econômica dos responsáveis.

Sistema de prevenção e detecção

Outro ponto fundamental do substitutivo é a criação do Sistema Nacional de Prevenção e Detecção de Maus-Tratos a Animais, a ser regulamentado pelo Poder Executivo.

De acordo com o texto, o sistema contará com um canal nacional integrado de denúncias (inclusive digital), com garantia de anonimato para o denunciante, ferramentas tecnológicas de triagem de informações e integração com órgãos ambientais, forças de segurança e Ministério Público.

Além disso, o sistema terá um cadastro nacional de pessoas responsabilizadas por maus-tratos a animais, com informações sobre condenações com trânsito em julgado, acessíveis por CPF.

O texto prevê que todo comércio legal de animais deverá consultar esse cadastro antes de transferir a guarda, a posse ou a propriedade de animal vivo.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Lula rejeita classificação de PCC e CV como terroristas e volta a atacar Bolsonaro

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a colocar Jair Bolsonaro (PL) no centro do debate político ao comentar, nesta sexta-feira (18), a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Durante um evento no Rio de Janeiro sobre segurança pública, Lula afirmou que não concorda com o enquadramento defendido pelo presidente americano Donald Trump. Segundo o petista, o Brasil precisa enfrentar o crime organizado, mas as facções criminosas não deveriam ser classificadas da mesma forma que o que chamou de “terrorismo de Estado”.

“Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump”, afirmou Lula.

 

 

 

Na sequência, o presidente mudou o foco da discussão sobre o crime organizado e passou a citar Bolsonaro. Lula relacionou o conceito de terrorismo à tentativa de ruptura institucional investigada após as eleições de 2022 e afirmou que o ex-presidente teria participado de uma articulação para atacar as instituições.

“Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado. Ele fala da luta, da briga pelo poder. Quem era isso? Era o Bolsonaro tentando dar o golpe em 8 de Janeiro”, declarou.

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Lula também mencionou o plano investigado pela Polícia Federal que, segundo as acusações apresentadas no processo da chamada trama golpista, previa ações contra autoridades. O presidente afirmou que o planejamento incluía Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes como alvos.

As afirmações foram feitas durante o lançamento de uma estratégia integrada de segurança pública no Rio de Janeiro. O programa reúne estruturas federais, estaduais e municipais para ações de inteligência, investigação, policiamento e monitoramento com o objetivo de recuperar áreas sob influência de facções, milícias e grupos ligados ao jogo do bicho.

Trump colocou PCC e CV no centro da pressão

A declaração de Lula ocorre dois dias depois de o governo Trump criticar o Brasil pelo combate ao crime organizado. Em documento enviado ao Congresso americano, Trump afirmou que o governo brasileiro não teria conseguido enfrentar adequadamente o PCC e o Comando Vermelho, classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras.

A manifestação americana aumentou a pressão sobre o governo brasileiro justamente em um momento em que a segurança pública ganhou espaço no discurso eleitoral.

Lula, por sua vez, sustenta que o Brasil deve combater as facções, mas rejeita a classificação internacional adotada pelos Estados Unidos. Em declaração anterior, o presidente já havia feito uma distinção entre o terrorismo político e a atuação de organizações criminosas voltadas ao tráfico e ao controle territorial.

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Segurança pública vira palco de disputa política

O lançamento do plano no Rio tinha como objetivo anunciar uma ação conjunta contra organizações criminosas, mas o evento também acabou servindo de palco para mais um embate político envolvendo Lula, Bolsonaro e Trump.

Ao mesmo tempo em que apresentou medidas de integração das forças de segurança, Lula aproveitou a discussão internacional sobre as facções para reforçar sua narrativa sobre a chamada trama golpista e voltar a associar Bolsonaro aos episódios investigados após as eleições de 2022.

O governo federal afirma que a nova estratégia pretende recuperar territórios dominados pelo crime e ampliar o compartilhamento de informações entre os órgãos de segurança. Lula também declarou que pretende utilizar o Rio como ponto de partida e, caso a iniciativa produza resultados, levar o modelo para outras regiões do país.

A discussão, entretanto, vai além das operações policiais. De um lado, o governo americano pressiona o Brasil pelo tratamento dado às grandes facções criminosas. De outro, Lula rejeita o enquadramento defendido por Trump e utiliza o conceito de terrorismo para fazer uma distinção política em relação aos acontecimentos envolvendo Bolsonaro.

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